Guia da Serie A Italiana 2017/18, parte 1: da Atalanta à Juventus

Finalmente ela vem aí. A Serie A 2017-18, que promete ser a mais disputada dos últimos anos, começa neste sábado, às 13 horas (Brasília). O palco da estreia em campos italianos será o mesmo em que a atual campeã fez a festa nos seis anos anteriores. A Juventus recebe o Cagliari e, logo depois, Verona e Napoli fazem um confronto de muita rivalidade.

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A Velha Senhora continua como o time a ser batido, mas Milan, Napoli e Roma parecem ter diminuído o abismo – com a Inter correndo por fora. A Lazio, campeã da Supercopa Italiana, tenta “bagunçar o coreto”, enquanto, no segundo escalão do campeonato, Torino e Sampdoria ameaçam ultrapassar a Fiorentina em termos de competitividade.

Até o fechamento deste guia, 36 brasileiros estão inscritos para disputar esta edição do Campeonato Italiano – desconsiderando Éder e Jorginho, que já defenderam a seleção da Itália. Os jogadores do nosso país estão distribuídos em 14 equipes: somente Benevento, Chievo, Crotone, Genoa, Milan e Sassuolo não tem brasileiros em seus elencos. Só na capital são 10: metade na Lazio (Wallace, Maurício, Luiz Felipe, Lucas Leiva e Felipe Anderson) e metade na Roma (Alisson, Juan Jesus, Bruno Peres, Emerson Palmieri e Gerson).

Os direitos de transmissão do torneio para o Brasil continuam com os canais Fox Sports e ESPN – a italiana Rai International também transmite os jogos, com narração na língua de Dante Alighieri. A Coppa Italia também é exibida pelo grupo ESPN, enquanto a Serie B fica com o BandSports.

Leia a primeira parte do nosso guia, com comentários sobre 10 das 20 equipes: hoje, começamos com a Atalanta e encerramos com a Juventus. Para acompanhar a Serie A 2017-18 de forma ainda mais aprofundada, assine a Calciopédia Pro. O nosso serviço de boletins conta com prévias, estatísticas, informações detalhadas e análises exclusivas para assinantes, que têm direito a um período de testes por sete dias. Saiba mais sobre as condições de assinatura e o conteúdo do pacote.

Atalanta

Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (26.562 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan
Participações na Serie A: 57
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 4ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Rafael Tolói e João Schmidt
Técnico: Gian Piero Gasperini (2ª temporada)
Destaque: Alejandro Gómez
Fique de olho: Riccardo Orsolini
Principais chegadas: Andreas Cornelius (a, Kobenhavn), Josip Ilicic (mat, Fiorentina) e Marten De Roon (m, Middlesbrough)
Principais saídas: Franck Kessié (m, Milan), Andrea Conti (ld, Milan) e Alberto Grassi (v, Spal)
Time-base (3-4-3): Berisha (Gollini); Tolói, Caldara, Masiello; Castagne, De Roon (João Schmidt), Freuler, Spinazzola; Ilicic, Petagna (Cornelius), Gómez.

É difícil imaginar que a Atalanta consiga superar os feitos de 2016-17. Por um simples motivo: foi a melhor temporada da história do clube e, neste campeonato, com uma concorrência ainda maior na parte alta da tabela, abocanhar novamente uma vaga na Liga Europa já seria um feito e tanto para os nerazzurri. A equipe bergamasca perdeu peças muito importantes, como Kessié e Conti, e com os valores arrecadados, adicionou estofo a um elenco que precisará se desdobrar em três diferentes competições. Como sempre, a diretoria buscou jogadores com potencial de revenda e com expectativas em torno de seu futuro, como Orsolini, Mancini, Vido, Pessina, Castagne, João Schmidt e Cornelius.

Papu Gómez continua na Lombardia e, por mais uma temporada, será o maestro atalantino. O atacante argentino oferece experiência a uma equipe recheada de jovens jogadores e deve reeditar a excelente dupla com Petagna. Dessa vez, os dois terão auxílios luxuosos: o centroavante Cornelius, da seleção dinamarquesa, será sombra do camisa 29 bergamasco, enquanto o esloveno Ilicic chega a Zingonia com a expectativa de deixar a má fase de lado. O forte meio-campo de Gasperini tem a volta do holandês De Roon, que disputará espaço com Freuler, João Schmidt e Cristante. Serão os homens da transição e os protetores do sólido sistema defensivo nerazzurro, comandado por Caldara. Nas alas, a expectativa nos próximos dias fica por conta do impasse pela permanência de Spinazzola (que quer antecipar volta à Juventus), enquanto o belga Castagne promete ser mais um dos jogadores revelados pelo Genk a brilhar nas grandes ligas europeias.

Benevento

Cidade: Benevento (Campânia)
Estádio: Ciro Vigorito (17.500 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Stregoni, Streghe, Giallorossi, Sanniti
Principais rivais: Avellino, Casertana e Juve Stabia
Participações na Serie A: nenhuma; estreante
Títulos: nenhum (estreante)
Na última temporada: 5ª posição na Serie B; subiu através dos play-offs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Marco Baroni (2ª temporada)
Destaque: Amato Ciciretti
Fique de olho: Andrew Gravillon
Principais chegadas: Danilo Cataldi (m, Genoa), Andrea Costa (z, Empoli) e Gaetano Letizia (ld, Carpi)
Principais saídas: Alessio Cragno (g, Cagliari), Marko Pajac (m, Perugia) e Ricardo Bagadur (z, Brescia)
Time-base (4-4-2): Belec; Letizia, Lucioni (Camporese), Costa, Di Chiara; Ciciretti, Cataldi, Viola, D’Alessandro; Ceravolo, Coda (Puscas).

Deem boas vindas aos feiticeiros de Benevento. Os stregoni, treinados por Marco Baroni (ex-técnico da base da Juve e do Novara), surpreenderam em sua estreia na segundona e garantiram o inacreditável segundo acesso consecutivo, com um futebol equilibrado e de estilo aguerrido, que devem manter na primeira divisão. Pontuar bem em casa será fundamental para alcançar a permanência na Serie A e o time campano é muito forte no estádio Ciro Vigorito. No entanto, o 4 a 0 sofrido contra o Perugia, que determinou a eliminação na Coppa Italia, preocupa. Além disso, a equipe sannita terá de lidar com a importantíssima saída de Cragno, um dos melhores goleiros da nova safra italiana e da última Serie B. Belec e Brignoli, escolhidos para substitui-lo, brigarão pela titularidade, mas nenhum deles mostrou amadurecimento e qualidade comparáveis ao seu antecessor.

O grande destaque dos giallorossi é Ciciretti, meia-atacante formado pela Roma, que finalmente estourou na última Serie B e liderou o time em assistências – com 12, foi o primeiro no quesito no campeonato. O romano abastecerá os atacantes Ceravolo (experiente, foi vice-artilheiro da Serie B com 20 gols), Puscas e Coda, que terão a complicada missão de anotarem gols suficientes para a equipe. Como nenhum deles tem tarimba suficiente para comandarem o time, o Benevento ainda tenta contratar um nome de peso, como Matri, do Sassuolo. Entre os nomes já confirmados, destaque máximo para o regista Cataldi, no radar da seleção italiana e ex-capitão da Lazio: o jogador chega ao clube sulista exatamente após um mal estar com torcida celeste. Olho também em Di Chiara, melhor lateral esquerdo da última Serie B pelo Perugia, e em Letizia. No 4-4-2 de Baroni, os laterais deverão ser peças importantes para o funcionamento da equipe.

Bologna

Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (38.279 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Participações na Serie A: 71
Títulos: sete
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Angelo da Costa
Técnico: Roberto Donadoni (3ª temporada)
Destaque: Mattia Destro
Fique de olho: Orji Okwonkwo
Principais chegadas: Andrea Poli (m, Milan), César Falletti (mat, Ternana) e Sebastien De Maio (z, Fiorentina)
Principais saídas: Blerim Dzemaili (m, Montreal Impact), Federico Viviani (m, Spal) e Marios Oikonomou (z, Spal)
Time-base (4-2-3-1): Mirante; Torosidis, De Maio, Gastaldello (González), Masina; Taïder, Poli; Verdi, Krejci (Falletti), Di Francesco; Destro.

A temporada mal começou e o Bologna já tem de administrar um duro revés: a tradicional equipe emiliana caiu na Coppa Italia após um fragoroso 3 a 0 sofrido em casa, diante do Cittadella. O resultado não chega a comprometer o decorrer da campanha rossoblù, já que os bolonheses dificilmente estarão envolvidos na luta contra o rebaixamento ou pela parte de cima da tabela, mas todo cuidado é pouco. Menos mal para os felsinei que o elenco é experiente e tem maturidade o suficiente para não deixar se abater por pressões desnecessárias em uma fase inicial de trabalho.

O time treinado por Donadoni foi pouco alterado (e levemente reforçado) em relação a 2016-17, sobretudo com a chegada de nomes experientes, como o costarriquenho González, o francês De Maio e o italiano Poli. O ex-jogador do Milan é o substituto natural do único titular que deixou a equipe – Dzemaili, negociado com o Montreal Impact na reta final de 2016-17 –, e deve oferecer ao setor de meio-campo um posicionamento mais defensivo. Com o novo reforço à disposição, Donadoni deve adotar o 4-2-3-1 como esquema-base e liberar a linha de meias para intensa movimentação e trocas de posições. Krejci, Verdi e Di Francesco têm tudo para repetirem as positivas atuações da temporada anterior e ganham as sombras de Falco e Falletti, que se destacram na Serie B. No comando de ataque, Destro deve atingir a cota de 10 gols, mas precisa de um reserva à altura.

Cagliari

Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sardegna Arena (16.233 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Casteddu, Isolani
Principais rivais: Sassari Torres
Participações na Serie A: 38
Títulos: um
Na última temporada: 11ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rafael, João Pedro e Diego Farias
Técnico: Massimo Rastelli (3ª temporada)
Destaque: Marco Borriello
Fique de olho: Filippo Romagna
Principais chegadas: Alessio Cragno (g, Benevento), Marco Andreolli (z, Inter) e Luca Cigarini (v, Sampdoria)
Principais saídas: Davide Di Gennaro (m, Lazio), Bruno Alves (z, Rangers) e Mauricio Isla (ld, Fenerbahçe)
Time-base (4-3-1-2): Cragno; Padoin, Pisacane, Andreolli, Miangue; Barella, Cigarini, Ionita; João Pedro; Sau (Diego Farias), Borriello.

Com a queda do Palermo para a segundona, o Cagliari é o único participante desta Serie A sediado em uma das ilhas da Itália. Os isolani apostam na continuidade do trabalho de Rastelli e nos gols do veterano Borriello, que teve em 2016-17 a melhor temporada de sua carreira, com 16 gols anotados na campanha dos rossoblù. O interessante sistema ofensivo é o ponto forte da equipe sarda: o entrosamento de vários anos do tridente formado por Sau, Diego Farias e João Pedro deve continuar ajudando Borriello a balançar as redes, enquanto Ionita e Barella (uma das revelações do último campeonato), são meias ótimos no apoio às ações de ataque. Assim como na edição anterior do torneio, as partidas do time deverão ter placares bastante movimentados. Porém, dessa vez a diretoria conta com a melhora nos números de sua retaguarda.

O Cagliari teve a terceira pior defesa em 2016-17 e o clube tem ido ao mercado para não repetir este desempenho. O goleiro Cragno retornou após bom empréstimo ao Benevento e assumirá a titularidade, que na temporada passada foi dividida entre Storari e Rafael – ambos com momentos de incerteza dentro e forma do campo. A defesa também foi redesenhada, com as contratações de Andreolli e do promissor Romagna, e a ascensão de Miangue ao time titular – as saídas de Isla, Murru e Bruno Alves foram bem repostas, mas o elenco ainda carece de pelo menos um zagueiro. Cigarini, por sua vez, oferece bom poder de marcação na entrada da área e saberá ditar o ritmo em partidas complicadas, com a qualidade e intensidade que o ex-capitão Daniele Conti empregava. Falando em ídolos sardos, vale destacar ainda uma homenagem: o trequartista Cossu volta ao Cagliari após disputar a terceira divisão com o Olbia. Com 37 anos, se aposentará vestindo a camisa dos casteddu.

Chievo

Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (39.211 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados, Clivensi
Principal rival: Verona
Participações na Serie A: 16
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Rolando Maran (4ª temporada)
Destaque: Roberto Inglese
Fique de olho: Pawel Jaroszynski
Principais chegadas: Manuel Pucciarelli (a, Empoli), Luca Garritano (mat, Cesena) e Pawel Jaroszynski (le, Cracóvia)
Principais saídas: Nicolás Spolli (z, Genoa), Mariano Izco (m, Crotone) e Jonathan De Guzmán (m, Eintracht Frankfurt)
Time-base (4-3-1-2): Sorrentino; Cacciatore, Dainelli, Cesar (Gamberini), Gobbi; Castro, Radovanovic, Hetemaj; Birsa, Pucciarelli, Inglese.

O que se espera do Chievo em 2017-18 é o que se supõe que o time veronês irá apresentar em todas as suas participações na elite: futebol defensivo, compactação e agressividade em contragolpes. O receituário básico da equipe que tem o padrão de jogo mais definido no Belpaese é seguido à risca por Maran, ex-capitão e bandeira do clube, que vai para sua quarta temporada como treinador no Bentegodi. Na última Serie A foi mais complicado atingir resultados interessantes por causa do setor defensivo dos clivensi, já que a idade pesou para os titulares – os mesmos que começam o campeonato prestigiados pelo técnico. O problema de rendimento do setor pode ser amenizado pelas contratações dos jovens Jaroszynski, Bani e Rigione, que devem ganhar minutos na trajetória gialloblù.

Além da mesma fórmula, os burros alados contam com a mesma espinha dorsal das últimas temporadas, com apenas uma adição. Pucciarelli, que teve boas atuações em três anos de Serie A com a camisa do Empoli, disputará espaço com Meggiorini, mas larga em vantagem por se movimentar mais e ter mais qualidade técnica que o concorrente. Na “rifinitura”, Birsa segue magnânimo e titular absoluto, mas em algumas ocasiões pode receber a companhia de Garritano, revelado pela base da Inter e, enquanto membro da seleção sub-21 italiana, maturado no Cesena. No comando de ataque, o goleador Inglese se firmou como titular e principal esperança da equipe para a realização de um campeonato tranquilo. O grandalhão tem presença de área e aproveita bem as bolas alçadas por Birsa e Cacciatore. Esta deve continuar sendo a principal arma do Ceo.

Crotone

Cidade: Crotone (Calábria)
Estádio: Ezio Scida (16.640 lugares)
Fundação: 1910
Apelidos: Rossoblù, Pitagorici, Squali
Principais rivais: Catanzaro e Reggina
Participações na Serie A: 2
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 17ª colocação)
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Davide Nicola (2ª temporada)
Destaque: Alex Cordaz
Fique de olho: Giovanni Crociata
Principais chegadas: Ante Budimir (a, Sampdoria), Rolando Mandragora (v, Juventus) e Mariano Izco (m, Chievo)
Principais saídas: Diego Falcinelli (a, Sassuolo), Gian Marco Ferrari (z, Sampdoria) e Leonardo Capezzi (m, Sampdoria)
Time-base (4-4-2): Cordaz; Faraoni (Sampirisi), Ceccherini, Cabrera (Ajeti), Martella; Rohdén, Izco, Mandragora, Nalini; Trotta, Budimir.

A euforia por uma salvezza milagrosa e a promessa cumprida por Nicola – que cruzou a Itália de bicicleta – ficarão para sempre na memória do torcedor do Crotone. No entanto, é hora de deixar as lembranças em segundo plano: para conseguir a permanência na Serie A outra vez, o time da Calábria terá de se superar tanto ou mais que em 2016-17. Afinal, no papel, os pitagóricos têm um dos três elencos mais modestos do campeonato, ainda que tenham se reforçado em relação à temporada anterior.

O goleiro e capitão Cordaz continuará comandando a defesa, que perdeu muitas peças, entre titulares e reservas. As saídas de Rosi e Ferrari (já convocado à seleção italiana) serão as mais sentidas, embora o lateral Faraoni e os zagueiros Cabrera e Ajeti possam quebrar o galho. O meio-campo continua com as presenças de Rohdén, Nalini e Barberis, importantes no percurso da última época, e foi o setor mais reforçado: chegaram os promissores Mandragora e Crociata, o versátil veterano Izco e o alemão Kragl, que deve compor elenco. Mais à frente, Nicola não poderá mais contar com o artilheiro Falcinelli, um dos artífices da arrancada que garantiu os squali na primeira divisão. O centroavante retornou para o Sassuolo, mas o clube conseguiu renovar, junto aos neroverdi, o empréstimo de Trotta, que terá a seu lado um velho conhecido da torcida rossoblù. O croata Budimir foi o goleador da equipe na campanha do acesso e volta ao sul da Bota após passagem apagada pela Sampdoria. Em baixa por tanto tempo, é uma aposta arriscada para um time que precisa de garantias.

Fiorentina

Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (43.147 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliati
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Participações na Serie A: 80
Títulos: dois
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Vitor Hugo
Técnico: Stefano Pioli (estreante)
Destaque: Federico Chiesa
Fique de olho: Rafik Zekhnini
Principais chegadas: Marco Benassi (m, Torino), Valentin Eysseric (mat, Nice) e Vitor Hugo (z, Palmeiras)
Principais saídas: Federico Bernardeschi (mat, Juventus), Borja Valero (m, Inter), Matías Vecino (m, Inter)
Time-base (4-2-3-1): Sportiello; Bruno Gaspar (Tomovic), Vitor Hugo, Astori, Biraghi; Badelj, Benassi; Chiesa, Saponara, Eysseric; Kalinic (Babacar).

O início do mercado teve clima de debandada, mas nos últimos dias o ambiente da Fiorentina ficou mais calmo com a contratação de novos jogadores. Isto não significa, porém, que o elenco terá o mesmo nível que em anos anteriores: as saídas de Rodríguez, Borja Valero, Vecino, Ilicic, Bernardeschi e Kalinic (esta última ainda não oficial, mas iminente), representam um vácuo em termos de liderança, tanto técnica quanto psicologicamente falando. O único titular que não fará falta em Florença será Tatarusanu, substituído pelo ótimo Sportiello – reserva durante os últimos meses da gestão Paulo Sousa, sabe-se lá porquê. Entre os que permanecem, Astori, Tomovic, Badelj, Babacar precisarão chamar a responsabilidade. Chiesa, tão jovem, será a referência da equipe e terá um ano importante para sua afirmação como um dos mais interessantes prospectos da Itália.

É verdade que o técnico Pioli tinha outra perspectiva de trabalho quando acertou com a equipe de Florença. Porém, o emiliano é conhecido por surpreender com elencos limitados ou que correm por fora, como foi em Bologna e Lazio. Seu grande desafio será entrosar uma equipe bastante modificada e recheada de jovens jogadores (muitos deles sem experiência prévia na Serie A) em um curto espaço de tempo e, ainda assim, colher frutos em termos de classificação. A diretoria, ciente do contexto (que inclui ainda a possível venda do clube), não deve pressionar por resultados imediatos. A torcida precisa ter a mesma paciência e entender que o ano é de entressafra, para que a viola volte aos trilhos em um futuro próximo. Em médio prazo, jogadores como Gil Dias, Benassi, Eysseric, Milenkovic, Hristov e Zekhnini podem se transformar em peças importantes do elenco.

Genoa

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Participações na Serie A: 51
Títulos: nove
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Ivan Juric (2ª temporada)
Destaque: Mattia Perin
Fique de olho: Pietro Pellegri
Principais chegadas: Gianluca Lapadula (a, Milan), Andrea Bertolacci (m, Milan) e Ervin Zukanovic (le, Atalanta)
Principais saídas: Nicolás Burdisso (z, sem clube), Olivier Ntcham (m, Celtic) e Danilo Cataldi (m, Benevento)
Time-base (3-4-3): Perin; Biraschi, Spolli, Zukanovic; Lazovic, Rigoni, Bertolacci, Laxalt; Lapadula, Simeone, Centurión.

Desde que retornou à Serie A, 10 anos atrás, o Genoa fez cinco boas temporadas na Serie A e cinco bem negativas. Após flertar com o rebaixamento em 2016-17, chegou a hora de desempatar, e com a expectativa de fechar a competição entre os 10 primeiros colocados. A concorrência será grande, mas a equipe treinada por Juric manteve seus principais jogadores e tem se reforçado bem, buscando boas peças, mas que não teriam oportunidades em suas equipes, como Lapadula, Bertolacci e Zukanovic. Os genoveses também pescaram na América do Sul, como de praxe.

Certamente, a contratação de Lapadula é a que chama mais atenção, uma vez que o atacante teve momentos interessantes no Milan: o ítalo-peruano deve comandar o ataque da equipe, sobretudo se Simeone acertar com a Fiorentina. Destacam-se também os retornos de Bertolacci e Centurión, atletas com histórias bem diferentes na Ligúria. Enquanto o meia central foi ídolo no Marassi e busca se reencontrar após anos opacos em San Siro, o argentino foi mal em sua primeira passagem, mas recebeu uma nova chance após as boas atuações no Boca Juniors. O grande jogador da equipe, no entanto, continuará a ser o goleiro Perin, que herda a faixa de capitão com a saída de Burdisso. Recuperado de uma séria lesão, o camisa 1 busca voltar ao radar da seleção italiana e terá trabalho, já que a linha defensiva rossoblù não inspira confiança.

Inter

Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Participações na Serie A: 86
Títulos: 18
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Miranda, Dalbert e Gabriel
Técnico: Luciano Spalletti (estreante)
Destaque: Mauro Icardi
Fique de olho: Andrea Pinamonti
Principais chegadas: Borja Valero (m, Fiorentina), Matías Vecino (m, Fiorentina) e Dalbert (le, Nice)
Principais saídas: Éver Banega (m, Sevilla), Gary Medel (v, Besiktas) e Rodrigo Palacio (a, sem clube)
Time-base (4-2-3-1): Handanovic; D’Ambrosio, Skriniar, Miranda, Dalbert; Gagliardini, Borja Valero (Vecino); Candreva, João Mário, Perisic; Icardi.

A Inter não tem o mesmo padrão de jogo e continuidade de filosofia que Juventus e Napoli e não investiu tanto quanto Milan e Roma. Em tese, a equipe nerazzurra estaria atrás das rivais na busca por uma vaga na Liga dos Campeões, mas corre por fora e pode surpreender: a equipe interista mostrou futebol interessante na pré-temporada e o elenco (que era bom, mas tinha sérias deficiências em posições específicas) foi ajustado nos setores em que era necessário. O novo treinador superou as incompreensões com a diretoria e tem um ótimo currículo: desde que entrou no rol de grandes técnicos da Itália, Spalletti só não conseguiu classificar sua equipe (Roma ou Zenit) para a LC em apenas uma ocasião. Para completar, a Beneamata terá foco total na Serie A e, com menos jogos ao longo de 2017-18, tem vantagem no condicionamento físico em relação aos oponentes. No melhor dos sonhos da torcida, é possível desbancar os favoritos.

Ao longo dos últimos anos, a Inter tropeçou principalmente em problemas físicos e psicológicos, acumulados por erros individuais. A grande missão de Spalletti será fazer estas falhas sumirem ou serem amenizadas, para que o elenco finalmente renda o que se espera dele. Afinal, a defesa nerazzurra, com os reforços nas laterais e a substituição do inseguro Murillo pelo promissor Skriniar tende a melhorar, sob o comando de Handanovic e Miranda. A irregularidade de Banega, Kondogbia e Brozovic fica para trás com a chegada de Borja Valero (um dos mais constantes jogadores do futebol italiano) e do aguerrido Vecino. A Inter acertou ao resistir às investidas por Perisic e evitar que o setor que melhor funcionava fosse desfigurado. O produtivo quarteto ofensivo pode crescer mais ainda nas mãos de Spalletti: basta ver o que ele fez na Roma, aumentando a média de gols marcados por Nainggolan, Strootman, Perotti, El Shaarawy, Salah e Dzeko. Candreva, Perisic e, sobretudo, Icardi agradecem.

Juventus

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Allianz Stadium (41.475 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri, Zebras e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Participações na Serie A: 85
Títulos: 33
Na última temporada: campeã
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Alex Sandro e Douglas Costa
Técnico: Massimiliano Allegri (4ª temporada)
Destaque: Paulo Dybala
Fique de olho: Riccardo Orsolini
Principais chegadas: Douglas Costa (mat, Bayern Munique), Federico Bernardeschi (mat, Fiorentina) e Mattia De Sciglio (le, Milan)
Principais saídas: Leonardo Bonucci (z, Milan), Daniel Alves (ld, Paris Saint-Germain) e Mario Lemina (m, Southampton)
Time-base (4-2-3-1): Buffon; De Sciglio, Benatia (Rugani), Chiellini, Alex Sandro; Pjanic, Khedira; Douglas Costa (Cuadrado, Bernardeschi), Dybala, Mandzukic; Higuaín.

O hepta vem aí? A cada ano a Juventus precisa superar uma importante dificuldade na montagem do elenco para se revolucionar e continuar soberana na Itália. Se foram Del Piero, Tévez, Pirlo, Vidal, Pogba, Coman, Morata… e a Velha Senhora se manteve no topo. Agora, partiram Dani Alves e Bonucci e as dúvidas aterrissaram em Turim. A pré-temporada juventina não foi tão auspiciosa e na derrota para a Lazio na Supercopa Italiana chamou mais atenção a má atuação dos bianconeri do que o resultado final. Os novos contratados deixaram claro que precisarão de tempo para se adaptar ao ritmo dos jogadores que ficaram. Um tempo que poderá custar pontos vitais.

Iniciar a temporada abaixo do nível dominante de sempre é normal para a hexacampeã, que em geral atinge seu melhor quando alcança o ápice físico, mais para o fim da primeira metade do campeonato. Allegri sabe disso, mas sabe também que a saída de Bonucci – relativamente inesperada e abrupta – pode ser mais importante que todas as transferências supracitadas; e também que De Sciglio precisará superar os anos de opacidade para pelo menos engraxar as chuteiras de seu antecessor brasileiro. A Juve corre atrás de um zagueiro que possa substituir o craque da camisa 19, porque talvez não seja possível que Barzagli, Benatia e Rugani preencham a lacuna com rapidez. Para compensar, a Juventus está ainda mais forte do meio para frente. Douglas Costa e Bernardeschi precisam corresponder às expectativas, mas estão à altura para acompanharem os craques Higuaín e Dybala. É provável que a Juve tenha mais dificuldades de almejar algo em nível continental do que na última temporada, mas ainda é o time a ser batido na Serie A.