Didier Drogba viveu três grandes frustrações em Copas do Mundo. Mesmo encabeçando a melhor geração da Costa do Marfim, o craque sempre caiu de joelhos com os Elefantes. Eliminado na primeira fase em dois grupos difíceis em 2006 e 2010, os marfinenses decepcionaram ainda mais no Brasil. Em um grupo acessível, perderam a vaga nas oitavas no último minuto, pelos próprios erros. Longe da melhor forma física, o camisa 11 ajudou pouco, mas mesmo assim os únicos pontos conquistados pela seleção tiveram forte influência sua. Nunca os Mundiais dimensionarão o grande centroavante que Drogba foi. No entanto, sempre servirão para ressaltar seu grande caráter.

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Pois foi mesmo antes de pisar em campo na Copa de 2006 que Drogba protagonizou o seu grande ato. A classificação para o torneio, a primeira da história da Costa do Marfim, foi o mote para que o astro fizesse um pedido. Em um vídeo amador, gravado ainda nos vestiários, o craque implorou pelo fim da guerra civil que assolava o país. E pedido de rei é uma ordem. O momento de comunhão reverteu o massacre que os marfinenses viviam. A partir de então, a seleção se tornou elemento de integração nacional.

Nos dois Mundiais seguintes, Drogba não encabeçou momentos tão profundos. Mas foi nos pequenos gestos que mostrou sua grandeza. Primeiro, ao deixar a concentração do hotel onde estava hospedado com o resto do elenco para atender os torcedores, quando não tinha obrigação nenhuma de fazê-lo. “É uma alegria enorme estar no Brasil e poder ficar próximo dos fãs. São pessoas queridas, e ter esse reconhecimento é muito positivo. Futebol é para o povo”, disse à reportagem do Globo Esporte. Dias depois, ainda foi humilde o suficiente para a organizar uma vaquinha entre os jogadores marfinenses e arrecadar R$ 10 mil reais para dar como agradecimento aos funcionários do resort em Águas de Lindoia.

Mais do que um orgulho à Costa do Marfim, Drogba é um herói para a África. A forma como representa o continente o faz conquistar a torcida de todo o continente. E não só de lá. É uma pena que a história do centroavante nas Copas do Mundo termine assim, sem um grande momento dentro de campo. Por tudo o que fez fora, contudo, o centroavante deveria ser sempre lembrado como um dos maiores da história, ao menos no caráter.