A situação daquela noite de 1996 não era tão dramática quanto à deste sábado. Importante, sim, e muitíssimo. O Atlético de Madri liderava com certa folga, mas era perseguido pelo Barcelona. Os tropeços dos colchoneros permitiram a aproximação dos blaugranas. Três pontos à frente, o clube da capital visitaria os concorrentes no Camp Nou, em duelo decisivo para definir a liderança. Notou as semelhanças? A única diferença é que aquele confronto acontecia ainda na 37ª rodada, em um campeonato de 42. Ainda assim, acabou sendo decisivo para definir o título.

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Se quisesse impedir a arrancada do Barça, o Atleti teria que se impor no Camp Nou lotado. O momento dos catalães era de crise, com o Dream Team se esfacelando mais e mais. De qualquer forma, era preciso respeito. Afinal, do outro lado, ainda estavam Hagi, Popescu, Nadal, Sergi e outros jogadores tarimbados. Sem falar em Luis Figo, promessa que havia acabado de chegar ao clube. E todos seguiam às ordens do homem que revolucionou os blaugranas ao longo dos oito anos anteriores, Johan Cruyff.

O Atlético tinha esse respeito. Só que também possuía uma enorme consciência de que precisava tirar as esperanças dos rivais ali, naquela partida. Foi o que fizeram. Extremamente objetivo, o time treinado por Radomir Antic se impôs no Camp Nou.  Caminero começou o show com um drible espetacular em Nadal, logo aos 11 minutos, abrindo o caminho para Roberto anotar o primeiro. Jordi Cruyff esboçou uma reação do Barcelona ao empatar ainda no primeiro tempo. Mas a segunda etapa foi colchonera. Em um frangaço de Busquets (Carles, o pai de Sergio), Vizcaíno retomou a vantagem. Caminero fazia o diabo, com pancada na trave e gol anulado. A tranquilidade, porém, veio dos pés de Biagini, que fechou a vitória por 3 a 1.

Com a vitória, o Atlético abriu seis pontos de vantagem na primeira colocação de La Liga. Para nunca mais ser alcançado. O Barcelona se afundou ainda mais na crise e ainda foi ultrapassado pelo Valencia. Cruyff sequer resistiu até o fim da temporada e terminou sua era como técnico dos blaugranas ali. Já o Atleti aguardou paciente até a última rodada, quando a vitória sobre o Albacete no Vicente Calderón lhe garantiu o título espanhol de 1995/96. O último até esta tarde decisiva.

Entre os campeões naquele ano, alguns jogadores emblemáticos com a camisa colchonera. Diego Simeone era um deles. O jovem meio-campista, o vice-artilheiro da equipe naquela temporada vitoriosa, não jogou no Camp Nou. Contra o Albacete, marcou até mesmo um dos tentos que garantiram a taça. Neste final de semana, pode se tornar o terceiro na história do clube a ser campeão como jogador e como treinador. Sabe que, como em abril de 1996, sua equipe precisa entrar em campo com a mesma vontade de 18 anos atrás. Talvez, para ter o mesmo destino triunfante daqueles campeões.