A temporada 2014/15 do futebol português mal começou e já está conturbada. O imbróglio que parece sem fim, envolvendo os clubes e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, ganhou novos e importantes capítulos esta semana, quando as equipes iniciaram um movimento para tentar consertar – ou pelo menos amenizar – os problemas, cada vez mais sérios. A briga entre as equipes e a Liga é antiga e já foi retratada várias vezes pela coluna. A reeleição de Mário Figueiredo para a presidência da entidade, às vésperas do início da Copa do Mundo, foi alvo de muita contestação, principalmente pela impugnação das chapas de oposição.

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A novidade é que, agora, finalmente os clubes decidiram agir em conjunto – ainda que a iniciativa não tenha partido deles, mas da Federação Portuguesa de Futebol, que convocou uma reunião de emergência nesta semana. Dela, participaram representantes de 32 dos 36 times da primeira e da segunda divisões de Portugal. Sporting Covilhã, Acadêmico de Viseu, Santa Clara e Olhanense não mandaram representantes, mas apresentaram justificativas.

O próprio Mário Figueiredo também foi convidado, mas não compareceu e nem justificou o motivo – o que aumentou a ira dos revoltosos. No meio do encontro, os representantes da Federação saíram da sala, no intuito de deixar os clubes à vontade para debater soluções. E eles debateram em segredo, já que quase nada da conversa vazou. Mas sabe-se que entre os temas discutidos estiveram a possibilidade de impugnar a última eleição da Liga, a ausência de patrocínios nos campeonatos profissionais, os processos judiciais que a Liga vem sofrendo e as dívidas da entidade.

A informação oficial passada depois da reunião é também uma notícia histórica. Os três grandes clubes de Portugal, Porto, Sporting e Benfica, se uniram para formar uma comissão que vai iniciar a busca por soluções para os problemas. A primeira reunião deve acontecer na semana que vem e, depois dela, a tendência é que Marítimo, Vitória de Guimarães, Tondela e Oliveirense se unam ao grupo.

A união do trio é, de fato, digna de louvor. A própria coluna vem criticando há tempos as brigas entre dirigentes portistas, sportinguistas e benfiquistas, muitas vezes sem razão de ser. Agora, parece que eles entenderam que a situação é delicada e problemas menores devem ser deixados de lado. “Foram dados passos importantes no que diz respeito ao futebol profissional em Portugal. Podemos mesmo considerar este um momento histórico”, disse o vice-presidente da Federação, Hermínio Loureiro, que classificou a formação do grupo como uma “plataforma de convergência”.

Embora a hipótese de greve não possa ser descartada (foi uma medida citada por alguns dirigentes nos últimos dias), é improvável que algo tão radical aconteça, ao menos por enquanto. Porta-voz oficial dos times, o presidente do Vitória de Guimarães, Júlio Mendes, disse que a solução passará pelo diálogo. “Os clubes devem ser capazes de esquecer divergências do passado e pensar acima de tudo no interesse do futebol português. Isso foi entendido por todos.”

A solução, pelo menos temporária, pode vir do governo português. O Conselho Nacional do Desporto tem reunião marcada para o dia 30 e poderá ordenar que a organização dos campeonatos da primeira e da segunda divisões passem da Liga para a Federação. As informações de bastidores publicadas pela imprensa portuguesa nos últimos dias dão conta de que isso só não acontecerá se o grupo dos clubes apresentar outra medida emergencial válida. A Federação já deixou clara sua posição de não querer organizar campeonatos, mas, nesse caso, teria de acatar a decisão.

As medidas emergenciais que devem ser tomadas para garantir que a bola role em agosto nos gramados portugueses não são tão difíceis. Um mínimo de organização fará com que o campeonato transcorra normalmente, independente de quem vai organizá-lo.

O mais importante é os dirigentes terem a noção do momento histórico e promoverem uma reforma no futebol português. Se for mantida, a união em nível institucional entre Porto, Sporting e Benfica é um enorme passo para isso. Mas é preciso que cada um deixe vaidades e birras de lado.

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