Janmaat comemora com Depay, que marcou o segundo gol holandês em Itaquera (AP Photo/Frank Augstein)

Holanda 2×0 Chile: pragmática e fechadinha, Oranje joga Chile para cima do Brasil

A crônica

O que fazer quando o time adversário tem um contra-ataque para lá de perigoso e aposta na velocidade como arma? Não dê o contra-ataque a ele. Louis van Gaal pode não ser o técnico que monta os times mais lindos de se ver jogar, mas sabe estudar o adversário o suficiente para lhe causar problemas. Deu ao Chile o campo, a bola e a responsabilidade de vencer o jogo. Sabia que contaria com o empate, caso as coisas não fossem muito bem. Fez mais do que isso. Conseguiu arrancar dois gols, vencer o jogo, e empurrou o Chile para o caminho do Brasil, que deve confirmar o primeiro lugar do grupo.

A Holanda não tinha Van Persie, suspenso, e apostou em um jogador veloz em seu lugar, Lens. Colocou ainda Kuyt para substituir o zagueiro Martins Indi, machucado. Mas Kuyt, atacante, não jogou em sua posição. Foi ala esquerdo, fechando aquele lado quando a Holanda se defendia – ou seja, a maior parte do jogo. Fechada atrás do meio-campo, a Holanda deixou o Chile desconfortável. Ter a bola não é um problema para o time de Sampaoli, que tem qualidade técnica para mantê-la, mas não teve criatividade para transformar isso em chances. Sem Vidal, no banco, sendo poupado por problemas físicos, e com Valdívia no banco, o mais criativo da meiúca chilena era Aránguiz, que não deu conta do recado. Não por ter jogado mal, mas por não ter conseguido quebrar o cadeado holandês.

Depois do primeiro tempo sem muitas chances de gol e com a Holanda tendo a melhor delas, com Robben, o cenário estava desenhado. A Holanda se defenderia o tempo todo, o quanto conseguisse, e deixaria a bola nos contra-ataques para Robben decidir. O camisa 11, capitão do time na ausência de Van Persie, quase marcou um golaço no primeiro tempo, mas no segundo acabou tendo novamente uma participação decisiva. No primeiro gol nem tanto – ele só passou a bola para Janmaat fazer o cruzamento e Leroy Fer marcar no seu primeiro toque na bola. Mas o segundo teve a sua marca: contra-ataque mortal puxado por ele, que foi até a linha de fundo, dentro da área, e tocou para trás para Memphis Depay completar.

A Holanda está longe de ser um time brilhante, mas não precisa. Van Gaal certamente não se preocupa com isso. Tem o seu fundamento na defesa, que se tecnicamente também não é um primor, é muito organizada e melhor do que a de 2010, por exemplo, que foi finalista. E se apoia em atacantes que podem decidir. Sneijder nem tanto. Foi o segundo jogo ruim dele, depois de também não ir bem contra a Austrália. Mas em Robben o técnico pode apostar de olhos vendados. No auge físico e técnico, tem tudo para brilhar na Copa ainda mais do que em 2010. E ele certamente está ansioso por escrever uma história diferente desta vez.

Ao Chile, deve restar o Brasil. O deve aqui é só uma precaução, porque o Brasil não ser o primeiro lugar do grupo só será possível caso não vença Camarões, mais tarde, o que seria uma tragédia. E o Chile tem a sua melhor seleção em muitos anos, mas deverá ter o maior desafio possível: vencer o tabu de não perder do Brasil em jogos mata-mata de Copa, justamente quando o Brasil joga em sua casa. Difícil. Mas o impossível não é uma palavra que o Chile gosta de usar.

FICHA TÉCNICA

Holanda 2×0 Chile

Holanda

Jasper Cillessen; Stefan De Vrij, Ron Vlaar e Daley Blind; Daryl Janmaat, Georgino Wijnaldum, Nigel De Jong e Dirk Kuyt (Terence Kongolo, 44′/2T); Wesley Sneijder (Keroy Fer, 30’/2T); Arjen Robben e Jeremain Lens (Menphis Depay, 24’/2T). Técnico: Louis van Gaal

Chile

Claudio Bravo; Francisco Silva (Jorge Valdívia, 25’/2T), Gary Medel, Gonzalo Jara;Mauricio Isla, Marcelo Díaz, Felipe Gutierrez (Jean Beausejour, intervalo), Charles Aranguiz e Eugenio Mena; Alexis Sanchez e Eduardo Vargas (Mauricio Pililla, 36’/2T). Técnico: Jorge Sampaoli

Local: Arena Corinthians, em São Paulo
Árbitro: Bacary Gasssama (GAM)
Gols: Fer, 32′/2T, Depay, 47′/2T
Cartões amarelos: Silva, Blind
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Arjen Robben

É um capeta com a bola nos pés. Rápido, forte, habilidoso, foi um temor para a zaga chilena o tempo todo, mesmo com a Holanda se defendendo o tempo todo – ou até por isso. Robben, todos sabiam, seria o estilingue, aquele que colocaria os contra-ataques em velocidade acelerada, que causaria problemas. Causou, de fato, e o segundo gol da Holanda, quando a vaca chilena já parecia deitada, foi só a cereja do bolo. Robben é, até aqui, um dos melhores jogadores da Copa – discutivelmente o melhor, até. Em uma Copa do Mundo tão cheia de problemas físicos, parece que Robben está voando. E isso pode fazer diferença.

Os gols

32’/2T: GOL DA HOLANDA!

Janmaat recebe de Robben e cruza para a área, Leroy Fer subiu sozinho e, com uma bela cabeçada, mandou para a rede para abrir o placar na Arena Corinthians.

47′/2T: GOL DA HOLANDA! 

Com o Chile todo no ataque, a Holanda contra-atacou com maestria. Bola nos pés de Robben, que correu como um demônio no lado esquerdo até chegar dentro da área e cruzar para Depbay completar.

A Tática

 

As formações iniciais de Holanda x Chile

As formações iniciais de Holanda x Chile

Sem poder contar com o seu capitão e artilheiro Van Persie e nem com o zagueiro Martins Indi, machucado, Van Gaal escalou Kuyt na ala esquerda, deslocando Blind para a zaga, e Lens no ataque, para dar velocidade. O time se defendeu o tempo todo, deixando o Chile com a bola. Os chilenos, com Aránguiz fazendo o papel de meia que Vidal fez no segundo jogo, não conseguiu ser criativo para vencer as sempre bem posicionadas linhas defensivas holandesas. Sánchez tentou a movimentação para arrancar os holandeses de dentro da área, mas não conseguiu. Sampaoli não conseguiu mudar isso durante o jogo.

A Estatística

29

Número de cruzamentos que o Chile tentou no jogo. Veja bem: o Chile, com seus dois atacantes que são mais de lado de campo, sem um centroavante de ofício, contra a Holanda com três zagueiros de área, tentou muitos cruzamentos. É claro que isso estava fadado a não dar certo. Isso só aconteceu porque a Holanda deixou os cruzamentos como uma das poucas opções de jogo.