Quando a Suécia goleou Luxemburgo por 8 a 0 na Friends Arena, a despeito do que achava Dick Advocaat, já estava muito claro que as chances para a Holanda ir à Copa do Mundo dependiam de um enorme milagre. A Oranje precisava aplicar uma goleada ao menos parecida na visita a Belarus para chegar à última rodada com possibilidades reais de superar os suecos. O vexame, todavia, quase se consumou neste sábado. Os holandeses abriram o placar em Borisov, mas tomaram o empate e permaneceram virtualmente eliminados por quase meia hora. Depois dos 39 do segundo tempo, conseguiram arrancar a vitória por 3 a 1. Mas sabem que – a menos que baixem em campo Cruyff, Van Basten, Gullit, Bergkamp e tantos mais – não devem ir sequer à repescagem.

Entre as novidades na seleção holandesa, estava Ryan Babel. O veterano não disputava uma partida pela equipe nacional desde novembro de 2011. Apesar do bom momento no Besiktas, sua presença indica as dificuldades de Dick Advocaat na montagem de seu time. Quando a bola rolou, os holandeses tentaram pressionar, mas demoraram a criar chances mais claras. O jogo melhorou a partir dos 20 minutos, primeiro com bola no travessão de Vincent Janssen. Já aos 25, os visitantes abriram o placar. Babel cruzou, Arjen Robben ajeitou e Davy Pröpper emendou para as redes. O gol garantia certa tranquilidade, mas a Oranje dependia da goleada.

A Holanda chegou a ter um gol anulado por impedimento pouco depois, criando novas ocasiões principalmente com Robben, que tratava de comandar o ataque. A lentidão do time na criação e as boas defesas do goleiro Sergey Chernik brecaram as pretensões dos laranjas. Entretanto, no início do segundo tempo, Belarus cresceria. Deu o aviso com dois lances perigosos, antes de empatar aos dez minutos. A defesa holandesa assistiu à trama, até que Maksim Volodko vencesse Jasper Cillessen. Um enorme banho de água fria nos visitantes.

O desespero bateu na Holanda, que partia ao ataque desenfreadamente, mas sem organização. Dava espaços aos contragolpes de Belarus. A persistência, por fim, valeria a vitória dos holandeses. O segundo tento saiu aos 39, graças a um pênalti. Bas Dost foi puxado dentro da área e, na cobrança, Robben converteu. Já nos acréscimos, Memphis Depay deu números finais ao confronto cobrando falta. A Oranje segue respirando por aparelhos, mas já está desenganada sobre o seu futuro, como as próprias declarações na saída de campo enfatizaram.

Com 16 pontos, a Holanda pega na última rodada a Suécia, três à frente, em Amsterdã. A única possibilidade para o time de Dick Advocaat se garantir na repescagem será goleando os escandinavos por 7 a 0 ou outro massacre superior com sete gols de diferença. Um placar que soa impossível, ainda mais diante do que os holandeses vêm apresentando nos últimos jogos. Depois do que aconteceu em Belarus, o interesse dos torcedores é ao menos encerrar a campanha dignamente, mas já sabendo que o trabalho para o novo ciclo será bastante intrincado.