Está chegando a hora. Neste sábado, a Serie A 2015-16 terá início, após cerca de três meses de pausa entre uma temporada e outra. Os jogos de sábado terão em campo a dupla da capital: o primeiro, em Verona, coloca frente a frente o Hellas contra a Roma (às 13h de Brasília); e depois, às 15h45, a Lazio recebe o Bologna. A campeã Juventus entra em campo às 13h do domingo, frente à Udinese, e outros sete jogos completam a rodada às 15h45. Neste horário, o grande destaque é para Fiorentina e Milan, que farão um jogão.

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As partidas acontecem à noite na Itália nas primeiras rodadas por causa do forte calor de verão na Europa – uma tentativa de preservar o espetáculo. O clima, porém, será quente desde o início. Se Fiorentina-Milan é o grande duelo da rodada inicial, a sequência de jogões começa cedo: Roma-Juventus (2ª rodada), Inter-Milan (3ª), Napoli-Lazio (4ª), Inter-Fiorentina (6ª), Napoli-Juventus (6ª), Milan-Napoli (7ª), Napoli-Fiorentina (8ª) e Inter-Juventus (8ª). Tudo isso em menos de dois meses. Quem começar tropeçando terá trabalho para aguentar o ritmo.

Como tem sido praxe, é a Juve que sai na frente na briga pelo título. A Roma se reforçou e parece mais pronta para continuar como segunda força do Campeonato Italiano, enquanto as renovadas equipes de Inter, Milan e Napoli constituem um forte terceiro pelotão, que olha bem de perto para quem está na frente. A surpreendente Lazio, que segurou suas melhores peças e fez contratações interessantes tenta abocanhar seu espaço outra vez. Fiorentina, Torino, Sampdoria, Genoa e Verona correm por fora na tentativa de chegar a uma vaga em competições europeias.

Até o fechamento deste guia, o número de brasileiros da Serie A é o mesmo que o do início da temporada anterior: são 42 atletas do nosso país distribuídos em 18 equipes do Italiano. Apenas Genoa e Sassuolo não tem brasileiros – os neroverdi, aliás, são o time com menos estrangeiros no geral, com apenas três. A equipe com mais jogadores verde e amarelos continua sendo a Udinese, que tem seis. O Napoli vem em seguida, com cinco, enquanto Inter e o caçula Carpi tem quatro.

Os direitos de transmissão da Serie A na TV fechada do Brasil estão divididos entre os canais Fox Sports e ESPN. Cada emissora terá direito a exibir metade dos jogos de cada rodada. Para os “internacionais”, a rede italiana Rai International, disponível em algumas operadoras, também transmite os jogos, com narração em italiano. A Coppa Italia e a Supercopa Italiana são exibidas pela ESPN.

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Acompanhe, agora, a primeira parte do nosso guia, com análises de 10 das 20 equipes. Ele está em ordem alfabética: começamos com a Atalanta e encerramos com a Juventus.

Atalanta

Cidade: Bérgamo (Lombardia)

Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24.642 lugares)

Fundação: 1907

Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici

Principais rivais: Brescia, Inter e Milan

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)

Na última temporada: 17ª posição

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Marcos de Paula

Técnico: Edy Reja (2ª temporada)

Destaque: Germán Denis

Fique de olho: Gaetano Monachello

Principais chegadas: Jasmin Kurtic (m, Fiorentina), Marten De Roon (m, Heerenveen) e Gaetano Monachello (a, Lanciano)

Principais saídas: Davide Zappacosta (ld, Torino), Davide Baselli (m, Torino) e Yohan Benalouane (z, Leicester)

Time-base (4-3-3): Sportiello; Raimondi, Stendardo, Masiello, Dramé; Carmona, Cigarini, Kurtic; Moralez (Estigarribia), Denis (Pinilla), Gómez.

Do recorde ao caos. Após flertar com competições europeias e chegar ao maior número de vitórias consecutivas em sua história, em 2013-14, a Atalanta caiu muito de rendimento e escapou do rebaixamento por poucos pontos, no ano passado. Para esta temporada, a torcida pode esperar um panorama semelhante ao de 2014-15: a Dea ficará feliz se escapar da Serie B.

O elenco nerazzurro perdeu muitas peças importantes, como as revelações Zappacosta e Baselli, e vários medalhões na defesa, como Biava, Emanuelson e Benalouane. A reposição não foi à altura, e os comandados de Reja ganharam apenas a volta de alguns jogadores emprestados e algumas apostas – exceção feita a Kurtic, que deve ser titular. Mais uma vez, a Atalanta precisará contar com as defesas do ótimo Sportiello, com a organização de jogo de Cigarini e lampejos de Gómez e Moralez. Na frente, os gols ficam a cargo de Pinilla e, claro, do capitão Denis. A fórmula é simples e pode ser suficiente, mas a ordem em Bérgamo é manter os pés no chão.

Bologna

Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)

Estádio: Renato Dall’Ara (39.444 lugares)

Fundação: 1909

Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani

Principais rivais: Cesena e Fiorentina

Títulos da Serie A: sete

Na última temporada: 4ª posição na Serie B; promovido via play-offs

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Angelo da Costa

Técnico: Delio Rossi (2ª temporada)

Destaque: Mattia Destro

Fique de olho: Marios Oikonomou

Principais chegadas: Antonio Mirante (g, Parma), Lorenzo Crisetig (m, Inter) e Mattia Destro (a, Roma)

Principais saídas:  Nenad Kristicic (m, Sampdoria), Karim Laribi (m, Sassuolo) e Federico Casarini (m, sem clube)

Time-base (4-3-1-2): Mirante; Mbaye, Gastaldello, Oikonomou (Rossettini), Masina; Pulgar, Crisetig, Rizzo; Brienza; Destro, Acquafresca (Mancosu).

De volta à elite, o Bologna tem planos ambiciosos. A equipe rossoblù foi comprada em 2014 por Joe Tacopina, o mesmo dono do Montreal Impact, da MLS, e está recebendo investimentos para permanecer na Serie A. Apesar de ser “caçula” em 2015, o time da Emília-Romanha tem elenco numeroso e de boa qualidade, o que tem potencial para fazer uma campanha tranquila. Ao mesmo tempo, a temporada já começa com pressão para o técnico Delio Rossi – em busca de reafirmação, após ostracismo –, pois o Bologna caiu na Coppa Italia para o pequeno Pavia, da terceira divisão.

Porém, se os petroniani pensam em grande futuro, por enquanto estão com os pés no chão: estão fazendo contratações pontuais e estão tirando bons jogadores de times de pequeno e médio porte do país – casos de Mirante, que chega do Parma, e Rossettini, ex-Cagliari. Além disso, os felsinei pensam em jovens valores, que agregam tecnicamente e podem dar retorno financeiro em breve para o clube, de forma sustentável. A estratégia já havia feito Mbaye e Oikonomou serem contratados em janelas anteriores e, nesta, levaram ao Renato Dall’Ara jogadores de muito futuro, como o chileno Pulgar – já convocado por Jorge Sampaoli – e Crisetig, um regista de muita qualidade. Tacopina ainda garantiu a cereja do bolo: para tentar se manter bem longe da zona perigosa da tabela, acertou a contratação de Destro para o ataque. Será a estrela da companhia.

Carpi

Cidade: Carpi (Emília-Romanha)

Estádio: Alberto Braglia (21.151 lugares)

Fundação: 1909

Apelidos: Falconi, Chèrp, Biancorossi

Principal rival: Modena

Títulos da Serie A: nenhum (estreante na competição)

Na última temporada: Campeão da Serie B; promovido

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Wallace, Gabriel Silva, Raphael Martinho e Ryder Matos

Técnico: Fabrizio Castori (2ª temporada)

Destaque: Jerry Mbakogu

Fique de olho: Jerry Mbakogu

Principais chegadas:  Kamil Wilczek (a, Piast Gliwice),  Zeljko Brkic (g, Cagliari) e Luca Marrone (v, Juventus)

Principais saídas: Gabriel (g, Napoli), Aljaz Struna (ld, Palermo) e Roberto Inglese (m, Chievo)

Time-base (4-3-3): Brkic; Wallace (Letizia), Romagnoli, Spolli, Gabriel Silva; Bianco (Marrone), Porcari, Lazzari; Ryder Matos, Mbakogu, Raphael Martinho (Wilczek).

Sem dúvidas, o Carpi protagonizou uma das grandes histórias da última temporada. O pequeno clube da Emília-Romanha, que estreara na Serie B na temporada anterior, surpreendeu equipes tradicionais e foi campeão da segundona, conquistando o inédito acesso à elite, contrariando aqueles que desejavam a ascensão de times mais tradicionais e de torcida mais numerosa. A fábula agitou a cidade de 70 mil habitantes, na província de Módena. É em Módena, aliás, que os falconi mandarão seus jogos, visto que o estádio local não comporta jogos da primeira divisão.

A falta de experiência na Serie A também acompanha o técnico Fabrizio Castori, estreante na elite. Para isso, o treinador terá à sua disposição um elenco bastante reforçado, com alguns jogadores experientes, como Brkic, Spolli e Lazzari, e várias apostas – com direito a uma colônia brasileira. As muitas mudanças no elenco podem dar um gás a mais à equipe, mas a tendência é que a falta de entrosamento e a novidade de estreia na elite atrapalhe no início. Vale ficar de olho no nigeriano Mbakogu, grande destaque no título da segundona e cuja permanência foi uma batalha vencida pela direção biancorossa. Ficar mais um ano entre os 20 maiores da Itália é tarefa hercúlea, mas esse time já mostrou que pode surpreender.

Chievo

Cidade: Verona (Vêneto)

Estádio: Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)

Fundação: 1929

Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados

Principal rival: Verona

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)

Na última temporada: 14ª posição

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Edimar

Técnico: Rolando Maran (2ª temporada)

Destaque: Alberto Paloschi

Fique de olho: Federico Mattiello

Principais chegadas: Simone Pepe (m, Juventus), Paul-Jose M’Poku (mat, Cagliari) e Lucas Castro (mat, Catania)

Principais saídas: Ervin Zukanovic (le, Sampdoria), Ezequiel Schelotto (m, Inter) e Isaac Cofie (m, Genoa)

Time-base (4-3-3): Bizzarri; Frey, Cesar, Dainelli, Gobbi; Christiansen, Radovanovic, Hetemaj; Castro (Pepe), Palochi, M’Poku.

Chievo em versão Catania. O técnico Maran, em sua segunda temporada em Verona, terá em mãos um elenco de características parecidas com as que tinha em seu trabalho anterior, na Sicília. Isso significa dizer que os clivensi jogarão no 4-3-3, com uma dupla de defesa bastante física e rápida pelo alto, um meio-campo que marca forte e sabe jogar e, principalmente, farão rápidas transições, utilizando muito os flancos. Por isso, o Chievo foi ao mercado e, dentre os jogadores de linha, só acertou com laterais e pontas. Eles trabalharão para que o atacante Paloschi se mantenha como destaque no comando do setor ofensivo.

Os reforços deverão fazer do Chievo um time um pouco mais agradável de ver em campo, ao contrário dos anos anteriores, quando o Ceo prezava pela defesa e o jogo truncado – não que isso deixará de existir totalmente, mas os contra-ataques prometem ser mais mortais. Em uma temporada em que o objetivo dos Burros Alados é, mais uma vez, ficar na elite, valerá ficar de olho em dois ex-juventinos. Após sérias lesões, Pepe e Matiello terão mais minutos para mostrar seu futebol e poderão ajudar os gialloblù a se salvarem.

Empoli

Cidade: Empoli (Toscana)

Estádio: Carlo Castellani (16.800 lugares)

Fundação: 1920

Apelidos: Azzurri

Principais rivais: Fiorentina, Pisa, Siena, Pistoiese e Lucchese

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 7ª colocação)

Na última temporada: 15ª posição

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Ronaldo

Técnico: Marco Giampaolo (1ª temporada)

Destaque: Riccardo Saponara

Fique de olho: Luca Bittante

Principais chegadas: Lukasz Skorupski (g, Roma), Luca Bittante (ld, Avellino) e Andrea Costa (z, Parma)

Principais saídas: Mirko Valdifiori (v, Napoli), Daniele Rugani (z, Juventus) e Luigi Sepe (g, Fiorentina)

Time-base (4-3-1-2): Skorupski; Laurini, Costa (Camporese), Tonelli, Bittante (Mário Rui); Croce, Ronaldo, Signorelli (Maiello); Saponara; Maccarone, Pucciarelli.

Sabe aquele Empoli promissor e interessante, que dificultava a vida dos times maiores na última temporada, sob o comando de Sarri? Esqueça. A virada de temporada fez muito mal aos azzurri, que viram seu técnico rumar ao Napoli, juntamente com Hysaj e Valdifiori, duas peças importantes. Sem falar em Rugani, um dos melhores zagueiros da temporada, que retornou de empréstimo para a Juventus e do goleiro Sepe, titular em quase todos os jogos. O time ainda vai sentir a saída de Verdi e do experiente Tavano – no caso deste último, mais pelo simbolismo e liderança nos vestiários do que outra coisa.

A reposição foi muito abaixo do esperado para manter a média. Para começar, a diretoria toscana investiu em um técnico bastante fraco, que nunca chegou a decolar, após aparecer bem, com trabalhos interessantes em Ascoli e Siena. O retranqueiro Giampaolo vem de uma demissão da Cremonese, na terceirona. Todos os substitutos são apostas muito arriscadas, mesmo o lateral Bittante, que vem de duas boas temporadas pelo Avellino – na Serie B, porém. Skorupski sempre se mostrou inseguro quando atuou na defesa da Roma e quase todos os novos contratados vem de times de más campanhas na elite – Costa, do Parma, por exemplo – ou de times da parte baixa ou da rabeira da Serie B. Tem até reforço que jogou duas temporadas atrás na Serie D, como o zagueiro Dermaku. Parece muito pouco para permanecer na elite, até porque o time vai depender apenas de um Maccarone um ano mais velho (já tem 36) e de nova grande temporada do habilidoso Saponara. A improvável salvação passará por esses pés.

Fiorentina

Cidade: Florença (Toscana)

Estádio: Artemio Franchi (46.389 lugares)

Fundação: 1926

Apelidos: Viola, Gigliatti

Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna

Títulos da Serie A: dois

Na última temporada: 4ª posição

Objetivo: vaga em competições europeias

Brasileiros no elenco: Gilberto

Técnico: Paulo Sousa (1ª temporada)

Destaque: Giuseppe Rossi

Fique de olho: Federico Bernardeschi

Principais chegadas: Mario Suárez (v, Atlético de Madrid), Nikola Kalinic (a, Dnipro) e Davide Astori (z, Roma)

Principais saídas: Mohamed Salah (a, Roma), Mario Gómez (a, Besiktas) e Neto (g, Juventus)

Time-base (4-3-3): Sepe (Tatarusanu); Tomovic, Rodríguez, Astori, Pasqual (Alonso); Mati Fernández, Mario Suárez, Borja Valero; Rossi (Joaquín), Kalinic (Babacar), Ilicic (Bernardeschi).

A Fiorentina é uma das grandes incógnitas da temporada italiana. É o time que, sem dúvidas começa 2015-16 com mais modificações em relação à campanha anterior. Primeiro, Montella deu lugar a Paulo Sousa, que já chegou contestado por causa do passado na Juventus e por não ter um currículo vasto – venceu apenas o Campeonato Suíço com o Basel. Além disso, o time, que já tinha perdido Cuadrado em janeiro, viu o seu sucessor, o egípcio Salah, desistir do acordo de permanência e rumar para a Roma. Aliás, foram 10 as saídas de jogadores que atuavam de maneira frequente – além de Salah, a viola perdeu Neto, Savic, Vargas, Aquilani, Pizarro, Kurtic, Diamanti, Gilardino e Gómez. Até mesmo o seu principal jogador não oferece garantias – de forma física, pois é um grande atacante. Será que Rossi não sofrerá novas lesões sérias no joelho e poderá demonstrar seu futebol exuberante?

Os reforços não foram os mais empolgantes, e a torcida tem criticado a diretoria pela falta de ambição no início do mercado – foram feitas várias piadas no dia em que a Fiorentina anunciou que inauguraria um novo gramado. Nas semanas finais o presidente Andrea Della Valle acelerou e levou ao Franchi bons nomes, como Mario Suárez, Astori e Kalinic – à exceção do zagueiro, ainda precisarão de adaptação. Apesar de toda a desconfiança, a pré-temporada da Fiorentina foi boa, com mostras de bom futebol e vitórias contra os poderosos Chelsea e Barcelona. Estamos diante de um flop ou de uma surpresa? Façam suas apostas.

Frosinone

Cidade: Frosinone (Lácio)

Estádio: Matusa (10.000 lugares)

Fundação: 1912

Apelidos: Canarini, Ciociari, Leoni gialloblù

Principal rival: Latina

Títulos da Serie A: nenhum (estreante)

Na última temporada: Vice-campeão da Serie B; promovido

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Massimo Zappino

Técnico: Roberto Stellone (4ª temporada)

Destaque: Daniel Ciofani

Fique de olho: Daniele Verde

Principais chegadas: Nicola Leali (g, Cesena), Modibo Diakité (z, Cagliari) e Daniele Verde (mat, Roma)

Principais saídas: Mario Santana (mat, Genoa) e Uros Cosic (z, Pescara)

Time-base (4-4-2): Leali (Zappino); Rosi, Diakité, Blanchard, Pavlovic; Verde, Chibsah, Gucher, Soddimo; D. Ciofani (Longo), Dionisi.

A primeira vez é sempre complicada. Com pouca história nas duas principais divisões do país, o pequeno Frosinone estreia na elite após apenas seis participações na Serie B – a primeira, em 2006. O feito é histórico não apenas para os canarini, mas também para toda a Bota, afinal a região do Lácio pela primeira vez será representada por um time além da dupla Roma-Lazio. O objetivo, agora, é fazer com que a aventura não dure apenas uma temporada. Missão bastante difícil, a bem da verdade.

Com orçamento muito baixo, o técnico Stellone terá à disposição um time com pouca experiência de Serie A, e com alguns jovens criados em boas divisões de base do país – casos de Leali, Verde, Chibsah e Longo. A equipe fez sete contratações nada badaladas e todas elas devem começar a temporada como titulares no time, candidato a ocupar a lanterna da competição. A princípio, uma novela sobre em que estádio a equipe atuará – havia um plano de construir um estádio em um antigo CT do clube, mas as obras estão lentas – também pode atrapalhar o caçula.

Genoa

Cidade: Gênova (Ligúria)

Estádio: Stadio Luigi Ferraris (36.536 lugares)

Fundação: 1893

Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo

Principal rival: Sampdoria

Títulos da Serie A: nove

Na última temporada: 6ª posição

Objetivo: meio da tabela

Brasileiros no elenco: nenhum

Técnico: Gian Piero Gasperini (3ª temporada)

Destaque: Mattia Perin

Fique de olho: Olivier Ntcham

Principais chegadas: Serge Gakpé (mat, Nantes), Goran Pandev (a, Galatasaray) e Diego Capel (mat, Sporting)

Principais saídas: Andrea Bertolacci (m, Milan), M’Baye Niang (a, Milan) e Iago Falqué (mat, Roma)

Time-base (3-4-3): Perin; Múñoz, Burdisso, De Maio; Figueiras, Rincón (Kucka), Tino Costa, Cissokho; Perotti (Capel), Pavoletti, Pandev.

A temporada poderia ter começado melhor para o Genoa, caso o time tivesse obtido a licença para jogar a Liga Europa. As chances de voltar a jogar a competição na temporada que vem parecem não ser baixas, visto que o elenco comandado por Gasperini perdeu alguns de seus maiores destaques, como Bertolacci, Iago, Niang e Edenílson – Perotti ainda pode ser negociado. Os reforços não foram ruins, longe disso, mas o treinador precisará entrosar um time modificado, e como os movimentos que ele orienta os jogadores a fazerem em seu 3-4-3 não são facilmente assimiláveis, isso pode durar um tempo.

De qualquer forma, o Genoa tem um bom time para incomodar a turma da parte de cima da tabela e, quem sabe, surpreender mais uma vez. O grande termômetro está no meio-campo, setor em que a ausência de Bertolacci pode ser sentida. Rincón e Kucka, mais físicos, e Tino Costa, mais técnico, terão de se superar para fazer o duplo trabalho que o meia negociado com o Milan fazia, de área a área. Nesse sentido, quem pode se destacar é o francês Ntcham, emprestado pelo Manchester City e considerado uma joia a ser lapidada. Em termos ofensivos, o velho jogo de troca de posições e ataque pelos flancos prometido pelos times de Gasperini. Pandev e Capel devem adicionar poder de finalização às jogadas pelas pontas e, talvez por isso, o time opte por vender o bom Perotti, caso haja uma boa oferta. No mais, poderemos esperar um time com segurança defensiva, com o ótimo Perin protegido por um trio de defensores bastante forte nas bolas aéreas. As peças se encaixam, resta saber se dará liga.

Inter

Cidade: Milão (Lombardia)

Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)

Fundação: 1908

Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione

Principais rivais: Milan e Juventus

Títulos da Serie A: 18

Na última temporada: 8ª posição

Objetivo: vaga na Liga dos Campeões

Brasileiros no elenco: Juan Jesus, Miranda, Dodô e Hernanes

Técnico: Roberto Mancini (2ª temporada)

Destaque: Mauro Icardi

Fique de olho: Rey Manaj

Principais chegadas: Geoffrey Kondogbia (v, Monaco), Miranda (z, Atlético de Madrid) e Stevan Jovetic (a, Manchester City)

Principais saídas: Mateo Kovacic (m, Real Madrid), Xherdan Shaqiri (mat, Stoke City) e Lukas Podolski (a, Galatasaray)

Time-base (4-3-1-2): Handanovic; Montoya, Miranda, Murillo, Juan Jesus (Santon; D’Ambrosio); Guarín, Medel, Kondogbia; Hernanes; Icardi, Jovetic (Palacio).

A anti-Juve? O início do mercado parecia fazer crer que sim, uma vez que a Inter abrira os cofres e assegurara contratações de alto nível, como Kondogbia, Miranda e Murillo – depois, Jovetic, um sonho antigo. A manutenção de jogadores importantes, como Handanovic, Kovacic e Icardi também mandava sinais importantes para a torcida, e até a permanência de Shaqiri, destinado a ser vendido após apenas seis meses, não era de se jogar fora. No entanto, ao longo de uma semana, logo a que antecede a estreia no campeonato, o cenário é bastante diferente.

O futebol e os resultados na pré-temporada foram muito ruins, e as saídas de Kovacic e Shaqiri, ao passo que melhoraram a saúde econômica dos nerazzurri, deixaram o meio-campo com pouco talento – muito combate e poucas ideias. Tão perto do início da Serie A, Mancini precisará encontrar um substituto (ou dois) e entrosar um time que, até agora, não deu liga. Certo é que, no papel, o elenco da Inter é muito melhor que o da temporada passada, mas fazer a equipe jogar futebol e competir a sério por uma vaga na Liga dos Campeões é a maior missão do treinador. Até o fechamento da janela a torcida esperará por reforços, e até o final da temporada o time terá de fazer valer o investimento arriscado do presidente Thohir. Afinal, sem vaga na Champions, o rombo nas contas da equipe só deve crescer – e não vai ser toda hora que o Real Madrid vai despejar um caminhão de dinheiro para levar uma estrela do time. Mais do que nunca, o futebol demonstrado pela Beneamata dentro dos gramados será a chave para fazer o clube mudar de patamar no aspecto administrativo.

Juventus

Cidade: Turim (Piemonte)

Estádio: Juventus Arena (41.000 lugares)

Fundação: 1897

Apelidos: Bianconeri e Velha Senhora

Principais rivais: Torino e Inter

Títulos da Serie A: 31

Na última temporada: campeã

Objetivo: título

Brasileiros no elenco: Neto e Rubinho

Técnico: Massimiliano Allegri (2ª temporada)

Destaque: Paul Pogba

Fique de olho: Andrés Tello

Principais chegadas: Mario Mandzukic (a, Atlético de Madrid), Sami Khedira (v, Real Madrid) e Paulo Dybala (a, Palermo)

Principais saídas: Carlos Tévez (a, Boca Juniors), Arturo Vidal (m, Bayern Munique) e Andrea Pirlo (m, New York FC)

Time-base (4-3-2-1): Buffon; Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini, Evra; Khedira, Marchisio, Pogba; Dybala, Morata; Mandzukic.

A busca pelo pentacampeonato e pela afirmação no cenário continental move a Juventus na segunda temporada de Allegri em Turim. A janela de mercado não foi nada parada para a colecionadora de títulos, que viu a saída de três estrelas do time em uma única tacada. O corte na carne, com o intuito de preservar Pogba – que herdou a 10 de Tévez – foi uma cartada planejada, visto que a diretoria achou que seria melhor encerrar o ciclo de alguns atletas ainda em suas boas fases, e trazer novos nomes para arejar o elenco. Trocou-se, grosso modo, Vidal por Khedira, Pirlo por Dybala, Tévez por Mandzukic, Ogbonna por Rugani, Matri por Zaza, Storari por Neto e Rômulo por Isla. Dá para dizer que o elenco ficou mais fraco? Pelo contrário, hoje a Juventus parece ter ainda mais opções de qualidade para todos os setores.

A pré-temporada não reservou os melhores resultados para a Velha Senhora, mas todos em Vinovo imaginam que quando a coisa for para valer tudo muda. Já foi assim na Supercopa Italiana, quando em um ritmo abaixo do normal, a equipe controlou a Lazio e venceu com facilidade, com gols de Dybala e Mandzukic. Pode ser que a engrenagem demore para rodar com mais competência, mas é difícil não ver a Juve como favorita a um histórico penta. Mesmo se resolver priorizar a Liga dos Campeões, o elenco ainda é o mais forte da Itália. Quem para a máquina bianconera?