Os nomes mais incensados na vitória do Liverpool sobre o Manchester City são os de sempre. Mohamed Salah marcou mais um gol, Sadio Mané chamou a responsabilidade, Roberto Firmino apareceu bastante. Mas é preciso dizer que a noite exemplar dos Reds teve muito de seus coadjuvantes. Alex Oxlade-Chamberlain desponta pelo golaço que ampliou o placar, em chute indefensável. Ainda assim, outros tantos merecem os louros pelo resultado. Se o time de Jürgen Klopp se saiu tão bem, é porque a maioria absoluta das peças individuais foi além de suas próprias capacidades para tornar a noite coletivamente perfeita.

Ox é um deles. O meio-campista surgiu como “bonde”, pelo dinheiro investido e pela falta de impacto no Arsenal. É mais fácil achar vídeos de erros bisonhos do que qualquer outra coisa sobre seus tempos nos Gunners. Mas havia potencial no jovem. Algo que vai sendo extraído em Anfield. Não, o camisa 21 não é um jogador intocável. Todavia, sua dinâmica se encaixa muito bem àquilo que querem os Reds. Dá energia ao meio-campo ou velocidade nas pontas. Pode ser utilizado em múltiplas funções do meio para frente, por isso se torna um coringa a partir do banco de reservas. E possui agressividade para surgir como elemento surpresa. Não à toa, em nove jogos nos quais jogou desde os primeiros minutos como meia central, fez três gols e deu quatro assistências. Média notável, ampliada pelo míssil indefensável contra Ederson.

Ao seu lado, outro que se sobressaiu foi James Milner. O papel do inglês como operário da bola é reconhecido há tempos, pau para toda a obra. E nesta quarta, cada gota de suor do meio-campista valeu a pena. Do meio para frente, ninguém trabalhou tanto sem a posse. Foram oito desarmes, três interceptações, quatro bolas rifadas e quatro bloqueios. Quase sempre, o incansável veterano aparecia para travar a saída do Manchester City. Em meio ao esforço, conseguiu encaminhar a pelota para que o próprio Ox anotasse o segundo gol.

Já nas laterais, Andrew Robertson e Trent Alexander-Arnold foram os esteios do Liverpool. O primeiro vem em uma crescente notável, com ótimas atuações recentes – mais uma na conta pelo que aprontou contra o Manchester City. A estratégia de Pep Guardiola nos primeiros minutos, claramente, se voltava aos lados do campo. Pois o escocês não tomou conhecimento de Ilkay Gündogan por ali e partiu para cima de Kyle Walker. O camisa 26 criou lances de perigo, principalmente em uma bola na qual acabou travado por Fernandinho dentro da área. Já no segundo tempo, trancou o lado esquerdo com precisão nos desarmes e ajudou também a afastar os perigos no centro da área. Sua intensidade e sua velocidade impressionam.

Do outro lado, Alexander-Arnold convive com a desconfiança. O garoto de 19 anos, de fato, tem potencial, mas também comete seus erros. Nesta quarta, entretanto, fez a partida de sua vida. Durante o primeiro tempo, o camisa 66 começou a ser desafiado por David Silva e Leroy Sané, até que o Liverpool tomasse conta do jogo. Já na etapa final, se agigantou, cortando as linhas de passe e forçando os erros principalmente de Sané, por mais que o alemão tentasse aparecer. No duelo individual, o lateral direito levou a melhor com quilômetros de vantagem. Além de tudo, assim como Robertson, era o principal caminho dos Reds em suas saídas ao ataque e vazão com a posse de bola.

E seria injusto não falar também sobre a segurança que Virgil van Dijk adicionou ao miolo de zaga, o papel discreto e providencial de Dejan Lovren ao seu lado, a voz de comando de Jordan Henderson na cabeça de área. Dos 11 titulares do Liverpool, o único que não merece uma nota acima da média é Loris Karius – mas não por sua culpa, e simplesmente porque o ataque do Manchester City não o desafiou. Méritos ainda maiores dos companheiros de linha, que corresponderam às diferentes estratégias nos dois tempos. Jürgen Klopp, inegavelmente, conseguiu contornar os problemas defensivos e sabe como arrancar o máximo de seus atletas nos grandes desafios. Agora, eles têm mais 90 minutos para assegurar a vaga nas semifinais.