Daniele De Rossi não faz questão de ser uma unanimidade. É daqueles personagens que cometem os seus deslizes, mas não tem travas a reconhecer os seus erros ou a reafirmar sua personalidade. Querido ou não, é autêntico. Bastante passional. E que possui como maior símbolo da carreira a dedicação à Roma. O garotinho nascido na Cidade Eterna cresceu venerando os giallorossi desde cedo. Há exatos 15 anos, cumpria um de seus sonhos. Em 25 de janeiro de 2003, o meio-campista defendeu os romanistas pela primeira vez no Campeonato Italiano, encarando o Como. Uma história que segue em frente, mesmo depois de tanto tempo, com mais de 400 partidas pela liga.

Filho de um ex-jogador, Alberto, de carreira bem mais modesta, Daniele não demorou a pegar o gosto pelo futebol. E a Roma seria consequência neste processo, em tempos nos quais os giallorossi contavam com times bastante fortes. A maior influência do menino foi seu tio, Osvaldo, um romanista fanático. Foi ele quem deu a primeira camisa ao sobrinho, assim como o levou para desbravar o Estádio Olímpico quando tinha 10 anos. Paixão irremediável, por mais que sofresse alguns descaminhos.

Os primeiros passos de De Rossi no futebol foram dados no Ostia Mare, um pequeno time do Lácio. A equipe possuía um convênio com a Roma e o então atacante chegou a atrair o interesse dos giallorossi, que desejavam desenvolvê-lo em sua própria base. Nada feito. Quando tinha nove anos, o garoto recusou o convite, conforme afirmou em entrevista ao site da Uefa. E faria isso outras duas vezes nos meses seguintes. Tinha os seus motivos. Não queria abandonar os amigos. Neste intervalo, o jovem talento chegou a jogar uma competição em Trigoria e aumentou seus amores pelo clube de seu coração. Até que a Roma voltasse, pela quarta vez, a chamá-lo. Aos 12 anos, passou a vestir a camisa que tanto adora.

Na Roma, De Rossi teve todas as condições para se desenvolver. De atacante, foi recuado como meia, até ser transformado em volante nos juvenis. Além disso, podia contar com o apoio de seu pai, que trabalhava como treinador nas categorias de base. Mas as costas quentes pouco influenciaram para o seu sucesso. Sua vontade e a sua qualidade foram bem mais determinantes. A estreia oficial aconteceu em outubro de 2000, encarando o Anderlecht pela Liga dos Campeões, aos 18 anos. Naquele momento, porém, o jovem era uma alternativa apenas às copas. Precisou esperar 15 meses para ganhar a primeira chance na Serie A.

Aos 19 anos, De Rossi entrou de titular contra o Como. Compartilhou o campo com Totti, Montella, Delvecchio, Tommasi, Samuel, Aldair, Cafu, Antonioli e outros grandes nomes. O time Fabio Capello não foi feliz naquela jornada, perdendo fora de casa por 2 a 0. Mas não se pode negar que a história estava sendo feita. Na temporada seguinte, as aparições do novato começaram a ser mais frequentes. Já em 2004/05, ele conquistou a titularidade. Para não sair mais e construir uma trajetória ímpar no Estádio Olímpico. Mesmo recebendo propostas de outros clubes, incluindo o Manchester United onde brilhava seu ídolo Roy Keane, ele preferiu ficar. Permanece como um escasso exemplar daqueles que optam por honrar apenas uma camisa. E lá se vão 15 anos de uma relação inquebrantável na Serie A.