Há 25 anos, o futebol chileno viveu o seu episódio mais vergonhoso. Em partida decisiva pelas Eliminatórias da Copa de 1990, o Chile visitou o Brasil no Maracanã. Precisava da vitória para conseguir a classificação para o Mundial da Itália, mas perdia por 1 a 0 quando o lance que definiu o jogo aconteceu. Um foguete explodiu próximo da meta de Roberto Rojas, o capitão dos visitantes. O goleiro apareceu com o rosto sangrando e a Roja foi direto para os vestiários, depois de uma grande confusão nos gramados.

VEJA TAMBÉM: A maior vitória da história do Chile

Aquele 3 de setembro acabou com a carreira de Rojas. Na verdade, o goleiro tinha uma lâmina escondida nas luvas, que usou para cortar o rosto. Confessada a farsa 87 dias depois, o Brasil teve a vitória declarada. O Chile foi suspenso das Eliminatórias de 1994, sem a chance de ver a geração que conquistou a Libertadores de 1991, com o Colo Colo, jogar em primeiro nível. O presidente da federação chilena, o técnico da seleção e o vice-capitão foram sancionados por cinco anos. E Roberto Rojas acabou banido do esporte pelo resto da vida.

A partir de então, o goleiro passou a ser lembrado na maioria das vezes como um canalha. Pouco se diz da carreira que construiu, considerado por muitos o melhor goleiro da história do Chile. El Condor já tinha 32 anos e uma carreira consolidada quando o episódio aconteceu. Era tratado como um mito no Colo Colo, seu clube de coração. Revelado pelo Deportes Aviación, chegou aos Albos em 1981, vencendo duas vezes o Campeonato Chileno e duas a Copa do Chile. Em 1987, viveu o grande ano da carreira, vice-campeão da Copa América em uma campanha na qual o Chile chegou a golear o Brasil por 4 a 0.

Partido a Beneficio de Roberto Rojas

Por conta das atuações no torneio continental e também na Libertadores daquele ano, quando o Colo Colo chegou a vencer o São Paulo dentro do Morumbi, Rojas foi contratado pelo Tricolor. Passou dois anos no clube, duas vezes campeão paulista. Até o foguete do Maracanã interromper sua trajetória no clube, substituído por Zetti no time titular. Tempos depois, Rojas passou a trabalhar como treinador de goleiros e também foi técnico do São Paulo. Recebeu anistia da Fifa apenas em 2000, aos 43 anos.

“Mais que nessa partida, pior foi o que vivi depois. Aí vi como se manejava a máquina do futebol. O sistema é complicado. Mas, junto com o sistema, estava o meu erro. Depois de assumi-lo, tudo foi mais difícil. As portas se fecharam de maneira drástica. Não me davam a possibilidade de estar dentro do futebol. Não foi algo firmado, mas a atitude de todos”, afirmou, recentemente, em entrevista à imprensa local. “Cometi um erro porque acreditei que poderia fazer algo importante para a glória do futebol chileno, mas não era aquele o caminho”.

O reconhecimento tardio, sem ressentimentos, foi recebido por Rojas em 2003. O goleiro foi convidado para defender o time de estrelas montado por Iván Zamorano no jogo de despedida do atacante. “Quando entrei, foi uma coisa bonita, sentir os aplausos. É o reconhecimento do que fiz dentro e fora dos campos. O público chileno é solidário, porque o único prejudicado de toda a história fui eu”, analisou. Não foi o único. Mas, com certeza, ninguém foi mais do que ele.

Abaixo, um vídeo com algumas grandes defesas de Rojas pela seleção: