Na Copa Uefa deste ano, o Halmstads passaria despercebido como mais um time de nome esquisito dentro da fase de grupos do torneio. Porém, para chegar até lá, a equipe sueca surpreendeu o Sporting em pleno José Alvalade. Sem dúvida, uma credencial de peso para um time ainda modesto em seu próprio país.

Na fase preliminar, o HBK eliminou o Linfield, da Irlanda do Norte. Pela frente, a equipe sueca encararia o vice-campeão do último torneio. O Sporting venceu fora de casa, na primeira partida, por 2 a 1. O resultado forçava um triunfo em Portugal para o Halmstads prosseguir na competição.

A partida caminhava para um empate por 1 a 1, ótimo para o time português. Porém, a situação começou a mudar graças a um gol de Zvirgzdauskas, marcado nos acréscimos. Seriam necessários mais trinta minutos para decidir quem passaria para a próxima fase. O Sporting saiu na frente, mas o HBK igualou a cinco minutos do final. O que parecia algo impossível se cristalizava no gramado.

Um campinho e um hotel

A história do Halmstads começa em 1909. Neste ano, um grupo de jovens do lado oeste da cidade resolveu fundar um clube de futebol. Deram a ele o nome de BK Wasa. Porém, a nova agremiação teve um curto período de vida. Pouco tempo depois da extinção do time, uma nova turma aproveitaria os “restos mortais” para conseguir se desenvolver.

Eles eram jogadores que treinavam e atuavam pelo Viking, mas não contavam com uma estrutura adequada para a prática do futebol. Ora, o BK Wasa chegou a utilizar um campinho para suas peladas e que logo ficou abandonado. Os jovens perceberam ali estarem diante da solução para seus problemas; então, decidiram tomar conta do Wasa Field, como foi batizado o local, para baterem uma bolinha. Cuidaram bem dele e lhe deram uma nova cara.

Corria o ano de 1914. Para formalizar todas aquelas mudanças significativas, os jogadores marcaram uma reunião. O local escolhido para o encontro foi o Hotel Lugnet, que existe até hoje, embora situado em outro local. Nascia o Halmstads Bollklubb (HBK). Axel Winberg foi eleito presidente e a primeira medida foi solicitar a entrada do recém criado clube na Associação Sueca de Esportes Atléticos, fato consolidado em 6 de março daquele ano.

Nas décadas de 10 e 20, o HBK participou de diversos torneios regionais. Logo surgiu uma rivalidade com três times da mesma cidade: Halmia, Halmstad Kamraterna e Halmstads IF. Em pouco tempo, a equipe dominaria o cenário local e suplantaria seus adversários.

A infra-estrutura do clube necessitava acompanhar o rápido desenvolvimento do clube. Sendo assim, em 1922 o Halmstads inaugurou o estádio Örjans Vall, situado próximo ao rio Nissan. Era a marca de uma equipe em pleno crescimento. Três anos depois, o HBK disputou seus primeiros jogos internacionais, contra o Rüdolfshügel (Áustria) e o B 03 (Dinamarca).

Rumo à elite

Estava na hora de tentar um vôo mais ousado. Em 1926, o Halmstads esteve a um passo de se classificar para a primeira divisão sueca. Para isso, deveria enfrentar o Elfsborg em uma melhor de três jogos preliminares. O clube fracassou, pois, no placar agregado, perdeu por 2 a 1. O sonho de chegar à elite não tardaria a se concretizar.

O time novamente teve o direito de disputar a promoção em 1933. O adversário da vez foi o Krokslätt, e o Halmstads finalmente pôde comemorar o ingresso entre os melhores do país. Em sua temporada de estréia, a equipe alcançou um surpreendente quarto lugar. Nada mal para quem acabara de chegar. Na mesma temporada, Emil Carlsson tornou-se o primeiro jogador do clube para defender a seleção sueca.

A aventura na elite durou até 1937, quando o Halmstads retornou à segundona. O clube alternou promoções e rebaixamentos até 1955, quando terminou em segundo na primeira divisão, graças aos gols dos atacantes Sylve Bengtsson e Östen Ståhl.

A Suécia recebeu a Copa de 58 e o torneio teve duas partidas disputadas no Örjans Vall: Irlanda do Norte 1×0 Tchecoslováquia e Argentina 3×1 Irlanda do Norte. Porém, o clima festivo trazido pelo Mundial seria substituído pela decepção no HBK. Um ano depois, o time caiu para a segunda divisão, sem conseguir sair dela até 1965. Só que, em vez de subir, desceu para o abismo da terceirona.

Três temporadas depois, a equipe começou a se reerguer. Subiu para a segundona e, em 1969, assinou o primeiro contrato profissional de um jogador. Em 1971, o HBK reencontrou a elite para viver uma de suas épocas mais douradas.

A contratação do treinador Roy Hodgson viria a mexer não apenas com o Halmstads, mas afetaria todo o futebol nacional. Com uma maneira diferente de tratar o esporte, logo o inglês fez sucesso e serviu de influência para todo o país. Ele conduziu o HBK ao título em 1976. O sucesso custou a venda do meia Lennart Larsson ao Schalke 04 na temporada seguinte.

A conquista se repetiria em 79, com poucas mudanças no elenco. Com relação ao primeiro título, o HBK tinha como novidades os reforços de Bo Mattson e Stefan Larsson. Hodgson deixou o clube em 80, com direção ao Bristol City. O clube esperaria 18 anos para levar outra taça para casa.

Aposta na base

Até meados da década de 80, o time adquiriu uma estabilidade na divisão principal, terminando em posições medianas. Em 87, a contusão de um grande número de jogadores enfraqueceu o elenco, que não resistiu e foi rebaixado após 14 anos na elite. Até 92, quando retornou em definitivo, o time mantinha-se como um ioiô. A descoberta de uma fórmula infalível de sucesso causou a mudança desta visão.

O HBK passou a olhar com mais atenção para as divisões de base. Com investimentos voltados para a revelação de jovens promessas, o clube voltou com força total. Conquistou a Copa da Suécia em 95 e aprontou uma surpresa na Recopa Européia. Em Gotemburgo, o Halmstads derrotou o Parma de Gianfranco Zola, Hristo Stoichkov e Tomas Brolin por 3 a 0.

A geração de ouro ainda venceria o campeonato sueco de 97. No ano seguinte, uma das estrelas do elenco acabou vendida para o Arsenal, por três milhões de libras: Fredrik Ljungberg. Em 2000, apesar de perder na última rodada, o HBK ganhou um novo título nacional. Como se não bastasse mais um troféu, Håkan Svensson, Michael Svensson e Stefan Selakovic foram eleitos, respectivamente, os melhores goleiro, defensor e centroavante do ano.

O quinto título sueco escapou por 36 minutos. Em 2004, a equipe vencia em casa o IFK Göteborg e estava com as mãos na taça. Era a última partida da temporada, e os visitantes arrancaram o empate. Apesar da frustração com o vice, o HBK classificou-se para a disputa da Copa Uefa.