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As histórias cruzadas de Atlético e Real, símbolos de uma cidade

A final da Liga dos Campeões de 2014 é a primeira da história a colocar, frente a frente, dois clubes da mesma cidade. No entanto, não será apenas uma das maiores rivalidades da Espanha que estará representada no Estádio da Luz. Atlético de Madrid e Real Madrid vão muito além disso. É o duelo de semelhantes, nascidos a alguns quarteirões de distância e que cresceram juntos. Brigaram e andaram de mãos dadas, venceram e foram vencidos, foram aliados e alheios ao poder. Os dois clubes que decidirão quem manda na Europa.

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Algumas diferenças são óbvias. O Real Madrid, clube mais rico e um dos mais vitoriosos do mundo, contra o Atlético de Madrid, vizinho da periferia, que aprendeu a tirar sarro de seus próprios fracassos. Mas que são muito mais profundas e não se limitam apenas a uma visão superficial. Estão nas raízes de ambas as equipes, em suas origens, e também em seus desenvolvimentos. Uma história de 112 anos, que terá seu capítulo mais importante neste sábado.

Os primeiros passos e o início da rivalidade

O Madrid Football Club foi o primeiro dos rivais a surgir. Fundado por estudantes em 1902, o clube logo se tornou a principal referência do esporte que crescia na Espanha. Uma de suas primeiras ações foi organizar a Copa de la Coronación, para celebrar a maioridade do Rei Alfonso XIII. O torneio inspirou a Copa do Rei, que teve sua primeira edição em 1903. Na decisão, o Madrid recebeu o Athletic Club de Bilbao e foi para o intervalo vencendo por 2 a 0, mas tomou a virada no segundo tempo, em um épico que acabou causando grande comoção na comunidade basca da capital.

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Foi o ponto de partida para a criação de um clube que acolhesse jogadores e torcedores bascos em Madri: o Athletic Club de Madrid. A fundação do clube contou mesmo com a participação de membros do Madrid Football Club, incluindo o seu presidente, Julián Palacios. Entre os jogadores que formariam a nova equipe, também outros que deixavam os blancos, como o goleiro Manuel Rodríguez Arzuaga, primeiro capitão do Atleti.

Como uma mera filial do time de Bilbao, o Athletic Madrid sequer podia participar da Copa do Rei. Entretanto, começou a nutrir a rivalidade com o Madrid a partir de 1906, com o primeiro duelo entre os clubes. A emancipação do Athletic Madrid aconteceu a partir de 1913 e um dos principais sinais dessa nova era foi a abertura do Campo de O’Donnell, o segundo estádio de sua história. Foi batizado por causa do nome da rua onde estava localizado. Que também abrigava o Estádio de O’Donnell, inaugurado pelo Madrid semanas antes. A partir daquele momento, os vizinhos também passaram a se tornar adversários frequentes.

O desligamento da matriz em Bilbao também autorizava o Athletic de Madrid a disputar a Copa do Rei. Para tanto, precisava conquistar o direito de representar Castela no torneio nacional. Foi quando os embates com o Madrid se tonaram recorrentes. Os blancos mantinham a hegemonia regional, graças à força que estabeleceram durante a década anterior e o apoio que tinham da comunidade madrilena. Era o principal clube da capital, bastante popular, mas também chancelado pelas elites. O Athletic, por sua vez, tinha raízes mais próximas aos trabalhadores e aos migrantes que moravam em Madri. A partir daquele momento, tinham o direito de desafiar também os poderosos.

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O domínio do Madrid era marcante durante a década de 1910. Foram cinco títulos do Campeonato Regional Centro, além de uma conquista e dois vice-campeonatos na Copa do Rei. A relevância fez os blancos receberem do Rei Alfonso XIII o título de “real” a partir de 1920, e assim adotaria no nome a partir de então: Real Madrid. Mesmo período em que o Athletic de Madrid se desvinculava de vez de Bilbao e passava a mostrar sua força nas taças castelhanas. Em 1920/21, os rojiblancos conquistaram o Campeonato Regional Centro e foram vice-campeões da Copa do Rei. A partir daquela temporada, só em duas oportunidades até o final da década de 1920 os dois grandes de Madri não fizeram a decisão da competição.

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A importância fez com que Real Madrid e Athletic de Madrid se tornassem os representantes da capital na recém-criada La Liga, que teve sua primeira temporada disputada em 1929/30. Eram as forças de Madri que se uniam contra o País Basco e a Catalunha, regiões mais industrializadas do país e que tinham raízes mais fortes no futebol. Os desafios entre blancos e rojiblancos eram menores diante da disputa contra Athletic Bilbao e Barcelona, duas potências nacionais naquele período.

Os madrilenos durante o franquismo

Durante a década de 1930, a Espanha foi dividida pela crise política que culminou na Guerra Civil. A partir de 1936, La Liga foi suspensa por causa do conflito. O que não impediu os duelos entre Real Madrid e Athletic de Madrid em amistosos. Um deles, disputado logo nas primeiras semanas da guerra, era realizado em favor das milícias republicanas, mas acabou suspenso pelas forças que acabaram tomando o poder a partir de 1939. Era o início da ditadura de Francisco Franco, que se manteria no país até os anos 1970.

Os dois clubes foram diretamente afetados durante o início do regime. O Madrid teve que tirar o Real de seu nome, em desvinculação com a monarquia. Além disso, seu presidente durante o período republicano, Rafael Sánchez Guerra, de ideologias contrárias ao franquismo, foi destituído do cargo e preso, precisando se exilar na França. Já o velho estádio de Chamartín havia sido reduzido a escombros. Já o Athletic de Madrid perdeu membros, mortos no conflito. A crise assolou o clube com o armistício, sem jogadores e uma enorme dívida. Acabou fundido com o Aviación Nacional, time criado pelo exército durante a Guerra Civil e que o poder central queria que participasse de La Liga.

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Nascia naquele momento o Athletic Aviación, instrumento do franquismo. A ditadura contaria com um time popular, ligados à massa, um de seus anseios para tentar se legitimar. Logo na primeira temporada, em 1939/40, o clube recém-fundido ascendeu à elite do Campeonato Espanhol e conquistou o bicampeonato nacional. Além de ter os gastos bancados pelo regime, também tinha o “direito” de recrutar os jovens jogadores em idade para o serviço militar. A ligação do Atlético (que adotou a versão espanhola de seu nome também por determinação de Franco) com a aeronáutica se rompeu em 1946, já depois do fim da guerra, sem a hegemonia que a ditadura esperava. O Atlético Aviación se transformava definitivamente em Atlético de Madrid.

Durante o mesmo período, o Madrid passava por sua reconstrução. Em 1943, sua presidência foi assumida por Santiago Bernabéu, ex-jogador e ex-treinador merengue, de tendências conservadoras e que havia militado com as forças pró-franquismo durante a Guerra Civil. Os episódios em que forças ligadas ao regime passaram a intimidar os adversários madridistas passaram a existir. O fato é que, publicamente, Bernabéu nunca declarou seu apoio a Franco, ainda que tenha se aproveitado da situação e que Raimundo Saporta, seu braço direito, tivesse ligações sabidas com o alto escalão.

Não foi o único. Com o fim do projeto do Aviación, o futebol passou a ser usado pela ditadura para manobrar os descontentamentos e manter o controle sobre a população. O Madrid foi beneficiado na construção de Chamartín e na aquisição de Di Stéfano.  Mas mesmo os outros clubes também tiveram suas facilitações do poder central – como o próprio Barcelona, na aquisição de Ladislao Kubala, que se refugiou na Espanha para fugir do comunismo húngaro e teve seu visto acelerado pelo franquismo.

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O Atlético de Madrid voltou a ser bicampeão espanhol em 1949/50 e 1950/51, liderado pelo técnico Helenio Herrera e pelo craque Larbi Ben Barek. Naquele período, também se originava o grande time do Real Madrid forjado por Bernabéu. Os merengues encerraram o jejum de duas décadas sem conquistar La Liga em 1953/54, mesmo ano em que passaram a contar com Alfredo Di Stéfano. Sob o talento da Flecha Loira, os madridistas conquistaram quatro vezes o Campeonato Espanhol na década de 1950 e iniciaram uma era na recém-criada Copa dos Campeões. O sucesso internacional acabou usado pelo General Franco, figura frequente nos jogos em Chamartín. Era uma forma de tentar demonstrar o poderio de sua ditadura.

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Com a complacência do regime, o Real Madrid tornou-se a grande potência nacional a partir daquele momento. Ainda assim, o Atlético seguia como uma das maiores forças. Os blancos foram pentacampeões espanhóis entre 1961 e 1965, mas tiveram a sequência quebrada pelos colchoneros. A queda de Franco não teve significado para os clubes. Influência maior aconteceu com a derrota do Atleti na decisão da Liga dos Campeões de 1974, considerada um trauma gigantesco na história do clube, que ganhou a pecha de sofredor.

A partir daquele momento, o abismo entre os rivais aumentavam. O Real se mantinha como poderoso, dominando os campeonatos nacionais e brigando por taças continuais. Enquanto isso, os colchoneros se limitavam a conquistas eventuais. É a história moderna do clássico, com os holofotes geralmente voltados ao Bernabéu e as alegrias sendo raras no Calderón. O Barcelona assumiu definitivamente o posto de grande rival do Real. Os 14 anos de jejum do Atleti no dérbi, entre 1999 e 2013, representa bem essas diferenças, explicadas também pelo fortalecimento dos merengues como uma grife de futebol e da crise que afetou os rojiblancos.

O poderio econômico

Real Madrid e Atlético vivem realidades totalmente diferentes, apesar de coabitarem na mesma cidade e de disputarem os mesmos títulos. E a invenção do futebol como negócio é a principal explicação para esses dois mundos em uma mesma cidade. Os merengues se estabilizavam como o clube mais poderoso do mundo, capaz torrar fortunas em busca de craques e títulos, atrair milhões de fãs ao redor do mundo e se firmar como uma grande marca. Já do outro lado da capital, os colchoneros tentavam se reinventar em meio à crise interna. Algo que está longe de ser totalmente contornado, mas cujos efeitos são bem menos sentidos com o sucesso em campo da equipe de Diego Simeone.

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O Real Madrid lidera com folgas a Deloitte Money League, que mede a capacidade financeira dos clubes. Em 2012/13, o clube de Florentino Pérez gerou receitas de € 518,9 milhões. A fatia gorda dos direitos de televisão na Espanha ajuda, e muito, responsável por € 161,4 milhões aos blancos. Porém, o tamanho do clube é inegável e 64% de seus ganhos acabam sendo gerado entre acordos comerciais e uso do estádio. Marca forte o suficiente para atrair patrocinadores e vender produtos ao redor do planeta. Acaba se refletindo em investimentos na equipe e mesmo nos mecanismos internos para gerar mais dinheiro – com a renovação do Santiago Bernabéu sendo o carro-chefe para os próximos anos.

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Essa capacidade econômica fez com que os efeitos da crise que assola a Espanha desde o final da última década fossem mínimos sobre o clube. Ao contrário do que acontece com o Atlético de Madrid, cujos problemas nas finanças não vêm de hoje. O empresário Jesús Gil assumiu a presidência do clube em 1987 e, apesar dos títulos conquistados sob sua administração, os rombos nas contas dos rojiblancos foram bem mais sentidos. O dirigente foi condenado por desvio de dinheiro público e as dívidas colocaram o clube sob intervenção judicial em 1999. Crise que teve também efeitos em campo, com o rebaixamento da equipe no Espanhol. Ainda que Gil tenha deixado o poder em 2003, seu antigo vice, Enrique Cerezo, é quem preside o Atleti desde então. O atual mandatário chegou a romper com seu antecessor e tenta manter o time competitivo, embora os débitos continuem gigantescos.

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O Atlético de Madrid tem receita anual de € 120 milhões, o 20º clube na Deloitte Money League. Seus ganhos com direitos televisivos são de € 52,5 milhões, menos de um terço do Real Madrid, mas mesmo assim representaram 44% do total arrecadado em 2012/13. É um clube bem mais dependente da visibilidade que a Liga dos Campeões dá, assim como dos prêmios que a competição garante. E que, sem a marca do Real Madrid, recorre até mesmo a patrocínios controversos, como o atual. O governo do Azerbaijão é acusado de repressão e desrespeito aos direitos humanos, mas faz propaganda turística nas camisas colchoneras por € 12 milhões despejados em um acordo de 18 meses. Ao que parece, vale tudo para tentar sustentar o departamento de futebol, que em 2011/12 consumia 70% das receitas do clube – atualmente, os salários apenas do elenco estão estimados em € 70 milhões.

Enquanto isso, a dívida do Atleti é estimada em € 500 milhões. Recentemente o clube solicitou ao governo o atraso no pagamento de € 100 milhões em impostos. Como é comum na Espanha (e motivo de muitas críticas), o poder público passou a mão na cabeça dos colchoneros. Um privilégio que, aliás, também é dado ao Real Madrid, apesar das receitas muito maiores dos merengues. A dívida do clube é estimada em € 90 milhões e o clube ainda é investigado por recebimento de dinheiro público ilegal, assim como pelo recebimento do terreno de Valdebebas, onde fica o centro de treinamentos do clube.

>>> Jogador por jogador, com quem o Atlético de Madrid conta para conquistar a Europa
>>> Jogador por jogador, com quem o Real Madrid conta para conquistar a Europa

Nada que impeça os altos gastos em salários e contratações. A folha de pagamentos do Real Madrid chega a € 220 milhões. Os blancos ainda chegaram a investir € 640 milhões em transferências apenas nas últimas cinco temporadas, quebrando por duas vezes o recorde de contratação mais cara da história em sua política de contratações grandiosas. Ao menos neste ponto, o Atlético é bem mais sustentável. Gastou € 190 milhões em reforços desde 2009/10, mas conseguiu lucrar € 50 milhões ao vender seus jogadores. Sem patrocinadores tão fortes ou tanto dinheiro da TV, é o caminho para os rojiblancos tentarem contar com um time competitivo, tentando valorizar as apostas que fazem em campo. O que os ajudou a desafiarem os galácticos na decisão da Liga dos Campeões.

Os caminhos voltam a se cruzar em Lisboa

O Real Madrid chega à final como favorito. Os merengues são donos do glamour, dos jogadores mais caros do mundo, do brilho de levantar a taça da Champions pela décima vez. Logicamente, isso seria inútil sem a competência do time de Carlo Ancelotti. A equipe ofensiva que empilha gols e joga bonito. E que tem um perfil totalmente distinto do Atlético de Madrid. Os colchoneros possuem um time de apostas, a partir de um elenco, que parecia fadado ao fracasso, mas que acabou reinventado por Simeone. São tão eficientes quanto os gigantes, ainda que seu estilo seja se entregar na defesa e arrancar as vitórias pelo suor.

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O Estádio da Luz é o ponto de encontro dos vizinhos. As fontes de Cibeles e de Netuno, separadas por poucos quarteirões em Madri, serão as concentrações das torcidas. Ambas interessadas em conquistar a Europa, ainda que de maneiras diferentes: o Real Madrid tenta encantar, enquanto o Atlético de Madrid parece disposto a pilhar. Desde 1902, são muitas as diferenças e as semelhanças entre merengues e colchoneros. No sábado, nada será mais parecido entre os rivais do que o desejo de ser campeão. E a diferença que mais querem é a supremacia de seu time dentro de campo.

Os ídolos que vestiram as duas camisas

Ver um antigo jogador vestindo a camisa rival nunca foi o melhor sentimento para as torcidas de Atlético e Real Madrid. Ainda assim, apenas isso não é motivo para que sejam hostilizados, considerados traidores. Afinal, um dos maiores símbolos do madridismo foi rojiblanco durante a juventude. Da mesma forma como uma lenda colchonera vestiu a camisa dos blancos no início da carreira. Raúl González e Luis Aragonés, ídolos inegáveis para os dois clubes, representam bastante a história compartilhada dos grandes de Madri.

Aragonés passou pelo Bernabéu durante os anos mais gloriosos dos merengues, no final da década de 1950, mas como mero coadjuvante. Por duas temporadas, o jovem atacante pertenceu ao Real Madrid. A concorrência de Di Stéfano, Puskás, Kopa e outros gênios sequer deram espaço ao garoto no time principal. Depois de rodar, emprestado a outros clubes, foi contratado pelo Oviedo. Estourou mesmo com o Betis, de onde acabou levado pelo Atleti. Para tornar a camisa rojiblanca sua segunda pele e conquistar três Ligas. Ao pendurar as chuteiras, após a decepção na final da Champions de 1974, logo assumiu a prancheta. Um dos técnicos mais vitoriosos da história do Vicente Calderón, responsável também por tirar o clube da segunda divisão em sua terceira e última passagem pelo banco de reservas, entre 2001 e 2003.

Já Raúl foi perdido pelo Atlético ainda na adolescência. A esperança de uma família fanática pelos colchoneros, o garoto entrou para as divisões de base do clube nos infantis, após rodar por equipes menores da capital. Logo se tornou destaque, conduzindo a equipe ao título nacional da categoria. O problema é que a fase financeira dos rojiblancos começou a minar o futuro da promessa. Primeiro, ao não cumprir a promessa que fez, de pagar os estudos e oito mil pesos por mês ao seu pupilo. Depois, pela decisão do presidente Jesús Gil em fechar as categorias de base para sanar as dívidas do clube. A carta branca para que Raúl seguisse ao Real Madrid quando tinha 15 anos. A maior revelação merengue das últimas décadas, na verdade, tem raízes rojiblancas. O que não lhe impediram de marcar o primeiro gol da carreira justamente contra o Atleti, ou de simbolizar a segunda era mais vitoriosa dos madridistas.

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As duas maiores bandeiras de uma história de 80 anos de transferências entre os dois rivais. O pioneiro foi Eduardo Ordónez, que trocou o blanco pelo rojiblanco em 1932/33. Na década de 1960, Ramón Moreno Grosso passou uma temporada no Atleti antes de se tornar o substituto de Alfredo Di Stéfano no Real. O veterano Bernd Schuster virou a casaca para marcar um dos gols do título contra os merengues na final da Copa do Rei de 1992, consolação para os colchoneros após perderem o artilheiro Hugo Sánchez para os vizinhos nos anos 1980. Juanito se tornou ídolo do Real Madrid após militar na base do Atlético, o contrário do que aconteceu com Caminero, um dos heróis de La Liga 1995/96 ao lado de Simeone.

Dos jogadores que disputarão a final da Champions, apenas dois jogadores defenderam as duas camisas. Ambos saíram do Santiago Bernabéu, sem chances no início da carreira, e pouco tempo depois chegaram ao Vicente Calderón. Filipe Luís passou apenas um ano no Castilla, enquanto Juanfran rodou por empréstimos antes de deixar os merengues em definitivo. Hoje, laterais titulares do Atlético e peças fundamentais do time de Simeone. Que representam também as diferenças entre um clube de galácticos e outro de achados.

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