Enéas nunca disputou uma Copa do Mundo. Nunca conquistou grandes títulos. Nunca fez sucesso no futebol europeu. Nunca precisou disso. Para o atacante rubroverde, bastou dedicar-se por nove anos a uma torcida. Uma massa que não é das mais numerosas, mas está entre as mais fanáticas. Os gols e as jogadas plásticas foram suficientes para transformar Enéas em ídolo, o maior da história da Portuguesa. Para que se tornasse eterno, por mais que tenha perdido a vida há 25 anos.

Se estivesse vivo, Enéas completaria 60 anos nesta terça-feira. Não foi tão badalado quanto outros tantos de seus contemporâneos, em uma geração liderada por Zico, Sócrates e Falcão. A concorrência talvez tenha sido mesmo o maior empecilho para que não tenha disputado mais do que três partidas pela seleção principal, embora as acusações de que lhe faltava vontade em alguns jogos também pesasse. Ainda assim, Enéas se fez um gigante no Canindé. Os lampejos do craque já satisfaziam os rubroverdes. E, de tão repetidos esses momentos de brilhantismo pela Lusa, o ponta se tornou um de seus maiores artilheiros da história do clube.

Dimensionar a importância de Enéas na Portuguesa é um trabalho mesmo para os torcedores, os únicos que tiveram a chance de cultuá-lo em seu ápice. E as palavras de Flávio Gomes, na ocasião dos 25 anos da morte do atacante, fazem isso com a maestria que lhe é característica. A quem nunca torceu pelo ídolo rubroverde, basta admirar as imagens que ajudam a relembrar sua classe. E, a quem quiser, lamentar por não ter um ídolo que encarnasse tão bem as cores do próprio clube.