Thiery Henry guarda a imagem. Não apenas na memória. Tem a foto de quando terminou de comemorar um gol diante dos torcedores do Tottenham, encarando-os, e, de vez em quando, para para observá-la. Observa os rostos dos visitantes que foram a Highbury naquele 16 de novembro de 2002. Observa expressões, decepção, raiva e, também, a ausência de expressões. Pessoas apenas olhando. Pessoas tentando entender como aquele jogador havia acabado de fazer aquilo.

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Eram os primeiros minutos da 14ª rodada da Premier League. O Arsenal estava em segundo lugar, a um ponto do Liverpool, e uma vitória, como aconteceu, por 3 a 0, poderia devolvê-lo à liderança do campeonato – e o devolveu. Uma cobrança de lateral dos donos da casa foi afastada para a intermediária. Henry coletou a bola a poucos passos da sua própria grande área. Cinco ou seis. Sete, no máximo.

Permitiu que ela pingasse e dominou com a coxa. Amorteceu um pouco mais com a ponta do pé direito. E avançou. E avançou. E avançou. A primeira resistência foi superada na velocidade mais pura. Especialidade de Henry. O segundo marcador passou com uma simples mudança de direção. Um outro toque matou o terceiro marcador. E a perna esquerda acertou as redes.

Henry marcou, mas não parou de correr. Continuou até deslizar de joelhos diante dos torcedores do Tottenham. A comemoração mais emblemática da carreira do francês no norte de Londres. O ato imortalizado em mármore.

Nove anos depois daquele dia, três estátuas foram reveladas nos arredores do Emirates Stadium. Uma de Herbert Chapman, uma de Tony Adams e outra de Henry, ajoelhado, com a cabeça levemente inclinada para baixo, os punhos fechados paralelamente ao corpo.

Segundo ele, o exemplo perfeito do amor que tem pelo Arsenal.