O futebol holandês de clubes já estava relativamente aquecido. O Feyenoord já iniciara sua curta estadia na Liga dos Campeões – nesta quarta, ela terminou, com a eliminação para o Besiktas, da Turquia. O PSV voltou a campo nesta quinta e conquistou a vaga nos play-offs da Liga Europa, com algumas dificuldades: fizera 1 a 0 contra o Sankt-Pölten e sofrera o empate, até que Memphis Depay entrou em campo e fez 2 a 1 – o jogo de volta ficou em 3 a 2. E na Supercopa da Holanda, o Zwolle mostrou empolgação bem maior e novamente superou o Ajax, fazendo 1 a 0 e comemorando o segundo título importante de sua história em menos de quatro meses.

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GUIA DO HOLANDÊS: Parte 2, o meio da tabela

E finalmente, nesta sexta, com Zwolle x Utrecht, começa a 59ª temporada do Campeonato Holandês. Esperando algumas perdas na janela de transferências, como sempre. Só desde a semana passada, já ocorreram a saída de Quincy Promes e declarações comentando a mesma possibilidade para Clasie, Wijnaldum, Depay, Daley Blind etc. Tudo bem, o futebol holandês já está mais do que acostumado com a rotina. E continua vendo mais jovens tomarem conta do cenário. É preciso. Ainda mais para os seis times desta parte final do guia da Eredivisie, os favoritos a sonhar com algo mais do que uma vaga numa competição europeia – quem sabe, com o título.

AZ escudoAZ

Técnico: Marco van Basten

Temporada passada:

Destaque: Aron Jóhannsson (atacante)

Copas europeias: Nenhuma

Fique de olho: Guus Hupperts (meio-campista)

Objetivo: Vaga em competições europeias

Principais chegadas: Sergio Rochet (G, Danubio-URU), Ridgeciano Haps (D, Go Ahead Eagles), Guus Hupperts (M, Roda JC), Muamer Tankovic (A, Fulham-ING) e Mikhail Rosheuvel (A, Heracles)

Principais saídas: Etiënne Reijnen (D, Cambuur), Dirk Marcellis (D, sem clube), Nick Viergever (D, Ajax), Erik Falkenburg (M, NAC Breda), Ruud Boymans (A, Utrecht), Roy Beerens (A, Hertha Berlim-ALE) e Johann Berg Gudmundsson (A, Charlton Athletic-ING)

O AZ poderia ter perdido bastante no ataque, com as saídas de Beerens e Gudmundsson. Isso, pelo menos a princípio. Só que Jóhannsson, o melhor atacante do elenco, continua em Alkmaar. E a defesa perdeu apenas Viergever como personagem importante, por sua versatilidade (pode jogar na quarta zaga e na lateral esquerda). Todavia, Marco van Basten terá à sua disposição um elenco bastante entrosado e menos atingido pela janela de transferências. Além disso, Hupperts é um armador promissor, contratado após disputa com graúdos do país, como o Ajax. Se souber acrescentar os reforços à base já entrosada, Van Basten pode fazer um ótimo time.

Groningen escudoGroningen

Técnico: Erwin van de Looi

Temporada passada:

Destaque: Filip Kostic (atacante)

Copas europeias: Liga Europa (já eliminado na segunda fase preliminar, pelo Aberdeen-ESC)

Fique de olho: Danny Hoesen (atacante)

Objetivo: Vaga em competições europeias

Principais chegadas: Sergio Padt (G, Gent-BEL), Martijn van der Laan (D, Cambuur), Danny Hoesen (A, Ajax), Dino Islamovic (A, Fulham-ING) e Jarchinio Antonia (A, Go Ahead Eagles)

Principais saídas: Marco Bizot (G, Racing Genk-BEL), William Troost-Ekong (D, Dordrecht), Jonas Ivens (D, Niki Volos-GRE), Stefano Magnasco (D, Universidad Católica-CHI), Giliano Wijnaldum (D, Go Ahead Eagles), Krisztián Adorján (M, Liverpool-ING) e Richairo Zivkovic (A, Ajax)

O “Orgulho do Norte” fez ótima temporada em 2013/14, e tinha o sonho de chegar à Liga Europa, talvez. Não conseguiu. Mas para o nível do Campeonato Holandês, a equipe de Erwin van de Looi continua satisfatória. Perdeu Zivkovic, a grande revelação da última Eredivisie? Pois conseguiu Danny Hoesen, outro jovem e promissor atacante. No gol, Padt mantém o nível de Bizot. O principal é ter conseguido manter a espinha dorsal da última temporada. Eric Botteghin, Michael de Leeuw, Chery, Hiariej, Kostic… todos eles continuam no clube (talvez Kostic saia). O que faz crer que o Groningen tem tudo para fazer outra boa temporada.

Twente escudoTwente

Técnico: Alfred Schreuder

Temporada passada:

Destaque: Luc Castaignos (atacante)

Copas europeias: Liga Europa (play-off por vaga na fase de grupos)

Fique de olho: Kamohelo Mokotjo (meio-campista)

Objetivo: Vaga em competições europeias

Principais chegadas: Darryl Lachman (D, Zwolle), Kamohelo Mokotjo (M, Zwolle), Jerson Cabral (A, ADO Den Haag), Felitciano Zschusschen (A, Dordrecht) e Kasper Kusk (A, Aalborg-DIN)

Principais saídas: Sander Boschker (G, encerrou carreira), Roberto Rosales (D, Málaga-ESP), Peter Wisgerhof (D, encerrou carreira), Wout Brama (M, sem clube), Willem Janssen (M, Utrecht), Dusan Tadic (M, Southampton-ING)

Agora, com o diploma de técnico na mão, enfim Alfred Schreuder pode ocupar o lugar que já era seu de direito, mas que ficava com o auxiliar Michel Jansen. E o seu time promete uma boa Eredivisie. É verdade que a perda de Tadic é bastante sentida – e o novo titular, Felipe Gutiérrez, armador que fez Copa razoável, lesionou-se e ficará de fora do início da temporada. O ataque provavelmente ficará sem Quincy Promes (o Dynamo Moscou deve ser o destino). Mas o time pode render boa coisa, pelo entrosamento dos que ficaram e pelos reforços promissores, como Kamohelo Mokotjo, destaque do Zwolle no último ano, e o atacante dinamarquês Kusk.

Feyenoord escudoFeyenoord

Técnico: Fred Rutten

Temporada passada: Vice-campeão

Destaque: Jordy Clasie (meio-campista)

Copas europeias: Liga dos Campeões (eliminado pelo Besiktas-TUR, na terceira fase preliminar)/Liga Europa (play-offs)

Fique de olho: Lex Immers (atacante)

Objetivo: Título

Principais chegadas: Warner Hahn (G, Dordrecht), Luke Wilkshire (D, Dynamo Moscou-RUS), Khalid Boulahrouz (D, Brondby-DIN), Matthew Steenvoorden (D, Dordrecht), Lucas Woudenberg (D, Excelsior), Bilal Basacikoglu (A, Heerenveen) e Elvis Manu (A, Cambuur)

Principais saídas: Kostas Lamprou (G, Willem II), Daryl Janmaat (D, Newcastle-ING), Stefan de Vrij (D, Lazio-ITA), Bruno Martins Indi (D, Porto-POR), Otman Bakkal (M, sem clube), Samuel Armenteros (A, Anderlecht-BEL) e Graziano Pellè (A, Southampton-ING)

Fazia tempo que o Feyenoord não era tão falado. Para o bem e para o mal. Para o bem, porque o time fez outra boa temporada em 2013/14. E cada vez mais revela jogadores de nível razoável. A Copa foi a prova disso: na Holanda estavam De Vrij, Martins Indi, Kongolo, Clasie… E aí veio a parte ruim: exatamente pela boa temporada é que grande parte da equipe foi atingida pelas transferências. Começou pelo banco, onde já se sabia que Ronald Koeman sairia, e partiu para o campo. Janmaat, De Vrij, Martins Indi e Pellè, todos personagens fundamentais, deixaram De Kuip. Clasie continua, mas pode sair. E os únicos reforços promissores são Basacikoglu, revelação do Heerenveen, e o promissor goleiro Hahn. O Stadionclub continua com nível bom para o Campeonato Holandês, mas desceu um degrau, pelo menos dentro de campo.

PSV Eindhoven escudoPSV

Técnico: Phillip Cocu

Temporada passada: 

Destaque: Memphis Depay (atacante)

Copas europeias: Liga Europa (play-offs)

Fique de olho: Luuk de Jong (atacante)

Objetivo: Título

Principais chegadas: Remko Pasveer (G, Heracles Almelo), Timothy Derijck (D, Utrecht), Marcel Ritzmaier (D, Cambuur) e Luuk de Jong (A, Borussia Mönchengladbach-ALE)

Principais saídas: Przemyslaw Tyton (G, Elche-ESP), Matthias “Zanka” Jorgensen (D, Kobenhavn-DIN), Karim Rekik (D, Manchester City-ING), Park Ji-sung (M, encerrou carreira), Tim Matavz (A, Augsburg-ALE) e Bryan Ruiz (A, Fulham-ING)

A temporada passada foi de reformulação para o PSV. O time chegou a patinar no meio da tabela, mas reagiu no fim e alcançou uma honrosa 4ª posição. Feita a mudança, a hora é de colher os frutos. E os Boeren podem colhê-los: ao contrário do Feyenoord – e, por enquanto, do Ajax -, não perdeu nenhum jogador holandês na Copa, e nem deverá perder. O que inclui Depay, promessa encorpada depois das boas atuações na Copa. De quebra, Luuk de Jong é um atacante que ainda pode dar certo, a despeito da decepção que foi desde que saiu do Twente. Com um time entrosado e promessas de contratação (o clube tenta novo empréstimo de Rekik e a contratação de Steven Defour), os Eindhovenaren têm ótimas chances de acabarem com o jejum de seis anos.

Ajax_escudoAjax

Técnico: Frank de Boer

Temporada passada: Campeão

Destaque: Lasse Schöne (meio-campista)

Copas europeias: Liga dos Campeões

Fique de olho: Ricardo Kishna (atacante)

Objetivo: Título

Principais chegadas: Nick Viergever (D, AZ), Richairo Zivkovic (A, Groningen), Arkadiusz “Arek” Milik (A, Bayer Leverkusen-ALE) e Robert Muric (A, Dinamo Zagreb-CRO)

Principais saídas: Mickey van der Hart (G, Go Ahead Eagles), Fabian Sporkslede (D, Willem II), Joeri de Kamps (D, NAC Breda), Dejan Meleg (M, Cambuur), Eyong Enoh (M, Antalyaspor-TUR), Bojan Krkic (A, Barcelona-ESP), Danny Hoesen (A, Groningen), Siem de Jong (A, Newcastle-ING), Jody Lukoki (A, Zwolle) e Lesly de Sa (A, Go Ahead Eagles)

Campeão? O Ajax é – aliás, tetracampeão holandês, como nunca fora em sua história. Bons resultados na pré-temporada? O Ajax ganhou do Benfica a Eusébio Cup, homenagem ao jogador maior da história dos Encarnados. Vaga em competições continentais? O Ajax está na fase de grupos da Liga dos Campeões, pela quinta vez consecutiva. Então, por que a preocupação com os Ajacieden?

Porque o time atuou pessimamente na Supercopa da Holanda, semana passada. O que revela dependência excessiva dos jogadores presentes na Copa – principalmente de Daley Blind, que pode sair. E há no time qualquer coisa de fastio, como se os títulos sucessivos na Holanda houvessem tirado a fome de vitória. Se Frank de Boer conseguir reanimar um time bem entrosado (que só perdeu Siem de Jong como protagonista), dá para sonhar com o pentacampeonato inédito na história da Eredivisie. Se não, fica difícil.