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[Libertadores] Grupo 7: Flamengo é o favorito, mas precisa espantar alguns fantasmas

Flamengo – Emelec – León – Bolívar

Dos brasileiros campeões da Libertadores, o Flamengo é quem não conquista o título há mais tempo. Pior, só o Racing enfrenta um jejum maior entre os times que já levantaram a taça. E o retrospecto recente não é nada bom, com eliminações frustrantes para Defensor, América, Universidad de Chile e Emelec. Para reverter essa maré, os flamenguistas confiam no espírito de união que tornou o time desacreditado em campeão da Copa do Brasil. Mas seu caminho possui alguns obstáculos de respeito: Emelec e León são campeões nacionais e suscitam alguns velhos fantasmas, enquanto o Bolívar conta com a altitude que costuma fazer o Fla penar.

O FAVORITO

O Flamengo tem suas limitações, mas não há como negar seu protagonismo no grupo. O time de Jayme de Almeida possui uma pecha copeira, especialmente pela maneira como conquistou a Copa do Brasil, eliminando quatro dos seis primeiros colocados do Brasileirão de 2013. Elias é um desfalque bastante sentido, mas a equipe se movimentou bem para ganhar forças para a Libertadores. Embora não tenha a mesma energia do antigo ídolo da torcida, Elano dá experiência e adiciona técnica ao meio-campo. Walter Erazo é boa opção à zaga, enquanto Lucas Mugni chega com a responsabilidade de ser o camisa 10 e maestro do time. Se a coisa apertar, no entanto, os flamenguistas já sabem que qualquer bola mascada pode se tornar gol nos pés iluminados do Brocador Hernane.

O JOGÃO

Emelec x Flamengo
2 de abril – Estádio George Capwell (Guayaquil-EQU)

Guayaquil, quinta rodada da fase de grupos da Libertadores. A combinação entre Emelec x Flamengo de 2014 já aconteceu há dois anos e causa calafrios nos cariocas. Os visitantes estiveram duas vezes em vantagem no placar, mas permitiram a virada dos equatorianos nos dez minutos finais. A derrota complicou demais o Fla e, apesar da vitória sobre o Lanús em casa, o time acabou eliminado pelo incrível triunfo do Emelec contra o Olimpia, tomando um gol aos 46 do segundo tempo e anotando 3 a 2 aos 47. Tantas lembranças têm um peso psicológico importante para o reencontro deste ano, ainda mais porque ambos podem estar resolvendo seus destinos na competição.

O CRAQUE

Elias voltou para Portugal e Hernane não é bem aquilo que pode se chamar de craque. Assim, o talento individual que pode decidir partidas para o Flamengo na Libertadores está nos pés de Paulinho. O meia chegou ao clube no ano passado e não demorou a mostrar serviço, sendo vital na reta final da Copa do Brasil. Rápido, driblador e dono de boa finalização, o jogador de 25 anos tende a ser menos visado pelos adversários. E, como já demonstrou não ter medo da responsabilidade, pode ter espaço suficiente para brilhar.

SEÑOR LIBERTADORES

A passagem pela Europa não permitiu que Mauro Boselli disputasse tantas Libertadores assim recentemente. Contudo, são poucos os jogadores presentes nessa edição que podem se gabar de dois títulos continentais no currículo. O atacante era reserva no Boca Juniors de 2007 e foi o artilheiro do Estudiantes em 2009 – quando, inclusive, calou o Mineirão lotado ao anotar o gol decisivo na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, que selou a conquista dos pincharratas. Destaque do León, pode dar a fome de Libertadores que às vezes falta aos clubes mexicanos.

FATOR CAMPO

O Emelec não tem a altitude a seu favor, como o Bolívar. A viagem longa, como o León. O Maracanã lotado, como o Flamengo. Mas passar pelos Electricos no Estádio George Capwell costuma ser missão ingrata na Libertadores. O caldeirão equatoriano costuma colocar pressão sobre os visitantes. Entre as vítimas recentes no torneio, estão clubes de peso, como Fluminense, Peñarol, Vélez, Olimpia e Flamengo. Internacional e Corinthians, em suas últimas campanhas de título, não foram além de um empate na visita a Guayaquil. Desde a Libertadores 2011, o Emelec só perdeu um dos 11 jogos em casa que fez, para o Lanús.

O CLICHÊ

A altitude de La Paz é implacável. Em relação aos efeitos sobre o fôlego dos visitantes e a velocidade da bola, pode até ser. Mas não dá para afirmar que o Bolívar tem se aproveitado tanto assim do Estádio Hernando Siles, um dos mais temíveis do mundo. Santos e São Paulo caíram recentemente no ar rarefeito. Só que também existem vários exemplos de êxitos dos visitantes. A Unión Española saiu de lá vitoriosa em 2011 e 2012, enquanto o Alianza Lima se deu bem em 2010. Times que não são bem potências continentais e que, se as pernas não tremerem para quem for visitar a capital boliviana, podem servir de exemplo.

FIQUE DE OLHO

Não é sempre que os clubes mexicanos costumam entrar de corpo e alma na Libertadores. Se tratar a competição a sério, ao contrário de sua última participação, quando foi eliminado na primeira fase, o León é um rival a ser levado a sério. Principalmente por causa de Carlos Peña. O ‘Gullit Mexicano’ é especulado para ir à Europa em breve e se tornou uma das peças-chave da seleção rumo à Copa de 2014. Meio-campista técnico, conduz bem o jogo e chega com qualidade para apoiar o ataque.

CURIOSIDADE

Será importante para o Flamengo conquistar bons resultados no Maracanã. O clube costuma ter retrospecto ruim nas viagens à Bolívia e ao Equador pela Libertadores. São quatro derrotas e dois empates em sete jogos, sendo que a única vitória aconteceu na campanha do título de 1981, contra o Jorge Wilstermann. Já na única visita ao México, o Fla venceu: 4 a 2 sobre o América. Só não é preciso lembrar o que aconteceu na volta, com o show de Cabañas.