Em qualquer lista dos cinco maiores camisas 10 do Brasil, Pelé e Zico estarão lá. Por mais que se tenha birra com qualquer um deles, não dá para menosprezar a importância dos dois gênios. Que, de certa forma, tiveram forte influência de outro grande craque que vestia a 10: Edvaldo Alves de Santa Rosa. Maior artilheiro do Flamengo antes do Galinho e o titular que acabou abrindo espaço para que o Rei estourasse na Copa de 1958, Dida completaria 80 anos nesta quarta, se ainda estivesse vivo. Merece ser aplaudido sempre.

Afinal, ser grande nome do Flamengo antes do surgimento de Zico é um mérito e tanto, diante do peso de ter que substituir Leônidas da Silva e Zizinho, ídolos máximos na Gávea entre as décadas de 1930 e 1940. Nascido em Alagoas, Dida foi revelado pelo CSA e acabou descoberto em uma excursão do time de vôlei do Fla, passando a vestir rubro-negro em 1954. Porém, só um ano depois é que o meia-atacante passou a se tornar nome frequente na equipe treinada por Fleitas Solich. Para causar impacto imediato no então bicampeão carioca.

O segundo tricampeonato estadual do clube foi conquistado sob a estrela de Dida. Formando uma linha de ataque poderosa ao lado de Joel, Paulinho, Evaristo e Zagallo, o novato foi o vice-artilheiro do time, com 15 gols. Quatro deles anotador no terceiro jogo da decisão. Logo após o Flamengo tomar de 5 a 1 para o America no segundo jogo, Dida refez o moral da torcida ao comandar a goleada por 4 a 1 sobre os alvirrubros, levando ao delírio a maioria dos 140 mil espectadores que lotaram o Maracanã.

O sucesso com o Flamengo fez Dida chegar à seleção em maio de 1958, às vésperas da Copa do Mundo. Estreou já com a camisa 10 e marcando um gol de letra no massacre por 5 a 1 sobre o Paraguai. No segundo tempo, acabou dando lugar ao menino chamado Pelé, que também balançou as redes, seu terceiro tento no terceiro jogo pelo Brasil. Porém, uma contusão do santista fez com que Vicente Feola optasse por Dida. Mais rodado, o flamenguista rendeu bem nos outros amistosos, marcando outros dois gols. Estreou no Mundial da Suécia como titular, na vitória por 3 a 0 sobre a Áustria. Mas não agradou, sentindo a pressão.

A sequência de Dida não duraria. Com Pelé ainda se recuperando, o alagoano foi substituído no jogo seguinte por Vavá. O vascaíno vinha bem nos treinos e compôs uma dupla de atacantes centrais de mais presença física contra a Inglaterra, ao lado de Mazzola. E, quando a classificação estava em risco, Feola colocou Pelé em campo diante da União Soviética. Garrincha e Vavá deram sobrevida ao time naquela partida e, depois disso, o prodígio se consagraria como um dos protagonistas do time.

Depois disso, foram somente mais duas convocações para o craque do Flamengo. Que, se não era valorizado pela equipe nacional, seguia adorado pelos rubro-negros. O camisa 10 conquistaria mais o Carioca de 1963 e o Torneio Rio-São Paulo de 1961. Em nove anos no clube, balançou as redes 264 vezes em 358 jogos. Todavia, uma rixa com o técnico Flávio Costa acelerou sua saída. Em 1963, seguiu para a Portuguesa como o maior artilheiro da história do Fla. Deixou como fã um garoto chamado Zico, que oito anos depois estrearia no clube, pelas mãos do mesmo Fleitas Solich. Para honrar a camisa 10 de seu ídolo.

Dida não tinha muitos motivos para reclamar dos dois craques que o superaram e impediram que ocupasse um lugar ainda mais importante na história do futebol. Morreu em 2002, aos 68 anos.

Abaixo, o vídeo relembra o talento de Dida em campo, assim como algumas de suas histórias: