Começo de temporada é sempre um período divertido para quem acompanha futebol; como os times ainda estão se ajustando, os elencos se formando e as peças sendo testadas, é comum uma exaltação exagerada em torno de algumas equipes ou atletas. Aquele velho clichê de ‘cavalo paraguaio’ não pode ser esquecido, mas em campeonatos fortes esses ‘cavalos’ viram ‘pôneis’ rapidamente. Portanto, pedimos a confiança do leitor para o nome que apresentaremos, que não é um mero ‘jogador-de-primeiras-rodadas’.

Para quem acompanha a Premier League, o primeiro nome que vem à cabeça quando se fala em revelação, em bom início de temporada e em futuro promissor é o de Darren Bent, realmente um excepcional definidor que foi peça fundamental no bom inicio do Charlton no campeonato. Mas podemos ir além e apostar num outro atacante, de características de certo modo parecidas com as de Bent. O nome dele é Marlon Harewood.

Floresta rica em frutos

Harewood já não é nenhum jovem. Com 26 anos, ele não pode ser considerado uma promessa para o futuro, mas, ao mesmo tempo, também não pode ser descartado como jogador velho e ultrapassado. Realmente agora, a quatro anos de chegar aos 30, ele passa pela melhor fase ide sua carreira.

Natural da cidade de Hampstead, Marlon profissionalizou-se no Nottingham Forest em 1996. Até 1999, ele esteve no time sem nenhum destaque, até que, nesse ano, foi emprestado para o Ipswich. Sua passagem foi rápida e voltou para Nottingham ainda em 1999. No entanto, depois do retorno, ele parecia outro jogador: Harewood estava mais esperto, com uma personalidade forte e finalmente havia percebido que ou começava a mostrar futebol ou sua carreira nunca decolaria.

A partir daí seu jogo foi crescendo, até que na 2002/3 marcou 21 gols em 44 jogos pelo Forest, uma marca excepcional que ajudou o time a chegar aos playoffs da segunda divisão.

Contrata! Bate o martelo!

Naquele mesmo ano de 2003 ocorreu o primeiro encontro entre Harewood e a torcida do West Ham, em uma partida válida pela FA Cup, em janeiro. Quem venceu o jogo foi o Nottingham, e Marlon deixou sua marca.

Seu futebol impressionou os dirigentes do time londrino, que passaram a cobiçá-lo. Mesmo assim Marlon terminou aquela temporada pelo Forest, e só foi vendido ao West Ham só em novembro, mais de 10 meses após o primeiro encontro entre ambos. O mais curioso nessa transação foi o valor: € 700 mil, relativamente pouco para um jogador que já havia sido destaque na segunda divisão. Sorte dos Hammers, que passaram contar com um atacante definidor. Depois de amargar um período fora da Premier League, o clube voltou à principal divisão do futebol inglês graças também à colaboração de Harewood, que na temporada 2004/5 marcou 17 vezes pelo time de Upton Park e foi o artilheiro da Segundona.

Tanque habilidoso

’Hare’ é descendente de jamaicanos e tem um estilo de jogo muito comum na terra da rainha: é alto, forte, bom no jogo aéreo, mas, surpreendentemente, também sabe driblar e criar jogadas. Com 1,85m e 85 quilos, Marlon poderia ser uma referência no time do West Ham e jogar apenas na frente esperando uma bola cruzada ou um lançamento, mas, na verdade, ele é aproveitado também no meio campo.

Logo em seu quarto jogo na Premier League, frente ao Aston Villa, Marlon fez um ‘hat-trick’, marcando três dos quatro gols do West Ham na vitória por 4 a 0. Esse jogo pode ser considerado como um cala-boca do jogador para os críticos. Explico: carregando a responsabilidade de ter sido artilheiro da segunda divisão na temporada anterior, parte da imprensa já começava a taxá-lo de jogador de segunda divisão, que nunca brilharia na Premiership.

É verdade que ainda é inicio de temporada e que provavelmente ainda muitas previsões serão consideradas furadas no fim do campeonato, mas Marlon Harewood tem jeito de ser um daqueles jogadores que prometem. Já parece ter tomado a vaga em definitivo do veteraníssimo Teddy Sheringham, de 39 anos, e joga em um time que mostra ter amplas condições de se manter na elite do país. É esperar para ver!