Guia da Copa do Mundo 2018: As 11 cidades da Copa

 A Copa do Mundo é o maior evento do planeta (não, não está em discussão) e será realizado, desta vez, no maior país do globo. Maior em extensão territorial, no caso. A Rússia se tornou vencedora da disputa que tinha, entre outros, a Inglaterra e a candidatura conjunta de Espanha e Portugal – e em um processo bastante questionado, em dezembro de 2010, no mesmo dia que o Catar ganhou o direito de sediar a Copa de 2022. Os russos, então, trataram de gastar muito dinheiro em estádios e tentar promover uma Copa que seja marcante.

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Na Rússia serão 11 cidades que receberão a Copa, uma a menos que o Brasil, quatro anos antes. No Brasil você conhecia cada uma das sedes, ao menos muito mais do que em qualquer outro lugar. Então apresentamos aqui os locais que receberão o Mundial. Confira!

Moscou

O estádio Luzhniki, em Moscou (Photo by Hector Vivas/Getty Images )

A capital da Rússia terá dois estádios na Copa do Mundo. O Luzhniki será o palco da abertura e da final do Mundial, com capacidade para 81 mil pessoas. Já o Otkritie Arena, ou Estádio Spartak, tem 45.360 lugares. Até por ter dois estádios receberá o maior número de partidas. É a maior cidade do continente europeu, com 12,5 milhões de habitantes no município e 17,1 milhões considerando toda a região metropolitana.

Com tanta gente na capital russa, você pode imaginar que a cidade tem todos os grandes problemas das megalópoles pelo mundo. É uma cidade que tem muitos serviços 24 horas e um trânsito enlouquecedor. Tem um metrô gigantesco, ainda mais quando comparado ao de São Paulo, o maior do Brasil (e ainda bastante insuficiente).

O Metrô de Moscou tem 418 quilômetros de extensão (São Paulo tem 89,8 km), 13 linhas (são 5 em São Paulo) e 245 estações (79 em São Paulo). Uma estrutura magnífica de transporte que, além de tudo, ainda tem uma arquitetura fantástica, fazendo com que muitas das estações sejam tão belos quanto museus. Transporta cerca de 6,992 milhões de pessoas por dia (o de São Paulo transporta 4,5 milhões de pessoas por dia).

Segundo a BBC, Moscou é a Disneylândia para adultos. Tem a Praça Vermelha, um atrativo turístico constante com sua arquitetura chamativa. O Kremlin é um complexo fortificado habitado há dois mil anos e onde reside o presidente russo. Possui também cinco palácios e quatro catedrais. É onde funciona a sede do governo russo. É tombado pela Unesco como patrimônio mundial da humanidade.

Economicamente, é a principal cidade russa e é responsável por um quinto de todo o PIB do país. É o centro financeiro da Rússia e onde ficam as sedes da maioria das grandes empresas do país. Sua importância política e cultural é enorme, sem falar na questão histórica. História, aliás, é o que não falta também quando falamos sobre o futebol na cidade.

Estádio Spartak, em Moscou (Photo by Gabriel Rossi/Getty Images )

São seis times profissionais de futebol atualmente na capital russa: CSKA Moscou, Spartak Moscou, Lokomotiv Moscou, Dynamo Moscou, Torpedo Moscou e o menor deles, Chertanovo Moscou, fundado em 1993, fechado em 1997 e que voltou às atividades em 2014. O Spartak é o mais vencedor, com 22 títulos da liga nacional (contando o período soviético), seguido pelo CSKA Moscou com 13, Dynamo Moscou com 11, Toperdo Moscou com três e Lokomotiv Moscou com três.

O Estádio Luzhniki é um palco histórico do esporte russo. Foi usado na Olimpíada de 1980 e palco também da final da Champions League de 2008, quando o Manchester United venceu o Chelsea nos pênaltis. É uma cidade com uma larga tradição de esportes e uma alta demanda. Será a capital do mundo no mês da Copa. Já o Estádio Spartak está sendo usado – e muito! – pelo Spartak Moscou, que passa a ter uma casa para chamar de sua pela primeira vez na história. Nenhum dos dois corre qualquer risco de ser um elefante branco, pelo contrário.

São Petersburgo

Estádio de São Petersburgo (Photo by Chris Brunskill Ltd/Getty Images)

Antiga Leningrado, é uma das cidades mais importantes da Rússia. São Petersburgo é a segunda maior cidade da em habitantes, com cinco milhões de pessoas. É uma cidade litorânea, banhada pelo Mar Báltico, que foi fundada em 27 de maio de 1703. Foi construída por prisioneiros suecos. Ten uma imensa importância histórica, cultural e também econômica. Já teve três nomes ao longo da história.

Foi fundada como São Petersburgo, mas mudou o nome para Petrogrado, depois do início da Primeira Guerra Mundial, que significa “Cidade de Pedro”, para tirar as palavras alemãs Sankt e Burg. Em 1924, cinco dias após a morte de Lenin, foi renomeada para Leningrado. Após a queda da União Soviética, a cidade voltou a ser conhecida como São Petersburgo, o seu nome de fundação.

Tornou-se a capital do Império Russo em 1712 e foi até 1728, quando o imperador Pedro II mudou a capital para Moscou. Mas quatro anos depois, a sua sucessora, a imperatriz Ana levou a capital novamente para São Petersburgo, e ficou assim de 1832 até 1918. Depois da Revolução Russa, em 1917, o governo soviético mudou a capital, mais uma vez, para Moscou. A mudança foi estratégica: em setembro e outubro de 1917, os alemães atacaram a cidade, ameaçando a invasão. Foi quando o governo soviético optou por mudar a capital para Moscou, longe do acesso via oceano.

Economicamente, a cidade é fundamental para a Rússia. Primeiro, porque é um porto. Um não: são quatro portos na cidade. O Bolshoi St. Petersburgo, o Kronstadt e o Lomonosov são portos de carga, enquanto o Morskoy Vokzal é um porto para passageiros. Além do Mar Báltico, há também o rio Neva, que tem importância grande no transporte dentro da própria Rússia.

É cidade russa com maior especialização industrial em petróleo e gás natural. É onde fica a sede da Grazprom, a maior produtora e exportadora de gás natural do planeta. A cidade ainda tem importância industrial grande, com mineração, metalurgia e eletrônicos. Há diversos setores importantes da indústria por ali, como maquinário pesado de transporte e engenharia naval; química e farmacêutica; publicações impressas; indústria têxtil e até indústria alimentícia. Desde 2007, a cidade também tem se tornado um importante pólo de indústria automobilística. Toyota, Opel, Hyundai e Nissan têm fábricas na cidade.

Além de toda sua importância industrial e comercial, São Petersburgo tem uma arquitetura das mais bonitas da Rússia. Além disso, é uma cidade de muita vida noturna. O visual de São Petersburgo é algo sempre muito ressaltado por quem a visita, especialmente no verão com seus dias intermináveis – o dia amanheece ainda de madrugada e o sol só se põe à meia noite. Isso acontece de forma mais intensa que em outras cidades russas por ser a sede mais ao norte do país entre as 11 que receberão jogos da Copa.

Outra importante indústria está presente em São Petersburgo: as cervejarias. A qualidade da água da região atrai esse tipo de produção e a cidade é chamada de “capital da cerveja” da Rússia. Cerca de 30% da produção de cerveja do país fica na cidade. Isso só torna São Petersburgo ainda mais atraente para os torcedores.

São Petersburgo tem um dos times mais importantes da Rússia, o Zenit. É o clube mais antigo da cidade, fundado em 1926, conquistando três vezes o Campeonato Russo, uma Copa da Uefa, e chegou a ganhar um Campeonato Soviético. Nos tempos de União Soviética, o time não tinha a força que tem atualmente. Tanto que ganhou a liga soviética em 1984 e só voltou a repetir o título de uma liga nacional foi em 2007. Desde então, ganharam mais três títulos, em 2010, 2011/12 e 2014/15. É o principal time da cidade, já que o Dynamo Saint Petersburg está na segunda divisão.

Patrocinado pela Gazprom, o Zenit almeja ser forte também em termos europeus. É um time forte de uma grande cidade, que leva bastante público. Por isso, o projeto do novo estádio fazia sentido. Mesmo assim, é uma vergonha. O custo estimado da reforma do estádio Kretovsky é de US$ 1,1 bilhão. O estádio, com capacidade para 67 mil pessoas, será muito útil ao Zenit, mas as suspeitas de superfaturamento são enormes e alvo de muita crítica.

Sochi

Estádio de Sochi (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

A cidade que abrigará a seleção brasileira durante a Copa tem algumas características que são bem brasileiras. É um local com temperaturas altas, praias e custo alto. Lembra alguns lugares no Brasil, não é mesmo? É um lugar agradável que é visitado por pessoas com dinheiro para gastar na Rússia, com direito a resorts de luxo. É uma cidade turística, em sua essência, que, curiosamente, foi sede dos jogos de inverno em 2014, de onde se aproveitou o estádio Fisht – nome de uma montanha ali por perto. O estádio tem 48 mil lugares e receberá poucos jogos.

Sochi é considerada a capital informal da Rússia no verão. É onde os russos podem ir para a praia no sul do país e aproveitar as temperaturas quentes, próximas aos 30 graus Celsius entre julho e agosto. Sochi sempre foi conhecida pelo verão, mas desde que foi sede dos jogos de inverno, dizem os moradores, a cidade passou a ser um destino turístico para o ano inteiro.

Os hotéis próximos à orla são os mais cotados, caros e ficam lotados, enquanto os hotéis nas montanhas fazem preços promocionais e oferecem transporte aos turistas para irem à praia. No inverno, acontece o inverso: os hotéis nas montanhas é que lotam, com pessoas querendo esquiar, e os hotéis da praia fazem preços promocionais e oferecem transportes para quem quer ir às montanhas. Entre as duas altas temporadas, de verão e inverno, Sochi recebe outros eventos, como a Fórmula 1, em um contrato com a FIA até pelo menos 2020. A cidade também aposta em eventos, como conferências, festivais de música e até competições de cantores – karaokês são muito populares na Rússia. A ocupação dos hotéis é de em média 60% no ano.

Em entrevista ao Washington Post, o chefe do Departamento de Resorts e Turismo de Sochi, Sergei Domorat, disse que o investimento em Sochi trouxe resultados. Segundo ele, as atividades ligadas a resorts renderam US$ 55 milhões em impostos ao governo regional. “Os gatos com as construções da Olimpíada se justificaram”, afirmou.

As Olimpíadas de Inverno custaram a bagatela de US$ 51 bilhões, o que, claro, gerou muitas críticas. A cidade tem pouco mais de 340 mil habitantes e nenhuma tradição quando se trata de futebol. O único time profissional da cidade está com as atividades suspensas por falta de condições financeiras. Quando atuava, estava na terceira divisão, com públicos pequenos.

A estrutura do estádio tem um custo anual de manutenção de US$ 8 milhões e, por isso, pode ser um grande problema. A Federação Russa tentará amenizar o custo transformando a cidade em um centro de treinamento para as seleções russas, que se reuniriam uma vez por ano no local. Parece pouco para uma cidade sem atividades de futebol no dia a dia.

Nizhny Novgorod

Nizhny Novgorod, Russia. (Photo by Michael Regan/Getty Images)

A cidade de Nizhny tem um histórico de muitas mudanças. A começar pelo nome. De 1932 a 1990, a cidade era chamada de Gorky e foi importante fornecedor de material bélico na Segunda Guerra. Durante o período Soviético, a cidade era um importante centro automobilístico, chamado até de “Detroit Russa”. Durante a Segunda Guerra, foi alvo de ataques alemães que praticamente destruíram toda a indústria automobilística da região e a cidade teve que ser reconstruída. Ainda hoje, porém, a indústria automobilística está presente, especialmente na área de engenharia.

Atualmente, Nizhny é um dos principais centros de TI (Tecnologia da Informação) da Rússia. A Inter, por exemplo, tem um grande centro de pesquisa e desenvolvimento de software. Há 25 instituições de pesquisa e desenvolvimento científico na cidade focados em telecomunicações, física teórica e aplicada e tecnologia de rádio. A cidade tem 33 instituições de ensino superior, sendo algumas universidades importantes, focadas justamente nas áreas em que o local se especializou. O governo russo criou uma área de TI na região com descontos de impostos, algo similar ao que o Brasil faz com a Zona Franca de Manaus.

A cidade é uma das mais ricas da Rússia e é considerada uma espécie de terceira capital do país, atrás de Moscou e São Petersburgo. É uma cidade repleta de catedrais, sempre com uma arquitetura que faz viajar no tempo. O estádio Nizhny Novrogod tem capacidade para 44.899 pessoas e fica na confluência dos rios Volga e Oka, o que cria um cenário fantástico. Depois da Copa, o Olimpiyets Nizhny Novgorod irá mandar seus jogos na arena. O clube, que é da segunda divisão, espera que consiga atrair mais público, porque os seus jogos, atualmente, não chegam nem a mil pessoas. Outros esportes devem utilizar a arena para eventos, dando um pouco mais de vida a um imenso e lindo estádio, que provavelmente terá menos uso do que deveria.

Kaliningrado

Kaliningrado (Photo by Lars Baron/Getty Images)

Kaliningrado é um lugar separado da Rússia, que passou a ser seu território depois da Segunda Guerra Mundial. Foi anexado dos alemães e substituiu a antiga cidade de Königsberg. Faz fronteira com Lituânia, Polônia e Belarus. Há muitos elementos na cidade que remetem à era pré-soviética, o que torna a arquitetura, por exemplo, uma atração. O filho mais ilustre da cidade não nasceu em Kaliningrado, mas sim na chamada Königsberg: Immanuel Kant.

A economia do local é baseada em fabricação, transporte, pesca e produtos de âmbar. Uma em cada três televisões da Rússia são de Kaliningrado. A cidade também possui indústrias de acessórios da Cadillac, Hummer e BMW. O governo russo queria transformar o local em um pólo industrial, chamando de “Hong Kong Russo”, com incentivos fiscais fortes. A região cresceu de forma acelerada e faz muito comércio com os países da Comunidade Europeia. Para receber a Copa, Kaliningrado ganhou quatro novos hotéis.

Assim como em outras cidades, Kaliningrado não tem um time de alto nível para aproveitar o estádio de grande porte da Copa. O Baltika Kaliningrado é um time da segunda divisão do país, que ficou em quinto lugar na temporada que acabou recentemente. O time leva pouco mais de mil torcedores por jogo ao estádio, o que será um desafio para uma arena que terá a sua capacidade reduzida para 25 mil após a Copa. Tem um alto potencial de ser mais um elefante branco.

Ecaterimburgo

Ecaterimburgo (Photo by Harry Engels/Getty Images)

A cidade mais a leste entre as que sedia a Copa é Ecaterimburgo. São mais de 1,3 milhão de habitantes em uma cidade que fica a quase dois mil quilômetros de Moscou. A cidade foi fundada em 1723 e ganhou o nome em homenagem à esposa do então imperador Pedro II, Yekaterina. O mais notável filho da cidade é Boris Yeltsin, ex-presidente russo nos anos 1990.

Era considerada uma cidade estratégica em rotas comerciais ligando a Ásia e a Rússia. Uma das estradas mais famosas do país, a Rota Siberiana, ou Transiberiana, passa pela cidade. Durante o período soviético, a cidade foi renomeada para Sverdlovsk, voltando ao seu nome original após a queda da União Soviética.

Ecaterimburgo é um dos maiores centros econômicos na Rússia. Em termos econômicos, fica atrás apenas de Moscou e São Petersburgo. Durante décadas, a cidade tinha o foco na indústria, que respondia por cerca de 90% de toda a economia. Com a abertura econômica depois do fim da União Soviética, a cidade mudou completamente a sua economia e diversificou. Atualmente, a cidade é forte em logística, transporte, armazenagem, telecomunicações, setor financeiro e comércio atacadista e varejista. Basicamente, mudou o seu perfil de industrial para uma cidade de serviços.

O Central Stadium, ou Ekaterimburg Arena, como será chamado na Copa, tem capacidade para 35.696 pessoas, usando arquibancadas temporária, e custou US$ 215 milhões. Aliás, essa estrutura se tornou viral na internet por parecer um puxadinho mal feito, mas foi uma forma do estádio ser sustentável no pós-Copa, diminuindo a sua capacidade para 23 mil. Assim, fica adequado para o FC Ural, um time de meio de tabelo no Campeonato Russo. É, portanto, suficiente para o time.

Volgogrado

A estátua Pátria-Mãe, em Volgogrado (Photo by Harry Engels/Getty Images)

As lembranças de Volvogrado passam por um episódio sangrento da história. A cidade, que se chamava Stalingrado na época da Segunda Guerra, foi palco de uma das batalhas mais mortíferas que já se viu: a Batalha de Salingrado. No confronto entre soviéticos e alemães, cerca de um milhão de soviéticos foram mortos em seis meses de batalhas. Os alemães foram derrotados, mas o custo humano foi alto. A maior parte da cidade foi destruída. Até por isso, há um memorial de guerra na cidade.

A cidade é antiga, fundada em 1589, e tem atualmente cerca de um milhão de habitantes. É basicamente industrial e suas especializações passam por construção naval, refino de petróleo, produção de aço e alumínio, fabricação de máquinas e veículos e produção química. Há outro ponto importante na cidade: uma hidroelétrica.

Fica em Volgogrado também a maior estátua de uma mulher no mundo, chamada de “A pátria-mãe”. Foi construída em 1967 e tem 85 metros de altura do pedestal até a ponta da espada. A figura tem 52 metros, sendo 33 metros de espada. A estátua foi construída a partir da modelo Valentina Izotova, nascida na cidade. Entre as filhas mais famosas da cidade está Yelena Isinbayeva, atleta de salto com vara que se tornou uma das maiores da história na sua modalidade. O tenista Nikolay Davydenko também nasceu na cidade.

A cidade tem dois times de futebol, mas só um deles é profissional de fato: o Rotor Volgogrado, fundado em 1929. O estádio Volgograd Arena, com capacidade de 45.568 pessoas é imenso para um clube de terceira divisão, como é o time da cidade. A capacidade, porém, irá diminuir em cerca de 10 mil lugares, para cerca de 35 mil pessoas, mas ainda é grande demais para um time de um nível tão baixo – e que custou US$ 280 milhões. Esse é mais um estádio com alto potencial de elefante branco.

Kazan

A mesquita Qolsharif , em Kazan (Photo by Harry Engels/Getty Images)

Kazan é uma cidade grande com 1,1 milhão de habitantes e que fica na República do Tartaristão. Tem como principais ativos econômicos as indústrias de engenharia mecânica, química, petroquímica, energia e alimentícia. É uma cidade com alto desenvolvimento científico também, com um dos maiores parques tecnológicos da Europa. Em Kazan há também uma importante produção de aviões.

A região e seus habitantes são considerados herdeiros de Genghis Khan e possui uma visível influência asiática. Há uma importante Mesquita, que tem inscritos em russo, árabe e romano, para os visitantes do Ocidente. Da culinária à arquitetura, passando pela língua, tudo tem uma influência do Oriente em Kazan.

A cidade tem um time que é importante em tempos recentes. O Rubin Kazan irá ocupar o estádio, que foi campeão russo em 2008 e 2009. Os públicos, porém, não tem chegado a 10 mil pessoas por jogo e o estádio tem capacidade para 45.379 pessoas. O que pode impedir que o estádio de se tornar subaproveitado é que Kazan é uma cidade com muitos eventos esportivos. Resta saber se será o suficiente.

Rostov on Don

Rostov-on-Don (Photo by Sandra Montanez/Getty Images)

Rostov é uma cidade de pouco mais de um milhão de habitantes, que fica bem a oeste do país e próximo do mar negro. É uma cidade que se notabilizou pelo comércio, pela proximidade com o resto da Europa. Assim como em outros lugares da Rússia, o comércio utiliza muito do transporte por águas, usando o enorme Rio Don. Muitos comerciantes russos, italianos, gregos e turcos que tinham como mercadorias a lã, trigo e petróleo. Além disso, é um porto importante de passageiros. É uma região de agricultura como um dos seus principais pontos e produz um terço do óleo vegetal de girassol usado na Rússia.

Por ser uma cidade de rota comercial, se encontram muitos restaurantes e bares, inclusive com muitas opções de cervejas locais. Rostov é conhecida por ser uma cidade para comer e beber bem. Um dos principais pontos turísticos, que vai justamente nesse sentido, é o mercado central. No meio do mercado há uma catedral, não pergunte a razão. É o prédio que merece ser visto na cidade.

A cidade é associada aos chamados Cossacos. O governo russo trata os Cossacos como uma espécie de exército civil, usados como soldados, por exemplo, para suprimir a revolta ucraniana, país que fica ali próximo. Além disso, os cossacos servem como uma espécie de polícia da cidade. E eles foram convocados para ajudar na segurança da Copa do Mundo, incluindo um jogo da Inglaterra na cidade, que tem alto potencial de confronto de hooligans russos e ingleses.

Com custo estimado em US$ 330 milhões, a Rostov Arena tem capacidade de 45.145 pessoas e será o palco da estreia do Brasil, contra a Suíça. Depois da Copa, quem irá assumir o estádio na vida cotidiana é o Rostov, um time que fez campanha sensacional no Campeonato Russo há duas temporadas. A capacidade será reduzida para 40 mil lugares, mas ainda será um desafio manter o estádio ocupado. A média de ocupação do Rostov na última temporada, 2017/18, foi de 12.730 pessoas.

Samara

Estádio de Samara (Photo by Maddie Meyer/Getty Images)

Samara é uma cidade que traz em si um ponto curioso da realidade soviética. A cidade tinha o bunker de 1942, em caso da guerra chegasse a Moscou. E ficou perto disso. Para os fins de guerra, Samara foi considerada uma segunda capital. Não foi preciso usar, mas o bunker segue lá e se tornou algo histórico.

É uma cidade que tem elementos antigos, como construções com madeira, ao lado de prédios de negócios. Fica no meio do caminho entre uma cidade urbana e de negócios e uma cidade do interior. Há uma fábrica local de chocolate, a Rodniye Prostory, e a cidade espera ver alguns chocolates no estádio também, quem sabe.

Com uma população de 1,1 milhão de pessoas, a cidade de Samara é uma das 10 com maior produção industrial na Rússia. É famosa pela produção de veículos aeroespaciais, satélites e diversos acessórios especiais. Isso, claro, sem falar da produção de vodca e bebidas locais – que poderia ser, talvez, uma outra forma de ir ao espaço.

A Samara Arena, com capacidade para 44.807 pessoas, custou US$ 320 milhões. Quem assumirá o estádio é o Krylya Sovetov, que deixará o estádio Metallurg. O problema é que o clube, apesar de antigo e tradicional, tem sido o famoso iô-iô. Parece muito improvável que o time, ainda que consiga voltar à primeira divisão, tenha capacidade de encher o estádio.

Saransk

Saransk (Photo by Lars Baron/Getty Images)

A capital da Mordóvia é a cidade com mais cara de interior na Copa do Mundo. Foi considerada uma surpresa ter sido escolhida como uma das sedes. A cidade tem 297 mil habitantes e, bom, não é das mais atrativas para quem estará por lá. Até o sorteio parece não ter sido muito generoso com a cidade. Terá um Peru x Dinamarca, é verdade, mas também tem um Tunísia x Panamá, o que promete ser um dos jogos menos atrativos da Copa.

Mesmo a indústria na cidade não é das maiores. Produz, principalmente, cabos elétricos, produtos químicos, manufatura têxtil, comida processada e metalurgia. Há ainda duas estações térmicas de produção de energia.

A Mordovia Arena tem capacidade para 44.442 lugares, com custo total de US$ 300 milhões. Tem a vantagem de ser muito próxima ao aeroporto e tem transporte fácil de trem. Depois da Copa, a capacidade será reduzida significativamente para 28 mil lugares e o Mordovia Saransk irá passar a utilizar o estádio. O time está na terceira divisão e raramente deve encher o estádio. Até porque teve públicos na casa dos mil torcedores. Espera-se, claro, que o novo estádio leve mais pessoas a se empolgarem. A cidade também irá utilizar a estádio para mais eventos esportivos, de forma a tentar dar mais uso ao equipamento.

GUIA DA COPA 2018

Grupo A: Rússia, Uruguai, Egito e Arábia Saudita

Grupo B: Espanha, Portugal, Irã e Marrocos

Grupo C: França, Dinamarca, Peru e Austrália

Grupo D: Argentina, Croácia, Nigéria e Islândia

Grupo E: Brasil, Sérvia, Suíça e Costa Rica

Grupo F: Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul