Guia da Premier League 2016/17: time a time, quem vai brigar pelo que

A Premier League é a primeira das grandes ligas a voltar, junto com a Ligue 1. Nesta temporada, em particular, a liga chega cercada de expectativas diante do fortalecimento dos clubes ingleses pelo novo acordo de encheu os bolsos de cada um dos participantes da liga, além de termos os confrontos de alguns dos técnicos mais badalados do mundo. Grandes craques, técnicos renomados, muitos jogos e promessa da ESPN, detentora exclusiva dos direitos de transmissão no Brasil, que todos os jogos serão exibidos ao vivo, seja na TV, seja no site através do Watch ESPN.

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Diante de tamanha expectativa pelo início da liga, que já era muito badalada, trouxemos uma análise time por time, separados em três grupos. O primeiro é BRIGA NO ALTO, times que brigam pelas primeiras posições na tabela, seja título ou ficar entre os classificados à Champions League. Este, claro, é o grupo mais badalado de times.

Tem também os ISENTÕES, aqueles que almejam ficar ali, naquele meio de tabela confortável, com alguns deles sonhando até com uma vaguinha em Liga Europa, quem sabe (apesar dos ingleses darem de ombros depois de classificarem).

Por fim, temos o SALVE-SE QUEM PUDER, que, como o nome já indica, é aquele grupo que pensa nos pontos para sobreviver na primeira divisão. Para estes, chegar a 40 pontos é um sonho dourado. Então, vamos lá. Aproveite, critique e participe com a gente. A temporada está só começando.

BRIGA PELA COROA
Arsenal
Alexis Sánchez, do Arsenal, comemora (AP Photo/Matt Dunham)

Alexis Sánchez, do Arsenal, comemora (AP Photo/Matt Dunham)

O Arsenal é o time mais consistente de toda a Premier League. Desde que Arsène Wenger chegou ao clube, em 1996, o time termina sempre entre os quatro primeiros colocados na tabela. Nunca os Gunners terminaram abaixo do quarto lugar com o técnico francês. Só que isso se tornou pouco: os torcedores querem o título, que não vem desde 2004. E a temporada passada era a oportunidade perfeita, com todos os grandes rivais em má fase. Só que veio o fenômeno Leicester.

O time é forte, competitivo e entrosado, considerando que não perdeu peças-chave. Confia no excelente Alexis Sánchez, um dos melhores da última temporada pelo time, tem em Ramsey um jogador importante. Ainda trouxe Granit Xhaka, um jogador de ótimos recursos técnicos, 23 anos de idade, com potencial para se tornar um titular importante. O problema é justamente que não trouxe ninguém de alto calibre para suas posições carentes. Segue com um ataque questionável com Olivier Giroud como principal centroavante.

O time trouxe duas apostas para posições carentes: Rob Holding para a zaga, que veio do Bolton, e Takuma Asano, japonês que vem do Sanfreece Hiroshima. Com isso, mesmo o time estando melhor, a brigar para manter o retrospecto e ficar entre os quatro primeiros deve ser ainda mais dura. Pensando no título, que é o grande objetivo – ou deveria ser -, mais ainda.

Chelsea
Fàbregas, do Chelsea (AP Photo/Frank Augstein)

Fàbregas, do Chelsea (AP Photo/Frank Augstein)

O Chelsea não tem muito como piorar em relação à temporada passada. O primeiro semestre muito ruim sob o comando do ídolo José Mourinho fez o time, então campeão, a ficar quase na zona do rebaixamento. Foi uma temporada para esquecer. Então, o time começou bem: trouxe Antonio Conte para remontar a equipe.

N’Golo Kanté foi o principal reforço até aqui, trazendo um grande ganho ao meio-campo. O belga Michy Batshuayi é uma aposta excelente. Aliás, ajuda a cobrir uma área importante do time, que não rendeu como esperado: o ataque. Diego Costa, aliás, que foi uma decepção na temporada passada, deve perder espaço. A especulação é que ele deixe o clube.

O Chelsea chega para brigar pelo título. Tem elenco, com boas opções, e nomes que podem resolver. Eden Hazard, apesar da última temporada apagada, pode ser decisivo. Willian já mostrou seu valor. Há diversos ótimos jogadores que, tornados em um time, podem ser de novo competitivos pela ponta da tabela. É o que o torcedor do Chelsea espera.

Leicester
Jamie Vardy, do Leicester (AP Photo/Matt Dunham)

Jamie Vardy, do Leicester (AP Photo/Matt Dunham)

Falar do Leicester é uma missão difícil. O time saiu de candidato a rebaixamento ao título na temporada passada. Claudio Ranieri tentou manter a base do time e a verdade é que conseguiu. Kanté deixou o clube rumo ao Chelsea, mas Vardy e Mahrez ficaram, ao menos até agora. Mantém um time que foi muito forte para novamente tentar o milagre.

Incrivelmente, o time melhorou, mas a tendência é que tenha um desempenho, em termos de resultado, pior. O time tem bons reforços para encarar a temporada. Ahmed Musa, um atacante que mostrou seu valor na pré-temporada; Nampalys Mendy, volante que veio do Nice tentando repetir o sucesso de Kanté, mas é uma aposta; Bartosz Kaputska, jovem de 19 anos que fez uma boa Eurocopa; Ron-Robert Zieler, bom goleiro do Hannover, que chega para ser reserva; e Luis Hernández, zagueiro que veio do Sporting Gijón, contratado sem custos.

O time é, em tese, melhor do que o da temporada passada. O problema é que terá adversários mais fortes, mais preparados, reforçados e não terá mais o fator surpresa. A tendência é que fique bem longe do título. Mas o Leicester se mostrou capaz de encarar o improvável na temporada passada.

Liverpool
Coutinho e Firmino, brasileiros do Liverpool (AP Photo/Jon Super)

Coutinho e Firmino, brasileiros do Liverpool (AP Photo/Jon Super)

Assim como o Chelsea, será difícil o Liverpool piorar em relação à temporada passada. O time ficou em uma posição só intermediária e muito aquém do que poderia. Era um time para brigar por vaga na Champions League, mas não ficou nem perto disso. O oitavo lugar é pouco, ainda mais com times como West Ham e Southampton à frente. Há esperança de uma melhora.

Será a primeira temporada que o time começa sob o comando de Jürgen Klopp. Vieram bons reforços, como Sadio Mané e Georginio Wijnaldum. Ragnar Klavan e Joel Matip chegaram por um baixo custo para tentar resolver os problemas defensivos do time. Ainda falta um centroavante confiável, uma vez que Benteke não foi o que se esperava dele.

Falar em título é difícil porque os elencos de Manchester United, Manchester City e Chelsea parecem melhores, com mais jogadores com capacidade de decisão. O Liverpool de Klopp terá que ser um Dortmund, só que em vez de um, lutará com outros três Bayerns. Uma tarefa ingrata. O time é melhor do que o que começou a temporada passada. O resultado precisa ser melhor.

Manchester City
Agüero beija a bola da Premier League

Agüero beija a bola da Premier League

Um dos grandes times a ser assistido nesta temporada. Teve um desempenho irregular que o fez ficar fora da disputa pelo título, o que os torcedores esperam que não aconteça sob o comando de Pep Guardiola. O técnico é a principal melhora do time. Com o catalão, o clube quer acelerar o processo de tornar o time mais envolvente, mais parecido com os times que o treinador comanda. O desafio será fazer isso na intensidade que às vezes se torna uma correria desenfreada na Premier League.

Os Citizens se reforçaram com jogadores que fazem toda diferença para o estilo Guardiola. Leroy Sané veio do Schalke, com juventude, habilidade e potencial para ser um dos melhores jogadores de lado do campo da liga. Ilkay Gündogan é um meio-campista que dá ritmo; Stones chegou por uma fortuna para tentar dar mais qualidade à zaga, além de ser um jogador de futuro; Nolito é um atacante experiente que pode ajudar a fazer de Agüero ainda mais artilheiro.

Com tudo isso, a expectativa, claro, é que o Manchester City brigue pelo título. Só ficar na região da Champions League, com todo o investimento e toda a expectativa que se tem em cima de Guardiola, é pouco. Veremos como o time lida com essa pressão, que será também deles mesmos – e do técnico, um dos mais exigentes do mundo.

Manchester United

Pogba Man Utd

A temporada foi tão decepcionante que o Manchester United tem a obrigação de fazer melhor. A contratação milionária de Anthony Martial foi a que mais rendeu na temporada passada e, considerando o potencial do francês, deve continuar sendo um dos grandes jogadores do time. Só que os demais ficaram devendo. É hora de render mais. E, por isso, foi preciso começar uma mudança em diversos setores.

O time melhorou, a começar pelo técnico. Louis van Gaal saiu, entrou José Mourinho. Com ele, o pacote de reforços Mino Raiola: Zlatan Ibrahimovic, Henrikh Mkhitaryan e Paul Pogba. Três nomes de peso que fazem o time muito mais forte, com opções importantes. Além deles, veio também Eric Bailly, um zagueiro, uma necessidade que o time já tinha.

As contratações foram uma forma do Manchester United, um dos clubes mais bem-sucedidos nas últimas duas décadas, mandar um recado ao mundo sobre a sua força, apesar de adormecida desde a aposentadoria de Alex Ferguson. Este é o principal desafio do time. Por isso, a expectativa só pode ser uma: estar no topo da tabela. Ao menos, brigar até o fim por isso.

Tottenham
Harry Kane, do Tottenham (AP Photo/Frank Augstein)

Harry Kane, do Tottenham (AP Photo/Frank Augstein)

A temporada fantástica sob o comando do técnico Mauricio Pochettino levou os Spurs à terceira colocação da Premier League. A temporada foi incrível e o time sonhou com o título até o final. Viu a recuperação de alguns dos seus jogadores, como Erik Lamela. Viu Harry Kane se consolidar como um dos principais jogadores ingleses da atualidade. Vai à Champions League e começa a nova temporada com a missão de manter o desempenho. Um desafio complicado. Com a concorrência mais forte, ficar entre os quatro primeiros nesta temporada tende a ser mais difícil do que ser o vice-campeão na passada. Ao menos é o que se espera.

O time se reforçou pouco. Trouxe o atacante Vincent Janssen, do AZ, artilheiro do Campeonato Holandês. Uma aposta, de 22 anos, para tentar dar mais poder ofensivo ao time. Vestirá a camisa 9 e deve ser uma opção importante, mas é uma aposta.

Veio também Victor Wanyama, volante do Southampton, para dar mais opções ao setor. Mas foi só isso. O time não perdeu ninguém, mas como os adversários melhoraram, a tendência é que o time seja menos forte. Brigar por Champions League tem que ser o objetivo. Além, claro, de fazer um bom papel na competição continental, quem sabe repetir o papel que fez na última vez ao chegar às quartas de final.

ISENTÕES
West Ham
West Ham estreia seu novo estádio

West Ham estreia seu novo estádio

Uma das boas surpresas da temporada passada ao acabar em sétimo, depois de brigar por vaga na Champions, o time do técnico Slaven Bilic vem animado para mais uma temporada. Uma das motivações será o novo estádio: os Hammers adotaram o estádio olímpico, sua nova casa, com mais torcedores e que promete ser um caldeirão. André Ayew chega como principal reforço, mas Sofiane Feghouli também merece destaque. E pode ter mais. O time promete brigar por vaga em competições europeias.

Southampton

O time de meio de tabela acabou na frente de grandes como o Liverpool e o desafio para a temporada é fazer o mesmo. Claude Puel foi o técnico escolhido para substituir Ronald Koeman. Trouxe Pierre-Emile Höjbjerg, do Bayern, um bom jogador, promissor, por apenas € 15 milhões. O time perdeu alguns jogadores importantes e terá que brigar muito para manter a posição no meio da tabela, não só sem sustos, como ainda beliscando uma eventual vaga na Liga Europa.

Stoke

Um dos bons times na temporada passada sob o comando de Mark Hughes, o Stoke tentará manter-se na metade de cima da tabela. Tem talento para isso e um técnico que conseguiu mudar completamente o estilo do time para torna-lo perigoso para praticamente qualquer adversário. Entre os reforços, o principal é Joe Allen, que vem do Liverpool para ser um pilar no meio-campo. A expectativa é que o time continue fazendo do Britannia Stadium um lugar complicado até para os grandes e usar o talento de Imbula, Shaqiri, Arnautovic e até de Bojan.

Swansea

Depois de algumas temporadas estável na Premier League, o Swansea ficou ameaçado pelo rebaixamento no último ano. O técnico Gary Monk foi demitido. Francesco Guidolin, contratado no meio da temporada passada, terá a missão de conduzir o time de volta ao desejado meio de tabela. As duas principais contratações do time foram Leroy Fer, que veio do Queens Park Rangers, e Fernando Llorente, do Sevilla. Chegam para dar força ofensiva à equipe e voltar a ameaçar.

Everton
Ashley Williams foi contratado pelo Everton

Ashley Williams foi contratado pelo Everton

O time trouxe Ronald Koeman para o lugar de Roberto Martínez, que fez péssima temporada. É difícil piorar, então a expectativa do Everton é brigar na metade de cima da tabela por uma vaga em competições europeias. O problema é a perda de bons jogadores. John Stones foi para o Manchester City e Romelu Lukaku pode sair. Vieram Idrissa Gueye, do Aston Villa, e o goleiro Maarten Stekelenburg, do Fulham, que substitui Tim Howard. O americano voltou à MLS, no Colorado Rapids. Veio também Ashley Williams, do Swansea, capitão de Gales. Koeman precisará fazer o que fez no Southampton: muito com pouco. No popular: tirar leite de pedra. O time é para o meio da tabela mesmo.

West Bromwich

Na última temporada o West Brom conseguiu ficar na 14ª posição, escapando do rebaixamento de forma relativamente tranquila. O técnico Tony Pulis, com seu estilo inglês clássico, manteve o time na primeira divisão. A missão é continuar lá e, de repente, conseguir uns lugares acima na tabela para não correr novo risco de rebaixamento. O reforço do time até aqui é modesto: Matt Phillips, do Quens Park Rangers. Será uma missão difícil e o time precisa entrar na Premier League já de sinal amarelo.

Watford

A missão do ano passado era sobreviver na Premier League. Objetivo alcançado. Agora, a missão é ir além. Além de sobreviver, conseguir um lugarzinho confortável ali no meio da tabela, sem sustos e sem riscos. Para esta temporada, o time trouxe o técnico italiano Walter Mazzarri, ex-Napoli e Inter, para tentar manter o time em uma boa posição. Para isso, foram contratados Isaac Success, de 20 anos, do Granada. O técnico trouxe também Camilo Zúñiga, do Napoli, por empréstimo. O meio da tabela é possível. Mas é bom primeiro garantir os pontos para não cair, só por garantia.

SALVE-SE QUEM PUDER
Bournemouth

A primeira temporada na primeira divisão é sempre muito difícil. Afinal, como dizem, chegar é difícil, mas manter-se é mais ainda. O Bournemouth sobreviveu, graças também ao bom trabalho do jovem treinador Eddie Howe. Para sobreviver mais um ano, o clube contratou Jordan Ibe, 20 anos, que surgiu no Liverpool e chega como alguém para ajudar a ganhar alguns pontos. A missão de sobrevivência tende a ser novamente muito dura para o clube.

Middlesbrough
Álvaro Negredo foi contratado pelo Middlesbrough

Álvaro Negredo foi contratado pelo Middlesbrough

Dos times que subiram à primeira divisão, é certamente o que melhor se reforçou. O objetivo do time é ficar na Premier League e não voltar tão cedo para a segundona, então abriu o cofre: trouxe Marten de Roon, da Atalanta, Viktor Fischer, do Ajax, Antonio Barragán, do Valencia, Victor Valdés, do Manchester United, Gastón Ramirez, do Southampton, Brad Guzan, do Aston Villa, além de Álvaro Negredo, outro que vem do Valencia por empréstimo. O objetivo é sobreviver e, com esses reforços, parece uma missão plausível.

Burnley

Vindo da segunda divisão, o Burnley é o que podemos dizer de um time iô-iô. Caiu, voltou em seguida, mas já chega à primeira divisão precisando tomar muito cuidado para não ser empurrado de volta ao andar de baixo. A segundona inglesa é dura, mas a Premier League é coisa séria. O time trouxe Johann Berg Gudmundsson, islandês que fez boa campanha na Eurocopa e jogava no Charlton. Veio também Flanagan, lateral do Liverpool, por empréstimo. Parece pouco para se manter na primeira divisão.

Crystal Palace

O técnico Alan Pardew comandou o time em uma campanha histórica na Copa da Inglaterra, chegando até a final contra o Manchester United. Certamente um momento que os torcedores do time terão na memória. Só que na Premier League, a situação foi mais tensa. O time ficou em 15º, escapou do rebaixamento, mas agora a ideia é não passar tanto sufoco. Trouxe o goleiro Steve Mandanda, experiente, além de James Tonkins para a zaga e Andros Townsend para o meio-campo ofensivo. Poucos reforços, mas se Pardew conseguir fazer o time repetir os bons momentos da última temporada com mais frequência, a missão é possível.

Hull City

O time vem da segunda divisão, mas já começa com problemas. Perdeu o técnico Steve Bruce no começo da temporada. Mike Phelan está interinamente no comando e parece que será ele o técnico neste começo de temporada. Além disso, o clube não contratações, ou seja, o time continua o mesmo da época da segundona. Se não se reforçar até o fim da janela de transferências, terá dificuldade de aguentar o tranco da Premier League. Conta com Abel Hernández para fazer os seus gols. O problema é que a crise gigantesca que o time vive pode não só decretar o rebaixamento, como fazer com que isso aconteça de forma dramática.

Sunderland

O namoro do Sunderland com a segundona não é de hoje. Por isso, o time passa por uma reformulação. Trouxe o técnico David Moyes, depois da saída de Sam Allardyce, e uma campanha em que o time sobreviveu por um triz – ficou em 17º, uma posição acima do Newcastle, que foi rebaixado. Além do novo técnico, o time trouxe o zagueiro Papy Djilobodji, que veio do Chelsea. Ainda é pouco, considerando que o time que atuou na última Premier League não convenceu. Por isso, a missão será novamente passar o sarrafo de pontos para sobreviver. Esperar mais do que isso parece um pouco demais.

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