É sempre fácil fazer um parágrafo de introdução para um guia do Campeonato Espanhol. Sabe-se que o título é coisa para Real Madrid e Barcelona, por mais que Atlético de Madrid e Sevilla desafiem (e ganhem esporadicamente, no caso dos Colchoneros), e times como Villarreal façam papel honroso. Todavia, esta temporada 2017/18 de La Liga traz uma novidade. Que pode aumentar a monotonia paradoxalmente atraente.

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Pelo menos neste começo de temporada, a impressão é de que havia tempos que o Real não era tão soberano, tão autoconfiante, tão favorito ao título. E de que havia tempos o Barcelona não era tão combalido, tão vulnerável, tão fácil de ser superado. Eis a esperança para atleticanos, sevillistas e quem mais sonhar e puder superar os azuis e grenás. E apenas eles, porque o título, desta vez, começa muito próximo de um só gigante do futebol espanhol.

Mas isso será melhor descrito nessa apresentação de La Liga. Confira

Alavés
Ibai Gómez (E) comemora pelo Alavés (Foto: Getty Images)

Ibai Gómez (E) comemora pelo Alavés (Foto: Getty Images)

Técnico: Luis Zubeldía
Destaque: Ibai Gómez (meio-campista)
Fique de olho: Enzo Zidane (meio-campista)
Temporada passada: 9º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela

Principais chegadas: Rodrigo Ely (D, Milan-ITA), Rubén Duarte (D, Espanyol), Guillermo Maripán (M, Universidad Católica-CHI), Rubén Sobrino (M, Manchester City-ING), Wakaso Mubarak (M, Panathinaikos-GRE) e Enzo Zidane (M, Real Madrid B)

Principais saídas: Raúl García (D, Leganés), Zouhair “Zou” Feddal (D, Real Betis), Théo Hernández (D, Atlético de Madrid), Marcos Llorente (M, Real Madrid), Victor Camarasa (M, Levante), Deyverson (A, Levante/Palmeiras-BRA), Edgar Méndez(A, Cruz Azul-MEX) e Gaizka Toquero (A, Zaragoza)

Desde a final da Copa Uefa na temporada 2000/01 o Alavés não vivia momentos tão felizes em sua história. Só voltar à primeira divisão espanhola, após dez anos, já era razão para comemorar. Mas o time basco não se contentou com pouco: vários jogadores emprestados despontaram em Mendizorroza (Theo Hernández, Marcos Llorente, Victor Camarasa, Deyverson), a equipe mostrou-se bem postada taticamente sob o comando de Mauricio Pellegrino, e o resultado foi o que se viu: a nona colocação em La Liga – melhor desempenho do clube em 17 anos – e o vice-campeonato na Copa do Rei.

Aí veio o lado ruim de ser um clube pequeno na Europa: os emprestados obviamente foram reintegrados a seus clubes (para de lá irem a outros destinos, no caso de Deyverson), o técnico chamou a atenção por fazer muito com pouco (e por isso Pellegrino recebeu a aposta do Southampton)… e houve a necessidade de recomeçar quase do zero. Para a temporada atual, caberá ao jovem (36 anos) Luis Zubeldía tentar fazer campanha semelhante com uma receita parecida: reforços pontuais, com alguma experiência (Wakaso Mubarak, Guillermo Maripán), ou com margem de evolução (Enzo Zidane/Fernández), mais os remanescentes (Victor Laguardia, Ibai Gómez). Assim, o Alavés espera o meio de tabela, novamente. Já será bom demais.

Athletic Bilbao
Iñaki Williams, um dos destaques do Athletic Bilbao (Foto: Getty Images)

Iñaki Williams, um dos destaques do Athletic Bilbao (Foto: Getty Images)

Técnico: José Ángel Ziganda
Destaques: Raúl García (meio-campista) e Iñaki Williams (atacante)
Fique de olho: Mikel Vesga (meio-campista)
Temporada passada: 7º colocado
Copas europeias: Liga Europa (enfrentando o Panathinaikos-GRE nos play-offs)
Objetivo:vaga nas competições europeias

Principais chegadas: Iago Herrerín (G, Leganés), Mikel Vesga (M, Sporting Gijón), Ager Aketxe (M, Cádiz), Kike Sola (A, Numancia) e Asier Villalibre (A, Numancia)

Principais saídas: Gorka Iraizoz (G, Girona), Gorka Elustondo (D, Atlético Nacional-COL) e Javi Eraso (M, Leganés)

É sempre assim. Pelo seu apego ao País Basco, muito se acha que o Athletic Bilbao fraquejará, despencará pelas tabelas na temporada. Mas quando o time se aplica taticamente e há a sorte de contar com talentos tecnicamente confiáveis, os bilbaínos invariavelmente despontam. Foi assim há algumas temporadas, com Marcelo Bielsa e a final da Liga Europa. E foi assim em 2016/17, com Ernesto Valverde treinando um time com vários símbolos (Raúl García, Iñaki Williams, o sempre confiável Aritz Aduriz e Iker Muniain), que os Leones fizeram outra temporada elogiável.

Até pela capacidade que demonstrou, Valverde mereceu a pesada tarefa de reconstruir taticamente um confuso Barcelona. Fica para José Ángel Ziganda a função de conduzir um dos mais entrosados times de La Liga. Sim, entrosados: ainda estão lá Aymeric Laporte e Mikel Balenziaga a comandar a zaga, Markel Susaeta, Mikel San José, os supracitados Raúl García, Muniain, Iñaki Williams… enfim, mais do que em futebol, o Athletic Bilbao continua apostando numa ideia.

Atlético de Madrid
Griezmann ficou para mais uma temporada no Atlético de Madrid (Foto: Getty Images)

Griezmann ficou para mais uma temporada no Atlético de Madrid (Foto: Getty Images)

Técnico: Diego Simeone
Destaque: Antoine Griezmann (atacante)
Fique de olho: Yannick Ferreira-Carrasco (atacante)
Temporada passada: 3º colocado
Copas europeias: Champions League (fase de grupos)
Objetivo: vaga na Champions/título

Principais chegadas: Emiliano Velázquez (D, Braga-POR), Matías Kranevitter (M, Sevilla), Vitolo (M, Sevilla), Rafael Santos Borré (A, Villarreal) e Luciano Vietto (A, Sevilla)

Principais saídas: Theo Hernández (D, Real Madrid), Javier Manquillo (D, Newcastle-ING), Vitolo (M, Las Palmas), Matías Kranevitter (M, Zenit-RUS), Alessio Cerci (M, Verona-ITA) e Rafael Santos Borré (A, River Plate-ARG)

“Agora já chega. O Atlético não vai aguentar.” É sempre o que se escuta a cada final de temporada, nos três últimos anos: o Atleti resiste, desafia seriamente a dupla de titãs espanhóis (e até ganha, como no título de 2013/14), mostra um nível de intensidade de jogo como poucos times no futebol europeu, mas não consegue superar o desafio final – ou seja, conquistar a Liga dos Campeões -, e muitos acham que o trabalho de Diego Simeone já está desgastado, e que é hora de começar de novo. Foi o que pareceu na temporada passada: um terceiro lugar protocolar em La Liga, e mais uma queda para a nêmesis madridista na Champions (pelo menos foi nas semifinais, se é que consola).

Mas por enquanto, os colchoneros ainda acreditam que Simeone conseguirá motivar novamente o grupo rumo a um ótimo desempenho. Tanto que os destaques são os mesmos: Jan Oblak (pelo menos por enquanto), Diego Godín, Filipe Luís, Saúl Ñíguez, Koke, Yannick Ferreira-Carrasco, Antoine Griezmann. Quase não há contratações e nem saídas, uma vez que o clube está sob embargo de transferências. Em geral, quem voltou de empréstimo foi novamente cedido, ou até vendido. Assim, o Atlético de Madrid aposta que tem muito a desafiar. Muitos duvidam. Mas pelo que se mostrou nas últimas temporadas, vontade e capacidade técnica não faltam. Uma hora dá certo. Será agora?

Barcelona
A responsabilidade de carregar o Barcelona está ainda mais alta para Messi (Foto: Getty Images)

A responsabilidade de carregar o Barcelona está ainda mais alta para Messi (Foto: Getty Images)

Técnico: Ernesto Valverde
Destaque: Lionel Messi (atacante)
Fique de olho: Gerard Deulofeu (atacante)
Temporada passada: vice-campeão
Copas europeias: Champions League (fase de grupos)
Objetivo: Título

Principais chegadas: Nelson Semedo (D, Benfica-POR), Marlon (D, Fluminense-BRA), Paulinho (M, Guangzhou Evergrande-CHN) e Gerard Deulofeu (A, Everton-ING)

Principais saídas: Jérémy Mathieu (D, Sporting-POR), Cristian Tello (A, Betis) e Neymar (A, Paris Saint Germain-FRA)

Desgaste. Essa é a palavra que paira sob o Camp Nou. Parece que o Barcelona é um poderoso ser, que ficou tão forte, tão nutrido, tão fortalecido… que se encheu além da conta. Traços desse fastio já ficaram claros até na campanha exitosa da temporada 2014/15, com tríplice coroa e tudo. Ainda assim, havia a incessante velocidade na troca de passes, um meio-campo de atuações potencialmente estonteantes, um trio de ataque cada vez mais entrosado… enfim, o encanto ainda estava esporadicamente lá, de azul e grená.

Em 2015/16, este encanto já sofreu um forte baque, com a queda na Champions League. E no ano passado, parece ter eclodido. Sim, o trio Messi-Suárez-Neymar ainda tinha potencial para fazer estragos (e os fazia). De vez em quando, Sergi Roberto colaborava. Ivan Rakitic crescia ainda mais de importância no meio. Mas os antídotos já eram encontrados pelos adversários – e Luis Enrique se mostrava incapaz de pensar modos alternativos para que o Barça continuasse soberano.

Eliminar o Paris Saint Germain, nas oitavas de final da Liga dos Campeões, ainda adiou tal conclusão. Mas a queda inquestionável na fase seguinte, para a Juventus, deixou claro que o Barcelona não era mais o mesmo. Assim como a incapacidade de alcançar o arquirrival Real Madrid, no Espanhol. Restou só a Copa do Rei – que, para os Blaugranas, é como não restar nada. Por esse desgaste técnico, a saída de Luis Enrique era previsível. Afinal, ainda que estivesse tudo bem, essa falta de títulos grandes (é o que interessa a um gigante planetário) deixava tudo mal.

As coisas ficaram ainda piores. Não se esperava que Neymar pudesse decidir seguir sozinho – e talvez por isso sua transferência doa tanto na torcida. Pior ainda é ver a má atuação da diretoria na janela: Nelson Semedo é um coadjuvante, Gerard Deulofeu é uma aposta, e Paulinho não é mau jogador – mas não é do que o Barcelona precisa. As caras seguem as mesmas: Gerard Piqué, um Andrés Iniesta já sentindo o peso dos anos (embora ainda brilhe tecnicamente), e a confiança nos coelhos que Lionel Messi sempre tira da cartola – e no combo gols-raça de Luis Suárez.

Caberá a Ernesto Valverde, que conseguiu comandar um sólido Athletic Bilbao, devolver a firmeza ao time forte tecnicamente, mas para o qual falta alguma coisa, que é o Barcelona atual. Não será fácil. Suárez já se lesionou, e a derrota para o galopante antagonista de Madri na Supercopa da Espanha deixou claro como o Barcelona está previsível, chato, arrastado. Numa palavra: como está… desgastado. E talvez não se recupere para já.

Betis
O experiente Guardado é a aposta do Betis para a temporada (Foto: Getty Images)

O experiente Guardado é a aposta do Betis para a temporada (Foto: Getty Images)

Técnico: Enrique “Quique” Setién
Destaque: Antonio Adán (goleiro)
Fique de olho: Andrés Guardado (meio-campista)
Temporada passada: 15º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas:Jordi Amat (D, Swansea-ING), Zouhair “Zou” Feddal (D, Alavés), Antonio Barragán (D, Middlesbrough-ING), Andrés Guardado (M, PSV-HOL), Didier Digard (M, Osasuna), Victor Camarasa (M, Levante), Sergio León (A, Osasuna) e Cristian Tello (A, Barcelona)

Principais saídas: Cristiano Piccini (D, Sporting-POR), Ryan Donk (D, Galatasaray-TUR), Dani Ceballos (D, Real Madrid), Petros (M, São Paulo-BRA), Jonas Martin (M, Strasbourg-FRA), Rubén Pardo (M, Real Sociedad) e Rubén Castro (A, GuizhouZhicheng-CHN)

Assim como o Deportivo La Coruña, o Betis teve o seu momento, no final da década de 1990 – e depois dele, voltou a sofrer com a proximidade costumeira das últimas posições. E na temporada passada, continuou nesse ritmo desconfortável – em que pese a presença de alguns bons jogadores, como o atacante Rubén Castro, decisivo com os gols que ajudaram na permanência em La Liga, e o meio-campista Dani Ceballos (e até Petros, agora no São Paulo, teve sua utilidade).

À primeira vista, os Verdiblancos estão bastante enfraquecidos para esta temporada. Rubén Castro foi emprestado ao Guizhou Zhicheng; o promissor Dani Ceballos tomou o rumo do Real Madrid; e Cristiano Piccini, importante na defesa, também deixou o Betis. No entanto, os reforços do clube dão motivos para alguma esperança. Na zaga, “Zou” Feddal ganhou experiência no Alavés; Andrés Guardado chega credenciado por três Copas do Mundo, e tem tarimba para liderar o Betis; e Cristian Tello terá, enfim, espaço para ser titular. Se sonhar com a parte de cima da tabela parece demasiado, o time tem condições para fazer uma campanha ligeiramente mais segura.

Celta
Aspas, destaque do Celta na última temporada (Foto: Getty Images)

Aspas, destaque do Celta na última temporada (Foto: Getty Images)

Técnico: Juan Carlos Unzué
Destaque: Iago Aspas (atacante)
Fique de olho: Pione Sisto (meio-campista) e John Guidetti (atacante)
Temporada passada: 13º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/vaga nas competições continentais

Principais chegadas:David Costas (D, Oviedo), Dejan Drazic (M, Valladolid), Stanislav Lobotka (M, Nordsjaelland-DIN), Josabed (M, Fulham-ING) e Maxi Gómez (A, Defensor-URU)

Principais saídas: Carles Planas (D, Girona), Giuseppe Rossi (A, Fiorentina-ITA), Théo Bongonda (A, Trabzonspor-TUR), Josep Señé (A, Cultural Leonesa) e Álvaro Lemos (A, Lens-FRA)

É possível dizer que, na temporada passada, os célticos viveram uma situação de “o médico e o monstro” para Dr. Jekyll e Mr. Hyde nenhum botarem defeito. No Espanhol, uma campanha deficiente, na qual correram-se até riscos de rebaixamento; na Liga Europa, desempenho ofensivo, destemido, surpreendente (até responsável pela oscilação no Espanhol), indo até as semifinais, nas quais a queda para o futuro campeão Manchester United foi mais do que honrosa.

Por um lado, a decepção em La Liga impediu o clube de chegar novamente a uma competição continental. Além do mais, a boa campanha na Liga Europa fez o Sevilla (justamente o clube espanhol de maior tradição na competição…) apostar em Eduardo Berizzo como técnico, tirando-o do clube. Pelo outro, a boa notícia em Vigo é que seguem os destaques em campo: o goleiro Sergio Álvarez, Iago Aspas, John Guidetti… com foco total numa só competição, o Celta pode sonhar em garantir lugar num torneio europeu.

Deportivo La Coruña
Zakaria Bakkali chamou atenção na Holanda antes de se mudar para a Espanha (Foto: Getty Images)

Zakaria Bakkali chamou atenção na Holanda antes de se mudar para a Espanha (Foto: Getty Images)

Técnico: Pepe Mel
Destaque: Florin Andone (atacante)
Fique de olho: Zakaria Bakkali (atacante)
Temporada passada: 16º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas:Rubén Martínez (G, Anderlecht-BEL), Fabian Schär (D, Hoffenheim-ALE), Gerard Valentín (D, Gimnastíc), Guilherme (M, Udinese-ITA), Federico Valverde (M, Real Madrid B) e Zakaria Bakkali (A, Valencia)

Principais saídas: Davy Roef (G, Anderlecht-BEL), Germán Lux (G, River Plate-ARG), Laure (D, Alcorcón), Alex Bergantiños (M, Sporting Gijón), Fayçal Fajr (M, Getafe), Gaël Kakuta (A, Hebei China Fortune-CHN), Ola John (A, Benfica-POR)

Que longe se vão os tempos do temível “Super Depor”, que tanto fez nos anos 1990 até o título inesquecível de 1999/2000, já se sabe há muito tempo. A dura realidade do time de La Coruña se vê há algumas temporadas: desde que voltou da segunda divisão, em 2014/15, o Depor se aguenta entre a 15ª e a 16ª posições, pouco acima da zona de repescagem/rebaixamento. Comandando a equipe desde a parte final da temporada passada, Pepe Mel até terá jogadores com alguma experiência.

Para isso colaborou a vinda do zagueiro Fabian Schär. Todavia, o resto dos reforços não inspira muita confiança. Zakaria Bakkali até pode ter algum nível técnico, mas no Valencia passou longe de dar continuidade ao começo promissor que teve no PSV. E os outros são apostas. Caberá aos raros jogadores confiáveis da equipe (o goleiro Przemyslaw Tyton, os meias Emre Çolak e Celso Borges e o atacante Florin Andone) dar alguma confiança de que o campeonato será menos difícil para os corunheses.

Eibar
José Luis Mendilibar faz um trabalho sólido à frente do Eibar (Foto: Getty Images)

José Luis Mendilibar faz um trabalho sólido à frente do Eibar (Foto: Getty Images)

Técnico: José Luis Mendilibar
Destaque: Sergi Enrich (atacante)
Fique de olho: Yoel Rodríguez (goleiro)
Temporada passada: 10º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/escapar do rebaixamento

Principais chegadas:Yoel Rodríguez (G, Valencia), Paulo Oliveira (D, Sporting-POR), José Ángel (D, Porto-POR), Joan Jordán (M, Espanyol), Iván Alejo (A, Alcorcón) e Charles (A, Málaga)

Principais saídas: Florian Lejeune (D, Newcastle-ING), Mauro dos Santos (D, Leganés), Antonio Luna (D, Levante) e Adrián González (M, Málaga)

Devagar e sempre. Assim parece ser o ritmo dos Armeros desde que voltaram à primeira divisão, em 2014/15. De 18º (garantindo a permanência na repescagem) para 14º, e para uma elogiável 10ª posição na temporada passada. Para tanto, valeram as boas atuações da defesa – principalmente do goleiro Yoel Rodríguez e do zagueiro Florian Lejeune. Lejeune saiu, Yoel ficou. E junto de protagonistas como Sergi Enrich, Pedro León e Dani García, terá a função de continuar com a ascensão sólida do Eibar.

Espanyol
Depois de passagem apagada no Milan, Diego López voltou à Espanha para defender o Espanyol (Foto: Getty Images)

Depois de passagem apagada no Milan, Diego López voltou à Espanha para defender o Espanyol (Foto: Getty Images)

Técnico: Quique Sánchez Flores
Destaque: Gerard Moreno (atacante)
Fique de olho: Diego López (goleiro)
Temporada passada: 8º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nas competições continentais

Principais chegadas: Diego López (G, Milan-ITA), Pablo Piatti (M, Valencia), Esteban Granero (M, Real Sociedad)

Principais saídas: Diego Reyes (D, Porto-POR), Rubén Duarte (D, Alavés), Joan Jordán (M, Eibar), Felipe Caicedo (A, Lazio-ITA), José Antonio Reyes (A, dispensado)

O salto dos Blanquiazules na temporada passada já foi bem interessante: após várias temporadas ficando na parte inferior da tabela, enfim veio uma boa campanha, com a oitava posição. Dá para continuar, entrando nas vagas por competições europeias? Até dá: seguem no clube Gerard Moreno, David López, Victor Sánchez, José Manuel Jurado… e além do mais, Diego López e Pablo Piatti agora ficam em definitivo. No entanto, algumas perdas podem atrapalhar o time de Barcelona no papel – como Diego Reyes e Felipe Caicedo, também importantes em 2016/17. Ainda assim, é possível vislumbrar possibilidades para outra campanha segura.

Getafe
Dani Pacheco, esperança de gols do Getafe (Foto: Getty Images)

Dani Pacheco, esperança de gols do Getafe (Foto: Getty Images)

Técnico: José Bordalás
Destaque: Jorge Molina (atacante)
Fique de olho: Fayçal Fajr (meio-campista) e Dani Pacheco (atacante)
Temporada passada: 3º colocado da segunda divisão (promovido ao superar o Tenerife na repescagem)
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Emiliano Martínez (G, Arsenal-ING), Dakonam Djené (D, Sint Truiden-BEL), Mathías Olivera (D, Nacional-URU), Fayçal Fajr (M, Deportivo), Francisco Portillo (M, Betis) e Dani Pacheco (A, Betis)

Principais saídas: Alberto García (G, Rayo Vallecano), Paul Anton (M, Dinamo Bucareste-ROM), Alejandro Faurlín (M, Cruz Azul-MEX) e Stefan Scepovic (A, Sporting Gijón)

Dos males, o menor. Os Azulones até caíram para a segunda divisão na temporada retrasada, mas conseguiram voltar rapidamente, superando Huesca e Tenerife na repescagem. E mesmo que a equipe não seja boa para coisas além de tentar a manutenção na elite, pelo menos os principais destaques foram mantidos – como o veterano Jorge Molina, garantia de gols na campanha do acesso. Além disso, gente que havia sido emprestada, como Francisco Portillo e Dani Pacheco, foi contratada em definitivo. E há alguns com experiência em La Liga, como Vicente Guaita e Daniel “Cata” Díaz. Agora, é esperar que o time seja firme, sob José Bordalás, que chegou no meio da temporada passada e já tem trabalho em desenvolvimento pleno.

Girona
Marlos Moreno, campeão da Libertadores pelo Atlético Nacional, tenta carreira na Europa (Foto: Getty Images)

Marlos Moreno, campeão da Libertadores pelo Atlético Nacional, tenta carreira na Europa (Foto: Getty Images)

Técnico: Pablo Machín
Destaque: Portu (meio-campista)
Fique de olho: Marlos Moreno (atacante)
Temporada passada: Vice-campeão da segunda divisão
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Gorka Iraizoz (G, Athletic Bilbao), José Aurelio Suárez (G, Barcelona B), Carles Planas (D, Celta), Farid Boulaya (M, Bastia-FRA), Douglas Luiz (M, Manchester City-ING), Marlos Moreno (A, Manchester City-ING) e Cristhian Stuani (A, Middlesbrough-ING)

Principais saídas: Cifu (D, Málaga), Johan Mojica (D, Rayo Vallecano), Rubén Alcaraz (M, Almería), Cristian Herrera (A, Lugo), SebastiánCoris (A, Almería) e Samuele Longo (A, Internazionale-ITA)

É possível dizer que os alvirrubros já se preparavam para este momento fundamental na trajetória do clube há alguns anos. Coincidiu com a chegada do técnico Pablo Machín ao clube. Em 2014/15, o acesso poderia ter vindo na última rodada, mas o empate do Lugo no último minuto levou o time a disputar os play-offs de acesso, nos quais perdeu para o Zaragoza; em 2015/16, de novo chegou à repescagem, e de novo o sonho acabou numa derrota, para o Osasuna; enfim, na temporada passada, veio o vice-campeonato na Liga Adelante, e a primeira promoção do Girona à divisão de elite em sua história.

Treinador em todas essas campanhas, Pablo Machín obviamente chega prestigiado. Mas terá um grupo de jogadores que sofreu muitas mudanças. Destaques na campanha do acesso, jogadores como o defensor Cifu e o atacante Samuele Longo (este, o goleador do Girona) retornaram aos clubes que os haviam emprestado. Em compensação, alguns reforços foram promissores, como o experiente Gorka Iraizoz, titular por muito tempo no Athletic Bilbao, e Cristhian Stuani, com capacidade técnica para ser o principal atacante – sem contar a técnica que Marlos Moreno pode oferecer. Depois de um trabalho gradual, fica o desafio de não esmorecer e surpreender com a permanência.

Las Palmas
Calleri não foi bem na sua passagem pelo West Ham (Foto: Getty Images)

Calleri não foi bem na sua passagem pelo West Ham (Foto: Getty Images)

Técnico: Manolo Márquez
Destaque: Jonathan Viera (meio-campista)
Fique de olho: Jonathan Calleri (atacante)
Temporada passada: 14º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento/meio de tabela

Principais chegadas:Leandro Chichizola (G, Spezia-ITA), Ximo Navarro (D, Almería), Vitolo (M, Atlético de Madrid), Jonathan Calleri (A, West Ham-ING – via Deportivo Maldonado-URU) e Sergio Araújo (A, AEK Atenas-GRE)

Principais saídas: Javi Varas (G, Granada), Helder Lopes (D, AEK Atenas-GRE), Roque Mesa (M, Swansea-ING), Kevin-Prince Boateng (M, Eintracht Frankfurt-ALE) e Jesé (A, Paris Saint Germain-FRA)

O time das Ilhas Canárias pode até ter encerrado a temporada passada num apagado 14º lugar. Ainda assim, em alguns momentos exibiu um agradável estilo de jogo, pelas boas passagens de Roque Mesa, Jesé, Jonathan Viera e principalmente, Kevin-Prince Boateng, que reabilitou sua carreira no Las Palmas.

Todavia, esse ânimo foi embora com a janela de transferências: Jesé voltou ao PSG (e foi repassado ao Stoke City), Roque Mesa e Boateng foram vendidos, e apenas Viera ficou para tentar liderar tecnicamente a equipe, junto do zagueiro Mauricio Lemos. Alguns reforços ajudam bastante, como Vitolo, emprestado do Atlético de Madrid, e Jonathan Calleri. Mas o Las Palmas deverá correr até mais riscos desta vez.

Leganés
Asier Garitano, comandante do Leganés (Foto: Getty Images)

Asier Garitano, comandante do Leganés (Foto: Getty Images)

Técnico: Asier Garitano
Destaque: Alex Szymanowski (atacante)
Fique de olho: Miguel Ángel Guerrero (atacante)
Temporada passada: 17º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Iván Cuellar (G, Sporting Gijón), Raúl García (D, Alavés), Mauro dos Santos (D, Eibar), Joseba Zaldúa (D, Real Sociedad) e Javi Eraso (M, Athletic Bilbao)

Principais saídas: Iago Herrerín (G, Athletic Bilbao), AdriánMarín (D, Villarreal), Pablo Insúa (D, Deportivo), Unai López (M, Athletic Bilbao), Luciano (A, Corinthians-BRA – emprestado ao Panathinaikos-GRE) e Darwin Machís (A, Granada)

Era justo supor que o time de Leganés iria fazer o bate-e-volta para a segunda divisão, na primeira temporada de sua história na elite do futebol espanhol. Porém, os Pepineros se esforçaram com o que tinham à mão: vários jogadores emprestados. Com as boas temporadas de alguns deles (Darwin Machís foi um bom exemplo), mais a importância dos gols de Alex Szymanowski, o time conseguiu o que parecia dificílimo: fez frente a outros três clubes, e ficou em La Liga. Claro, muita gente acabou indo embora: Pablo Insúa, Unai López e Machís serão ausências sentidas. Para tentar repetir o feito da permanência, o Lega apostou em mais empréstimos: Iván Cuellar, Joseba Zaldúa, Javi Eraso… e os destaques Gabriel e Szymanowski ficaram. Já serviu para ganhar do Alavés na estreia (1 a 0). A salvação será difícil, mas o caminho para ela começou bem.

Levante
Cheick Doukouré, defendendo a Costa do Marfim (Foto: Getty Images)

Cheick Doukouré, defendendo a Costa do Marfim (Foto: Getty Images)

Técnico: Juan Muñiz
Destaque: Roger Martí (atacante)
Fique de olho: Cheick Doukouré (meio-campista)
Temporada passada: campeão da segunda divisão
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: escapar do rebaixamento

Principais chegadas: Oier Olázabal (G, Granada), Antonio Luna (D, Levante), Róber Pier (D, Deportivo), Cheick Doukouré (M, Metz-FRA), Sasa Lukic (M, Torino-FRA) e Alex Alegría (A, Betis) e Deyverson (A, Alavés)

Principais saídas: Natxo Insa (M, Johor Tarul-MAL), Javier Espinosa (M, Granada), Victor Camarasa (M, Betis), Victor Casadesús (A, Tenerife), Rubén García (A, Sporting Gijón) e Deyverson (A, Palmeiras-BRA)

Se terminara a temporada retrasada como último colocado do Espanhol, o Levante “caiu” apenas uma posição em 2016/17: conquistou a Liga Adelante e voltou rapidamente para a primeira divisão. Para fazer com que a queda tenha sido apenas um solavanco numa sequência de quase oito anos na Liga, apostou em alguns empréstimos (Cheick Doukouré e Sasa Lukic são os mais falados) para se somarem a destaques na campanha pela segunda divisão, como Roger Martí, José Luis Morales e Sergio Postigo. A ver se quem fez bom papel no acesso também o fará nesta volta rápida.

Málaga
Sandro Ramírez destacou-se pelo Málaga e foi para o Everton (Foto: Getty Images)

Sandro Ramírez destacou-se pelo Málaga e foi para o Everton (Foto: Getty Images)

Técnico: Míchel
Destaque: Roberto Rosales (lateral esquerdo)
Fique de olho: Adrián González (meio-campista)
Temporada passada: 11º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela

Principais chegadas: Roberto (G, Espanyol), Paul Baysse (D, Nice-FRA), Diego González (D, Sevilla Atlético), Adrián González (M, Eibar), Juankar (M, Braga-POR) e Borja Bastón (A, Swansea-ING)

Principais saídas: Idriss Carlos Kameni (G, Fenerbahçe-TUR), Guillermo Ochoa (G, Standard Liège-BEL), Martín Demichelis (D, encerrou carreira), Pablo Fornals (M, Villarreal), Ignacio Camacho (M, Wolfsburg-ALE) e Sandro Ramírez (A, Everton-ING)

Continua sendo possível para o Málaga uma campanha como as anteriores: no meio de tabela, sem correr grandes riscos. O problema é que, agora, os Boquerones foram pegos em cheio pela janela de transferências. Quase todos os destaques, ou mesmo figuras conhecidas, do time de Míchel foram vendidas. Idriss Carlos Kameni? Deixou de ser o símbolo no gol, indo para o Fenerbahçe. Demichelis encerrou sua carreira. Pablo Fornals, Ignacio Camacho e Sandro Ramírez também deixaram La Rosaleda. Resta apostar que reforços emprestados, como o goleiro Roberto ou o meio-campista Adrián González, entrem rapidamente nos eixos, mantendo a tranquilidade dos malagueños.

Real Madrid
Zidane, técnico do Real Madrid (Foto: Getty Images)

Zidane, técnico do Real Madrid (Foto: Getty Images)

Técnico: Zinedine Zidane
Destaque: Cristiano Ronaldo (atacante)
Fique de olho: Casemiro (meio-campista)
Temporada passada:campeão
Copas europeias: Champions League (fase de grupos)
Objetivo: Título

Principais chegadas: Théo Hernández (D, Atlético de Madrid B), Dani Ceballos (M, Real Betis) e Borja Mayoral (A, Wolfsburg-ALE)

Principais saídas: Danilo (D, Manchester City-ALE), Pepe (D, Besiktas-TUR), Fábio Coentrão (D, Sporting-POR), James Rodríguez (A, Bayern de Munique-ALE) e Álvaro Morata (A, Chelsea-ING)

Este momento, com o Campeonato Espanhol começando, talvez mostre algo inédito em muito tempo: há relativa tranquilidade no Real Madrid. Num clube tão acostumado a crises e autoflagelos para continuar girando a sua roda da (cada vez maior) fortuna, para continuar cada vez mais falado, parece algo novo. Porém, é compreensível. Por mais que gostem de achar pelo em ovo, seria difícil para o mandatário Florentino Pérez e para a torcida questionarem uma equipe que tornou os Merengues o primeiro clube desde 1989/90 a conquistar o bicampeonato europeu – e como se não bastasse, terminou a temporada passada campeão nacional e começou a atual já vencendo inquestionavelmente as Supercopas Europeia e Espanhola.

Méritos totais ao grupo de jogadores – e ao técnico. No banco, calmamente, Zinedine Zidane consegue três feitos. Faz o Real jogar um futebol atraente (o que faltava desde os tempos de Carlo Ancelotti – e ainda assim, esporadicamente); tem nas mãos o controle do elenco; e pega o caminho para se confirmar, antes de técnico, como uma verdadeira “bandeira” histórica madridista, um símbolo como Chamartín não vê desde Alfredo di Stéfano. Claro, de nada adiantaria Zidane se revelar um treinador promissor se o elenco não desse plenas condições para tanto. E dá, como dá.

Na zaga, é inquestionável a firmeza de Sergio Ramos e Raphaël Varane – e a força de Marcelo. O meio-campo do Real enfim chegou ao que o arquirrival Barcelona tinha há alguns anos: o nível de jogo alcançado por Casemiro, Toni Kroos e Luka Modric é admirado mundo afora. No ataque, Karim Benzema ainda tem algo a dar, e Isco parece destinado a fazer desta a sua temporada (como já fez na passada, aliás), como grande parceiro de Cristiano Ronaldo, o “sol” em torno do qual tudo ainda gira no time. Nível no banco de reservas? Se Gareth Bale cai de produção, Marco Asensio rouba a cena, Mateo Kovacic e Lucas Vázquez são confiáveis etc.

E assim o Real Madrid começa a temporada. Dando a impressão de um ambiente paradisíaco como há muito não vivia. Com alguns reforços pontuais (Theo Hernández, Dani Ceballos), liberando alguns jogadores que já não ofereciam muito (Danilo, Pepe, James Rodríguez, Álvaro Morata). Para cumprir uma missão tão lacônica quanto complicada: ganhar. Porque é o único remédio para manter acalma que se vive no Santiago Bernabéu.

Real Sociedad
Carlos Vela tornou-se o primeiro jogador designado da nova franquia da MLS, o Los Angeles FC (Foto: Getty Images)

Carlos Vela tornou-se o primeiro jogador designado da nova franquia da MLS, o Los Angeles FC (Foto: Getty Images)

Técnico: Eusebio Sacristán
Destaque: Juanmi e Willian José (atacantes)
Fique de olho: Adnan Januzaj (atacante)
Temporada passada: 6º colocado
Copas europeias: Liga Europa (fase de grupos)
Objetivo: vaga nas competições continentais/meio de tabela

Principais chegadas:Diego Llorente (D, Real Madrid), Alberto de laBella (D, Olympiacos-GRE) e Adnan Januzaj (A, Manchester United-ING)

Principais saídas: Yuri Berchiche (D, Paris Saint-Germain-FRA), Mikel González (D, não renovou contrato), JosebaZaldúa (D, Leganés) e EstebanGranero (M, Espanyol)

Meio de tabela: é o objetivo primordial da Real Sociedad na temporada. Ainda assim, se houver espaço e possibilidade, o time basco vai aproveitando – e vai subindo. Já fora assim em 2011/12, com o excelente 4º lugar. E foi assim na temporada passada, com o sexto lugar e a vaga na Liga Europa garantidos. Melhor: de certa forma, os alviazuis vivem a fase onde o bom estilo coletivo da equipe faz os destaques se sobressaírem.

Se não há Juanmi, há Willian José. Se não há os dois, há Carlos Vela – que só fica até janeiro, quando se muda para os Estados Unidos. Sem contar Mikel Oyarzábal, Xabi Prieto, Sergio Canales… todos esses seguem em Anoeta, por enquanto. Na zaga, houve a perda de Yuri Berchiche, mas o setor foi reforçado com Diego Llorente e Alberto de la Bella – e Gerónimo Rulli mostra alguma segurança no gol. Mas a meta principal é a de sempre: meio de tabela. Que não ouçam em San Sebastián: a RealSociedad pode fazer mais, se continuar bem como está.

Sevilla
Paulo Henrique Ganso, do Sevilla

Paulo Henrique Ganso continua no Sevilla

Técnico: Eduardo Berizzo
Destaque: Wissam Ben Yedder (atacante)
Fique de olho: Luis Muriel (atacante)
Temporada passada: 4º colocado
Copas europeias: Champions League (enfrenta o Basaksehir-TUR nos play-offs)
Objetivo: vaga nas competições continentais

Principais chegadas: Sébastien Corchia (D, Lille-FRA), Simon Kjaer (D, Fenerbahçe-TUR), Ever Banega (M, Internazionale-ITA), Guido Pizarro (M, Tigres-MEX), Nolito (A, Manchester City-MEX), Jesús Navas (A, Manchester City-ESP) e Luis Muriel (A, Sampdoria-ITA)

Principais saídas: Adil Rami (D, Olympique de Marselha-FRA), Mariano (D, Galatasaray-TUR), Vicente Iborra (M, Leicester City-ING), Matías Kranevitter (M, Atlético de Madrid), Samir Nasri (M, Manchester City-ING), Vitolo (A, Atlético de Madrid), Yevhen Konoplyanka (A, Schalke 04-ALE), Luciano Vietto (A, Atlético de Madrid) e Stevan Jovetic (A, Internazionale-ITA)

Os Rojiblancos tinham tudo para terminarem a temporada passada com tranquilidade. Fizeram o que já estão acostumados a fazer, há muito tempo: mostraram entrosamento em campo, e garantiram vaga nas competições europeias. Talvez só uma melhor participação na Liga dos Campeões teria trazido mais alegrias ao Ramón Sánchez Pizjuan. De todo modo, não havia muitas razões para drama. Só que elas vieram fora de campo, com a saída de Jorge Sampaoli, que desagradou torcida e diretoria, e principalmente com a ausência de Ramón “Monchi” Rodríguez, diretor fundamental no projeto que levou o Sevilla a frequentar as primeiras posições da tabela e a se destacar na Europa.

Além do mais, vários dos jogadores que deixaram o clube na atual janela farão falta. Adil Rami, Mariano, Matías Kranevitter, Vitolo, Vicente Iborra, Samir Nasri… todos foram muito utilizados na temporada passada. Aí entra a facilidade de ter um projeto bem desenvolvido no clube. Porque ela o torna mais receptivo a reforços que têm tudo para manter o nível técnico do Sevilla – como Simon Kjaer, bom nome para a zaga, Nolito e Luis Muriel, respeitáveis atacantes. Porque o deixa aberto para retornos muito úteis (casos de Ever Banega e Jesús Navas). Porque mantém facilmente destaques como Wissam Ben Yedder e Steven N’Zonzi. E porque dá tranquilidade e confiança a um novo técnico – como Eduardo Berizzo, respaldado pelo bom trabalho no Celta -, para que ele mantenha o Sevilla como um dos bons times da Espanha.

Valencia
Simone Zaza fica de vez no Valencia (Foto: Getty Images)

Simone Zaza fica de vez no Valencia (Foto: Getty Images)

Técnico: Marcelino
Destaque: Dani Parejo (meio-campista)
Fique de olho: Neto (goleiro)
Temporada passada: 12º colocado
Copas europeias: nenhuma
Objetivo: meio de tabela/vaga nas competições continentais

Principais chegadas: Neto (G, Juventus-ITA), Ruben Vezo (D, Granada-ESP), Gabriel Paulista (D, Arsenal-ING), Fabián Orellana (M, Celta), Nemanja Maksimovic (M, Astana-CAZ) e Simone Zaza (A, Juventus-ITA)

Principais saídas: Diego Alves (G, Flamengo-BRA), Mathew “Mat” Ryan (G, Brighton-ING), Aderlan (D, São Paulo-BRA), Eliaquim Mangala (D, Manchester City-ING), Mario Suárez (M, Watford-ING), Enzo Pérez (M, River Plate-ARG), Pablo Piatti (A, Espanyol), Zakaria Bakkali (A, Deportivo), Munir El Haddadi (A, Barcelona) e AlvaroNegredo (A, Besiktas-TUR)

Até agora se sentem no Mestalla os efeitos da turbulência vivida na temporada passada: quatro técnicos, um time que nunca soube se definir em campo – e até por esses dois fatores, chegou a ficar em situação perigosa na primeira metade do campeonato. Cesare Prandelli não teve êxito, foi demitido, e coube ao interino Salvador “Voro” González evitar que o incêndio se alastrasse. Com Diego Alves fazendo o que podia no gol, e alguns atacantes se sobressaindo na frente, o mal maior foi evitado, e os Ches conseguiram se segurar na primeira divisão. Para evitar em 2017/18 essas irregularidades em campo (habituais sob o mecenato de Peter Lim, aliás), muitos chegaram e saíram.

A bem da verdade, nenhuma das defecções foi inesperada. Eliaquim Mangala, Mario Suárez e Munir estavam emprestados; Enzo Pérez e Diego Alves preferiram deixar o clube; e Álvaro Negredo ficaria sem espaço no grupo. Sobre as chegadas, é possível celebrar Gabriel Paulista, que chega para ser titular, e Neto, que terá oportunidade valiosa para provar que aprendeu, com o tempo passado no banco de Gianluigi Buffon na Juventus, e tornou-se goleiro mais seguro. Contudo, as razões principais para comemorar estão nas permanências definitivas de Fabián Orellana e Simone Zaza, já importantes na temporada passada. Com eles (mais Carlos Soler e Dani Parejo, outros destaques), quem sabe Marcelino já tenha uma espinha dorsal para formar um time mais entrosado. Já ajudaria a dar mais tranquilidade.

Villarreal
Carlos Bacca, ex-Milan, foi a principal contratação do Villarreal (Foto: Getty Images)

Carlos Bacca, ex-Milan, foi a principal contratação do Villarreal (Foto: Getty Images)

Técnico: Fran Escribà
Destaque: Roberto Soriano (meio-campista)
Fique de olho: Enes Ünal (atacante)
Temporada passada: 5º colocado
Copas europeias: Liga Europa (fase de grupos)
Objetivo: vaga nas competições continentais

Principais chegadas:Andrés Fernández (G, Porto-POR), Rúben Semedo (D, Sporting-POR), Pablo Fornals (M, Málaga), Carlos Bacca (A, Milan-ITA) e Enes Ünal (A, Manchester City-ING)

Principais saídas: Yoel Rodríguez (G, Eibar), MateoMusacchio (D, Milan-ITA), José Ángel (D, Porto-POR), Adrián López (A, Porto-POR) e Rafael Santos Borré (A, Atlético de Madrid)

É possível dizer que o Submarino Amarelo foi dos times mais agradáveis de serem vistos na temporada passada. Tanto pelo estilo ofensivo em termos táticos, quanto pela variedade de destaques reais na equipe. Se Roberto Soriano decepcionava, Nicola Sansone aparecia. Quando os dois não venciam a marcação, Manu Trigueros despontava. E se faltassem os três, Cédric Bakambu sempre estava pronto para atormentar as defesas adversárias. Como se não fosse suficiente, a defesa tinha um zagueiro seguro em Mateo Musacchio – e um bom goleiro em Sergio Asenjo. Ou seja: a vaga na Liga Europa e a boa campanha foram totalmente merecidas.

E a situação continua boa. A única baixa sentida em El Madrigal, até agora, é Musacchio. De resto, todos os destaques continuam: Mario Gaspar, Soriano, Manu Trigueros, Sansone, Bakambu. E os reforços são muito promissores. Para a zaga, Ruben Semedo impõe respeito e traz força física; no ataque, se Enes Ünal já era merecedor de atenção, pelos gols marcados na Holanda defendendo o Twente, a situação ficou ainda melhor com a chegada por empréstimo de Carlos Bacca, que pode até ter sido discreto nos últimos tempos de Milan, mas foi destaque marcante no Sevilla. Além do mais, traz o marco de ter sido destaque no título dos Rojiblancos na Liga Europa de 2014/15. Poucos sinais poderiam ser melhores para o Villarreal, que tem condições amplas de novamente ir longe.