Diego Maradona rendeu imagens inesquecíveis em Copas do Mundo. O seu “gol do século” contra a Inglaterra é o momento mais emblemático. Naquele mesmo jogo, anotou também o gol da “mano de Dios”. Dias depois, ergueu a taça como capitão da Argentina, em um Mundial que foi seu. A assistência nas oitavas de final contra o Brasil em 1990 é outro momento simbólico. Até mesmo o adeus marcou, tanto na comemoração de seu gol contra a Grécia quanto pela cena em que era retirado de campo por uma enfermeira. Ainda assim, nenhuma fotografia é tão impactante quanto aquela de 1982. Era a sua primeira Copa, e logo na estreia criou um ícone de tudo o que Maradona representaria ao futebol e ao torneio.

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Maradona ainda não era Dios. Sua fama como craque, entretanto, já tinha rodado o mundo em 1982. A prodígio argentino impressionara no Mundial Sub-20 de 1979 e também arrebentava com a camisa do Boca Juniors. Tinha acabado de ser vendido ao Barcelona e quebrado o recorde de transferência mais cara da história. Chegava ao Mundial da Espanha não só para mostrar serviço aos futuros torcedores, como também para apresentar seu talento a quem ainda não conhecia. Ficou aquém das expectativas. Embora aquela foto no primeiro jogo da Albiceleste conte outra história.

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A Argentina era a atual campeã do mundo e fez a abertura da Copa contra a Bélgica. Jogo para 95 mil pessoas no Camp Nou, muitos ávidos por assistir pela primeira vez o camisa 10. Porém, a Albiceleste não foi suficientemente boa para superar o qualificado time dos Diabos Vermelhos – que contava com os excelentes Pfaff, Gerets e Ceulemans. Vandenbergh anotou o gol da vitória por 1 a 0. Nem de longe tão lembrado quando aquela imagem de Maradona.

A cena beira o fantástico. Maradona é encarado com temor por seis jogadores belgas, enfileirados. Olham avidamente a bola, obediente à canhota do craque, que parece pronto a fazer seu lance de gênio. Mas, bem, a história que conta a foto é bem melhor do que a realmente acontecida naquele lance. Na verdade, ela se originou em uma falta na intermediária, em que Ardiles rolou a bola para o camisa 10, ao lado da barreira. Os belgas enfileirados, na verdade, desmanchavam a formação. E o cruzamento do argentino sequer rendeu alguma coisa, desviado por Millecamps. O fotógrafo Steve Powell só estava no lugar certo e clicou no melhor momento. Cores, posicionamento, expressões: tudo foi favorável.

Depois da queda frustrante para Brasil e Itália em 1982, a revanche da Argentina, e de Maradona, só aconteceu em 1986. Naquela Copa, as duas seleções voltaram a se cruzar, decidindo uma vaga na final. E não seria difícil de imaginar que o duelo no mítico Estádio Azteca pudesse render uma foto tão boa. Maradona marcou os dois gols que classificaram a Albiceleste, encantando os 114 mil torcedores nas arquibancadas. Uma grande história, recontada muitas vezes (e de forma errada) com aquela foto de 1982. Que, por mais enganosa que seja, é a mais fiel possível sobre o tamanho de El Diez.

No vídeo abaixo, a cena de Maradona pode ser vista a partir de um minuto: