Como foi o ciclo até a Copa 2018

A Nigéria é normalmente um moedor de técnicos e o ciclo entre a Copa do Mundo no Brasil e a Copa na Rússia não foi diferente. Depois da Copa, Stephen Keshi pediu demissão do cargo de técnico, mas voltou atrás depois da federação nigeriana renovar o seu contrato. Ficou trabalhando como uma espécie de interino dele mesmo, recebendo jogo a jogo.

A seleção fez uma campanha ruim nas Eliminatórias para a Copa Africana de Nações de 2015. O time ficou em terceiro no grupo A, atrás de África do Sul e Congo. Ficou à frente apenas do Sudão e não conseguiu uma vaga no torneio. Keshi ainda ficou no trabalho até julho de 2015, quando foi demitido, agora de forma definitiva. Foi o seu último trabalho. Em dezembro daquele ano, a sua esposa morreu. Ele morreu seis meses depois, em junho de 2016, deixando um legado.

Com a saída de Keshi, foi escolhido um novo comandante: Sunday Oliseh. O próximo desafio era, mais uma vez, as Eliminatórias para a Copa Africana de Nações, desta vez a edição 2017. Com Oliseh, a Nigéria empatou com a Tanzânia em 0 a 0, fora de casa. Depois disso, começaria a trajetória rumo à Rússia, pelas Eliminatórias da Copa. Em um jogo eliminatório, na segunda fase, enfrentou a Suazilândia nas Eliminatórias da Copa 2018, em novembro de 2015. Empate por 0 a 0 e depois vitória por 2 a 0.

O desempenho, considerando todos torneios, foi bom: 14 jogos, sendo apenas duas derrotas, com 19 gols marcados e seis sofridos. Em fevereiro de 2016, Oliseh se demitiu alegando violações de contrato, falta de apoio, salários não pagos e benefícios aos jogadores. O ex-volante e sua comissão técnica deixaram o time faltando menos de um mês para um duelo crucial com o Egito, pelas Eliminatórias da CAN.

Entrou então Samson Siasia, em fevereiro de 2016. Com ele no comando, o time enfrentou o Egito, mas só empatou. Fez ainda dois amistosos, com vitórias sobre Mali e Luxemburgo. Siasia deixou o cargo e a Nigéria voltou a ter um técnico estrangeiro depois de seis anos. Gernot Rohr, treinador alemão, assumiu os Super Águias em agosto de 2016. Com ele, o time ainda venceu a Tanzânia no último jogo das Eliminatórias para a CAN, mas já estava eliminado.

O desafio seriam as Eliminatórias da Copa. A terceira fase das Eliminatórias começou naquele segundo semestre de 2016 com o jogo contra a Zâmbia, com vitória por 2 a 1. O grupo era fortíssimo, tendo também Camarões e Argélia. Os Super Águias fizeram uma campanha excelente: em seis jogos, quatro vitórias, um empate e uma derrota. E a derrota não foi em campo. A Nigéria empatou com a Argélia por 1 a 1 fora de casa, na última rodada, mas foi punida por colocar em campo um jogador suspenso, Shehu Abdullahi. Classificou-se com tranquilidade para a Copa do Mundo e com uma rodada de antecipação.

Chega à Copa do Mundo como um dos times africanos com mais experiência e tentará repetir o desempenho de 2014, quando chegou às oitavas de final.

Como joga

O time comandado por Gernot Rohr joga normalmente em um 4-3-3. O meio-campo é de muita força: Mikel John Obi é o capitão do time, com Ogenyi Onazi e Wilfred Ndidi como parceiros de setor. Mikel é quem mais chega à frente. O ataque é onde reside a maior qualidade dos Super Águias, com Alex Iwobi, Victor Moses e Odion Ighalo. E ainda tem opções como Ahmed Musa e Kelechi Iheanacho.

Os problemas do técnico estão do meio-campo para trás. Se no ataque sobra experiência e talento, na defesa falta especialmente mais rodagem. O titular no gol nas Eliminatórias foi Ikechukwu Ezenwa, do Enyimba, de 29 anos, sem experiência internacional no futebol de clubes. Algumas falhas do goleiro fizeram torcedores pedirem a volta do experiente Vincent Enyeama, mas o técnico o manteve como titular. Quem é cotado para começar na Copa é Francis Uhozo, de 19 anos, que mal jogou pelo Deportivo La Coruña – e tem só cinco jogos pela seleção nigeriana, mas é visto como um talento. Titular em boa parte das Eliminatórias, Carl Ikeme deixou as convocações desde julho, ao descobrir uma leucemia.

O grande trunfo do time é o conjunto, segundo o seu técnico. O time é mais disciplinado e ele diz que não há talentos como de Jay Jay Okocha, que podem resolver a partida em um lance, mas tem um espírito coletivo. Apesar da ideia do time ser de um jogo coletivo, dependerá muito de dois dos seus principais jogadores: Mikel na construção a partir da saída de bola no meio-campo e Moses por sua força pelas pontas.

Time-base: Ikechukwu Ezenwa; Shehu Abdullahi, William Troost-Ekong, Leon Balogun e Bryan Idowu; Wilfred Ndidi, Ogenbyi Onazi e Mikel Obi John; Alex Iwobi, Victor Moses e Odion Ighalo. Técnico: Gernot Rohr

O dono do time

Victor Moses

Victor Moses, da Nigéria (Photo by Catherine Ivill/Getty Images)

A vida de Moses em clubes tem sido errática nos últimos anos. O atacante de 27 anos foi para a Copa 2014 como jogador do Liverpool, emprestado. Ao voltar do Mundial, foi emprestado pelo Chelsea ao Stoke City por uma temporada, depois ao West Ham. Na temporada 2016/17, voltou ao Chelsea e, desta vez, foi aproveitado pelo treinador Antonio Conte. Tornou-se uma parte importante do time que jogou em um 3-4-3 e foi um ala pela direita. Aliou à sua velocidade boa capacidade de marcação e posicionamento, algo que Conte faz muita questão em seus times.

Pela seleção, segue como um atacante pelas pontas, sempre com muita velocidade. É o principal jogador do ataque da Nigéria, criando jogadas e finalizando. É o atleta em melhor fase no ataque, podendo causar estragos com a sua força física e capacidade de correr com a bola.

No Chelsea, sua capacidade de finalização não é tão exigida, mas nos Super Águias é mais comum vê-lo sendo também quem chuta a gol. Odion Ighalo é o centroavante, mas a sua capacidade de movimentação e abrir espaços, o que é positivo para os jogadores de lado de campo. Além disso, Moses chega à Copa do Mundo na melhor fase da sua carreira.

O coadjuvante

John Obi Mikel

Mikel, camisa 10 e capitão da Nigéria (Photo by Clive Rose/Getty Images)

O capitão do time, John Obi Mikel tem um papel crucial para que os jogadores de frente consigam exercer sua velocidade e capacidade de dribles. Como seus parceiros de meio-campo, Ndidi e Onazi, são muito bons marcadores, mas têm problemas em trabalhar com a bola para levá-la ao ataque, Mikel é a peça mais importante para que o time tenha capacidade de chegar à frente com velocidade e precisão nos passes.

Em termos de clubes, Mikel deixou o Chelsea em 2017, onde mal jogava, para atuar pelo Tianjin Teda, da China. Apesar do seu nível em clubes não estar no mais alto, como já foi, ele seguiu como um jogador crucial para a Nigéria. Faltam opções com sua característica no elenco, além de ser uma grande liderança do time. Mikel pode não ser um craque como era Jay Jay Okocha, que vestiu a camisa 10 há 20 anos na Copa do Mundo na França, mas é um líder e tem importância enorme para a equipe.

Fique de olho

Chidozie Awazien

O zagueiro de 21 anos tem seus direitos ligados ao Porto, mas esteve emprestado ao Nantes na última temporada. Se tornou titular do time comandado por Claudio Ranieri. Fez 23 partidas, sendo 16 delas como titular, e se tornou um jogador importante na equipe, que terminou em nono lugar. Ainda é jovem e é provável que seja reserva na Rússia, mas é visto como alguém com potencial para brilhar. Em uma defesa que ainda não convenceu, ele pode brigar por uma vaga entre os 11 e tornar-se um nome para muitos anos de serviços na Nigéria.

Personagem

Bryan Idowu

Bryan Idowu, da Nigéria (Photo by Catherine Ivill/Getty Images)

Na Copa do Mundo, Idowu se sentirá em casa. Russo de nascimento, nigeriano de coração. Bryan Idowu nasceu em São Petersburgo, filho de um pai nigeriano e mãe cidadã nigeriana e russa, o que o tornou também russo. Era um estudante promissor, que gostava de poesia. Ele não se considerava nigeriano quando criança. Ele, como as crianças com quem cresceu, sonhava em ser jogador e defender o Zenit, o maior time da cidade. Em 1999, foi para a base do clube, um passo em direção à realização do sonho. Mas o que viveria lá mudou a sua vida.

Um torcedor do Zenit uma vez o viu com o uniforme do clube e deixou o racismo escancarado. “Não há preto nas cores do Zenit. O que está acontecendo aí e por que você está com o uniforme?”, disse a ele o torcedor. “Meu amigo ficou mais nervoso que eu”, contou Idowu. “Eu só respondi com um sorriso”. Alguns torcedores queriam que ele fosse o primeiro jogador negro do Zenit, mas isso não passou nem perto de acontecer.

“As coisas nunca foram além de treinos com os times de base”, contou Idowu ao site do Amkar Perm, em 2015. “Então, me foi dito que com a cor da minha pele, o caminho para o time principal era inviável. O motivo era os torcedores, que não gostam de jogadores negros”. Foi a primeira vez que ele percebeu que a cor da sua pele poderia ser um problema. Sentiu pela primeira vez os efeitos do racismo.

“No Ensino Médio, eu não pensava com frequência nessas questões [racismo], mas quando eu fiquei mais velho, eu fiquei sabendo sobre os skinheads, mas eu não tinha contato frequente com eles. Um dia, porém, no metrô, meu amigo viu um grupo deles e gritou para mim: ‘corra!’. Meus pais estavam sempre preocupados sobre isso e eu não podia me movimentar livremente pela cidade”, contou Idowu.

Sem chances no Zenit, sabendo que jamais jogaria pelo time principal, ele deixou o clube e, aos 18 anos, chegou ao Amkar Perm. Dois anos depois, estava atuando pelo time principal. Antes, na temporada 2013/14, foi emprestado ao Dynamo São Petersburgo, na sua cidade natal, para ganhar experiência. Em 2014/15, ganhou mais espaço no Amkar e se tornou um titular regular da equipe. Ele chegou a atuar no estádio Petrovsky e, para sua surpresa, foi bem recepcionado pelos torcedores. “Aparentemente, eles lembraram que eu era de São Petersburgo”, disse ele ao site do Amkar, na época.

Sabendo da regra de 6+5, que exige que os clubes russos levem a campo ao menos cinco jogadores que sejam elegíveis pelo Campeonato Russo, Idowu temia que se aceitasse a convocação da Nigéria, perderia espaço no time. Por isso, demorou mais de um ano para dizer sim ao técnico Gernot Rohr, mas finalmente estreou pelos Super Águias em 2017. Curiosamente, estreou pela Nigéria atuando na Rússia, em Krasnodar, em amistoso contra a Argentina.

Idowu é visto como alguém para ajudar a combater o racismo na Rússia. Ele mesmo, por ser um negro crescendo e vivendo no país, sentiu muito na pele. Ele contou à Associated Press que era frequentemente revistado pela polícia, a ponto de ele e um amigo fazerem aposta para saber quem deles dois seria revistado naquele dia, no metrô. Ele diz, porém, que as coisas mudaram nos últimos anos.

“Realmente mudou fortemente”, afirmou Idowo. “Russos falam com amigos de outros países e eles vão ao exterior mais vezes e encontram pessoas lá, e eles ficam mais positivos. A Copa do Mundo ajudará nisso”.

Será uma situação curiosa para Idowo jogar pela Nigéria em um ambiente tão familiar para ele, em um país que é, de fato, a sua casa desde criança.

Técnico

Gernot Rohr

Gernot Rohr, técnico da Nigéria (Photo by Dan Mullan/Getty Images)

O experiente técnico alemão tem 64 anos e foi jogador de futebol. Iniciou a carreira no Bayern de Munique, em 1972, mas pouco jogou pela equipe. Esteve no Waldorf Mannheim e no Kickers Offenbach antes de chegar ao Bordeaux, da França, em 1977. Foi onde passou a maior parte da sua carreira, pendurando as chuteiras atuando pelo clube, em 1989. Foi lá mesmo que iniciou a sua carreira como treinador.

Depois de passar por Créteil, Nice, Young Boys (da Suíça) e Ajaccio (de volta à França), ele foi para o Étoile du Sahel, na Tunísia, seu primeiro trabalho na África, na temporada 2008/09. Ainda dirigiria o Nantes antes de voltar a trabalhar no continente, desta vez no seu primeiro trabalho por seleções, o Gabão, em 2010. Em 2012, assumiu a seleção do Níger e, em 2015 foi técnico de Burkina Faso. Foi contratado pela Nigéria depois dos Super Águias trocarem demais de treinador desde o fim da Copa de 2014.

Na Nigéria, conseguiu dar consistência ao time, que sentia falta de uma organização maior. Embora tenha jogadores talentosos, os nigerianos veem a equipe como muito distante dos melhores tempos, como foi em 1998, na França, quando tinha diversos talentos que brilharam na Europa. O papel de Rohr foi fazer o time ser mais solidário e terá uma dura missão na Rússia, em um grupo muito difícil. Se conseguir fazer os Super Águias avançarem às oitavas de final, será um grande feito.

Uma história da seleção em Copas

Jay Jay Okocha, camisa 10 da Nigéria na Copa 1994 (Foto: Shaun Botterill)

A estreia da Nigéria na Copa do Mundo foi há 24 anos, em 1994. E foi uma senhora estreia. Então campeã africana, tendo vencido a CAN em fevereiro daquele ano, a Nigéria chegou à Copa do Mundo como quinta colocada no ranking da Fifa – posição mais alta já ocupada por um país africano. Foi sorteada para o Grupo D, junto com Argentina, Grécia e Bulgária.

Os jogadores eram conhecidos do público da Europa e ficariam na eternidade como lendas. Finidi George era jogador do Ajax e foi um titular importante da conquista do último título europeu do clube holandês, um ano depois da Copa, em 1995; Rashidi Yekini, centroavante, que atuava pelo Vitória de Setúbal, em Portugal; Stephen Keshi, capitão do time, zagueiro que era do Molenbeek, da Bélgica, e ficaria marcado como técnico depois; Jay-Jay Okocha, um mágico com a bola, que era do Eintracht Frankfurt; Daniel Amokachi, rápido como uma flecha, atacante do Club Brugge; Sunday Oliseh, volante do Liège; Viktor Ikpeba, atacante do Monaco; entre outros.

A estreia foi marcante. Diante da Bulgária, um 3 a 0 impecável, com gols de Yekini, Amokachi e Amunike no estádio Cotton Bowl, em Dallas. O gol de Yekini é até hoje lembrado por uma das comemorações mais marcantes da história das Copas. Ele completou um cruzamento de Finidi e, com a bola lá dentro, usou as duas mãos para agarrar a rede e balançar. O impacto dos Super Águias foi imediato.

Contra a Argentina, a principal força do grupo, a Nigéria não foi páreo. Perdeu por 2 a 1 do time de Diego Maradona, dois gols de Caniggia para os sul-americanos, gol de Samson Siasia para os nigerianos – outro que seria técnico da seleção do país anos mais tarde. Foi o último jogo de Maradona em Copas, já que foi exatamente nesse jogo que o antidoping aconteceu e ele foi banido da competição por uso de efedrina.

No último jogo da fase de grupos, os nigerianos venceram a Grécia por 2 a 0, com gols de Finidi e Amokachi e, mais do que se classificar, ainda ficaram em primeiro lugar no grupo. Um orgulho, mas que também acabou sendo um peso. Nas oitavas de final, a equipe africana se deparou com a Itália, que vinha de uma primeira fase muito fraca. Ainda era a Itália, porém.

A Nigéria pareceu fazer o suficiente para avançar. Vencia com um gol de Amunike até os 43 minutos do segundo tempo. A Itália, do técnico Arrigo Sacchi, mais uma vez protagonizava um jogo sofrível e parecia que desta vez não sobreviveria. Mas bastou à Azzurra ter Roberto Baggio. O então melhor jogador do mundo empatou o jogo, a dois minutos do fim do tempo regulamentar, e levou a partida para a prorrogação no estádio Foxboro, na região metropolitana de Boston. No tempo extra, Baggio voltou a marcar, aos 12 minutos do primeiro tempo, e classificou a Itália às quartas de final.

A Nigéria encerrava a sua trajetória de estreia na Copa do Mundo quase tirando a tricampeã da disputa. Deixou uma boa impressão, que se confirmaria nos anos seguintes. Aquela geração se tornou icônica, conseguiria mais feitos nos anos seguintes e marcaria a lembrança de torcedores eternamente.

Participações em Copas: 5 (1994, 1998, 2002, 2010, 2014)
Melhor resultado:
Oitavas de final (1994, 1998, 2014)

Como o futebol explica o país

Quando falamos da instabilidade que a seleção nigeriana tem em seu comando, não dá para separar do que é o país, em termos políticos. A Nigéria é um gigante africano em vários sentidos, a começar pela população. São 186 milhões de habitantes e uma área de 923.768 quilômetros quadrados. Para efeito de comparação, o Reino Unido tem 242.495 quilômetros quadrados. É um país dividido em vários aspectos, como o religioso. Há muitos muçulmanos e muitos cristãos.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, foi eleito em 2015 em uma disputa histórica em que a oposição ganhou, pela primeira vez, uma eleição presidencial. Ex-militar, ele tem uma história controversa na política do país. Em 1983, ele ajudou a derrubar Shehu Shagari, presidente eleito da época, e, então como general do exército, comandou o país em um governo que buscava, segundo ele, combater o crime e a corrupção. Acusações de abuso de poder e violações de direitos humanos pesaram contra ele e, em 1985, outro general do exército, Ibrahnim Babangida, tomou o poder.

Essa instabilidade é algo corriqueiro desde a dominação dos europeus no território. Na década de 1850, os britânicos se estabeleceram na região de Lagos e criaram o Protetorado da Nigéria. A independência veio em 1960, comandada pelo Primeiro Ministro Sir Abubakar Tawafa Balewa. Ele foi morto seis anos depois, em 1966, em um golpe de Estado. Um ano depois, em 1967, explodiu uma guerra civil quando três estados tentaram se separar do país, criando a República de Biafra.

Quando Buhari toma o poder em um outro golpe em 1983, foi só o primeiro de uma série de golpes que viriam nos anos seguintes. O país só volta a conseguir ter uma eleição para o legislativo e executivo em 1999. Curiosamente, Buhari retoma o poder em um momento que a democracia parece mais estabelecida no país. Mas os problemas econômicos e sociais seguem sendo grandes, causando uma instabilidade grande.

Com tudo isso, dá para entender melhor como a Nigerian Football Federation (NFF) é uma entidade tão instável, que consegue ter seis técnicos da seleção entre uma Copa do Mundo e outra. E um episódio durante esse ciclo de Copa mostra um pouco sobre a questão de lideranças e autoridade no país, o que levou o goleiro Vincent Enyeama a se aposentar da seleção.

A mãe de Enyeama tinha falecido, ainda em 2015, quando o técnico da Nigéria era Sunday Oliseh. Por causa disso, ele chegou mais tarde na concentração da seleção, na Bélgica. Oliseh entendeu e aceitou que ele chegasse um dia depois dos outros jogadores, como pedido por ele. Só que em uma reunião, Oliseh tirou a braçadeira de capitão do goleiro, então com 33 anos, e anunciou que o novo dono seria Ahmed Musa. Isso enfureceu Enyeama, que se levantou para falar e reclamou da decisão, dizendo que ele era o capitão, não Musa. A discussão com o técnico foi forte, a ponto de jogadores terem que segurar o goleiro. Oliseh exigiu que o goleiro pedisse desculpas, mas Enyeama se recusou. O técnico mandou que o goleiro fosse retirado da sala.

Naquele mesmo dia, alguns dos principais jogadores do elenco da Nigéria, Mikel, Onazi, Musa, Echiejile e Emenike, foram até o quarto de Oliseh interceder por Enyeama. O presidente da Federação Nigeriana de Futebol, Amanju Pinnick, ligou para o técnico para falar sobre o assunto. Até mesmo alguns políticos falaram com Oliseh, tentando resolver a questão. Nunca se resolveu. Enyeama não voltaria mais a vestir a camisa da seleção nigeriana. Um ídolo do time, ele se disse desrespeitado pelo técnico. Desde então, o técnico já mudou e a Nigéria vai para a Copa provavelmente com um goleiro novato como titular.

Jogos na Copa

Sábado, 16/06 – 16h – Croácia x Nigéria

Sexta-feira, 22/06 – 12h – Nigéria x Islândia

Terça-feira, 26/06 – 15h – Argentina x Nigéria

Ficha técnica

Guia da Copa 2018 – Nigéria
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