Enquanto encerra uma temporada razoável na League One, ocupando a oitava colocação, após ter conquistado o acesso na League Two durante o último ano, o Portsmouth relembra o seu passado respeitável. A crise financeira afundou o Pompey em uma vertiginosa derrocada a partir de 2010, com três rebaixamentos em quatro temporadas. E se a reconstrução ainda precisa percorrer um longo caminho até voltar à Premier League, a semana deixa ótimas memórias ao tradicional clube do sul da Inglaterra. Todo 17 de maio é especial no Fratton Park. Afinal, nesta data, há exatamente uma década, a torcida comemorou um dos principais títulos de sua história: a Copa da Inglaterra.

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Costumeiro participante da elite a partir dos anos 1920, o Portsmouth possui glórias maiores. Conquistou a Copa da Inglaterra pela primeira vez em 1939, enquanto se colocou como uma das potências no pós-guerra, faturando o bi no Campeonato Inglês em 1948/49 e 1949/50. A partir da década de 1960, o Pompey sofreu uma derrocada em que transitou pelas três divisões inferiores da Football League até a virada do século. No entanto, o ano de 2004 representa o renascimento do clube na elite. Os sulistas viraram um time de meio de tabela na Premier League, investindo alto em contratações e ganhando projeção internacional.

O auge veio mesmo naquela temporada de 2007/08. O Portsmouth fez uma campanha digníssima na Premier League, terminando na oitava colocação. Mas o melhor aconteceu na Copa da Inglaterra. Rodada após rodada, o time treinado por Harry Redknapp se afirmava nos mata-matas. Eliminou Ipswich, Plymouth e Preston North End, até o grande resultado nas quartas de final. Com um gol de pênalti de Sulley Muntari, derrubaram o Manchester United, que na mesma temporada faturaria a Liga dos Campeões e a Premier League. E não que Sir Alex Ferguson tenha tirado o pé, em escalação que contava com Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Carlos Tevez, Paul Scholes, Rio Ferdinand e outras referências. Já nas semifinais, com outro 1 a 0, desta vez contra o West Bromwich, o Pompey voltava à decisão após 69 anos.

Era um timaço para os padrões do Portsmouth, torrando dinheiro principalmente em veteranos. David James era o goleiro titular. A defesa tinha a tarimba de Sol Campbell, Sylvain Distin, Lauren e Glen Johnson. No meio, muita força física com Papa Bouba Diop, Lassana Diarra e Sulley Muntari, além da qualidade de Niko Kranjcar. E o ataque, que possuía Nwankwo Kanu e John Utaka, ainda ganhou Milan Baros e Jermain Defoe em janeiro.

Na decisão em Wembley, o desafio era outra surpresa, o Cardiff City, então na Championship. Os galeses não contariam com o lesionado Robbie Fowler, mas possuíam Jimmy Floyd Hasselbaink como medalhão em seu ataque, além de promessas do calibre de Aaron Ramsey e Joe Ledley. No entanto, o favoritismo estava do outro lado. E, com boa parte de seus astros, o Portsmouth fez valer a sua força diante de 89 mil torcedores no mítico estádio. O gol do título saiu aos 37 minutos do primeiro tempo, em rebote do goleiro Peter Enckelman que Kanu não perdoou. Uma consagração e tanto às apostas altas da diretoria.

O Portsmouth caiu na fase de grupos da Copa da Uefa na temporada seguinte, além de terminar no 14° lugar na Premier League. A derrocada aconteceu mesmo em 2009/10, quando as dívidas já secavam os cofres e o time possuía nomes bem mais modestos. Lanterna na liga, o Pompey acabou rebaixado. Curiosamente, voltou a mais uma final da Copa da Inglaterra, eliminando o Tottenham na semifinal, mas sucumbindo diante do Chelsea na decisão. Tempos distantes e saudosos à fiel torcida, que hoje sustenta a instituição.