Sport, Football International, British Championship, Goodison Park, Liverpool, England, 1st April 1911, England 1 v Scotland 1, J,Stewart has scored the England goal in front of a large crowd  (Photo by Bob Thomas/Popperfoto/Getty Images)

Há 130 anos, nascia o embrião da Copa do Mundo: o primeiro torneio de seleções da história

A Copa do Mundo foi disputada pela primeira vez em 1930. Uma ideia que, no entanto, demorou a ser posta em prática. Jules Rimet imaginara a criação de um Mundial para as seleções de futebol logo em seus primeiros anos como dirigente na Fifa. Um sonho inviabilizado com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914 e que só começaria a tomar forma em 1928, quando o governo uruguaio aceitou a pagar as despesas de viagem das seleções que entrassem no torneio. O embrião da Copa, de qualquer forma, já tinha nascido quase meio século antes. E completa 130 anos de seu pontapé inicial neste domingo.

No dia 26 de janeiro de 1884, Escócia e Irlanda (que, na época, era um país só, Eire e Ulster) abriam a primeira edição do British Home Championship, o Campeonato Britânico. E a vitória em Belfast por 5 a 0 dos escoceses, que se sagrariam campeões daquele torneio, foi o de menos. A verdadeira importância não estava no jogo em si, mas no fato de que naquele momento começava a primeira competição de seleções da história do futebol.

Regras unificadas, pontos corridos, calendário de fim de temporada

O Campeonato Britânico surgiu como uma inovação. Desde o início da década de 1870, ingleses e escoceses vinham disputando jogos sob as cores de seus países, mas sem que houvesse uma convocação dos melhores – especialmente escoceses, limitados a moradores da região de Londres. Assim, o conceito de ‘seleção nacional’ foi criado em 1872. Escócia e Inglaterra reuniram aqueles que consideravam seus principais jogadores e disputaram o primeiro amistoso internacional, um empate por 0 a 0 assistido por quatro mil pessoas.

Desde então, as partidas entre as seleções britânicas se tornaram corriqueiras, especialmente depois da criação das equipes da Irlanda e de Gales. Só havia um problema delicado: naquela época, as regras eram consideravelmente diferentes entre um país e outro. Nos amistosos, aplicavam-se as leis de quem estivesse jogando em casa. Para que o torneio fosse viabilizado, foi criada em dezembro de 1882 a International Board. A entidade que ficaria responsável por uniformizar as regras do jogo e que, até hoje, é quem tem a decisão final sobre essas questões.

A mesma reunião que criou a International Board também viabilizou o Campeonato Britânico. Na verdade, era apenas uma sistematização dos amistosos que já aconteciam todos os anos. E em um sistema bem simples: cada seleção se enfrentaria uma vez, em um quadrangular. O vencedor somaria dois pontos, o empate renderia um e quem somasse mais pontos se sagraria campeão. Uma fórmula básica, mas que acabou influenciando as competições de futebol por décadas – inclusive o Campeonato Inglês, primeira liga do mundo, nascida em 1888/89, e a Copa América, que adotou o mesmo formato em sua primeira edição, em 1916.

Naquela primeira edição, ainda houve um problema básico de planejamento no Campeonato Britânico. A última rodada da competição foi marcada justamente para o dia da final da FA Cup. A Escócia estaria em campo, mas não poderia contar com os jogadores do Queen’s Park, principal clube do país. Os desfalques não atrapalharam a seleção naquele título, mas, a partir de então, o conflito entre datas deixou de ser problema. O Campeonato Britânico seguiu disputado ao final da temporada, mas muitas vezes aguardando o término das competições de clubes para agendar suas últimas rodadas.

O Campeonato Britânico durou por 100 anos. Resistiu a duas Guerras Mundiais. Viu o nascimento de todos os outros grandes campeonatos envolvendo seleções. Chegou até mesmo a valer como parte das Eliminatórias, em 1950 e 1954. Porém, a perda de importância, o calendário congestionado, a eclosão do hooliganismo e as tensões na Irlanda do Norte provocaram o fim da competição em 1983/84. A Inglaterra, com 54 títulos, se eternizou como a grande campeã, 13 a mais que a grande rival Escócia. E, por mais que o Campeonato Britânico esteja limitado hoje aos livros de história, sua influência pode ser notada ainda hoje – e, especialmente em 2014, com mais uma edição da Copa do Mundo.