Romário e Ronaldo formaram uma dupla que, efetivamente, o Brasil não pôde desfrutar em uma Copa do Mundo. Mas que boas lembranças os dois deixaram quando puderam jogar juntos. O ciclo entre os Mundiais de 1994 e 1998 foi especialmente prolífico aos gênios. O Baixinho vinha aclamado depois do tetra. Já o Fenômeno deixava embasbacado quem quer que fosse por suas arrancadas e seus golaços. E, em meio à parceira, 1997 acabou marcado. A Seleção conquistou a Copa América e foi vice do Torneio da França. Já na decisão da Copa das Confederações, no último jogo do ano, o ápice de Romário e Ronaldo juntos: uma tripleta para cada, demolindo a Austrália por 6 a 0 no Estádio Rei Fahd. A noite explosiva de dois dos maiores que o futebol já viu, ocorrida há exatos 20 anos.

O “Brasil dos carecas” vinha se impondo desde a fase de grupos, mesmo sem impressionar tanto. Bateu Arábia Saudita e México, além de empatar sem gols contra a Austrália. O maior desafio ocorreria nas semifinais, diante da República Tcheca, aclamada depois da grande campanha na Euro 1996, em que acabou com o vice-campeonato – e representando o seu continente, diante da ausência da Alemanha na competição. No entanto, Romário e Ronaldo fizeram o serviço. O camisa 11 abriu o placar após passe de Juninho Paulista e o camisa 9 completou cruzamento de Denílson para fechar a conta em 2 a 0. Assim, o desafio na final seria a Austrália, responsável por eliminar o Uruguai na outra semifinal, graças um gol de ouro de Harry Kewell.

Os australianos contavam com alguns dos expoentes de uma grande geração: Mark Bosnich, Tony Vidmar, Mark Viduka, Harry Kewell. Nada comparável ao Brasil de Zagallo. A Seleção de Dida, Cafu, Aldair, Júnior Baiano, Roberto Carlos, Dunga, César Sampaio, Juninho, Denílson e, claro, Romário e Ronaldo. O favoritismo estava apenas de um lado, embora fosse possível acreditar que os australianos tinham capacidade para complicar, especialmente por sua força defensiva. Após 0 a 0 na fase inicial, o técnico Terry Venables se gabara de ter encontrado a “fórmula mágica” para brecar os tetracampeões mundiais. Isso até a dupla de ataque canarinho resolver jogar.

Em 15 minutos, Ronaldo já abria o caminho para a vitória, aproveitando passe de Denílson. Para complicar ainda mais os australianos, Viduka recebeu o vermelho direto ao acertar um pontapé em Cafu. E os brasileiros não teriam piedade. Antes do intervalo, Ronaldo fez mais um em belo toque com a parte de fora do pé e Romário exibiu sua credencial, completando cruzamento de Cafu. Três vira? Seis acaba. Um chute de biquinho do Baixinho rendeu o quarto, enquanto o Fenômeno arrancou para o quinto, em suas características. Por fim, o Rei da Grande Área fechou a conta cobrando pênalti. Dos títulos já conquistados pelo Brasil, talvez seja o mais inapelável.

A Bola de Ouro naquela Copa das Confederações, curiosamente, ficou com um terceiro elemento: o então promissor Denílson, despontando com seus dribles maravilhosos. Já a Chuteira de Ouro coube a Romário, autor de sete gols em cinco partidas. Ronaldo seria “apenas” o Bola de Ouro da France Football. Durante as comemorações pelo título, o Baixinho prometeu repetir o nível das atuações também no Mundial da França. Ficou no sonho. Somente Ronaldo estaria lá, para arrebentar até as semifinais, antes de seu calvário na decisão. A dupla faria mais um punhado de jogos juntos pela Seleção, mas nunca no maior dos palcos: a Copa do Mundo.