Shaqiri comemora um dos seus três gols contra Honduras (AP Photo/Felipe Dana)

Honduras 0×3 Suíça: suíços nem precisaram ter a bola para vencer com tranquilidade

A crônica

Ter a bola não é um pré-requisito para vencer no futebol, embora esse tenha virado um mantra por causa do sucesso da Espanha e do Barcelona desde 2008. Os suíços foram bastante ofensivos contra o Equador na estreia, dominando inclusive a posse de bola, tomaram uma goleada estonteante da França e só dependiam de si mesmos contra Honduras. Jogando em Manaus, a estratégia foi fazer o adversário, um dos piores times da copa, se desgastar e matar nos contra-ataques. Foi assim que o time venceu, mesmo tendo 40% de posse de bola no jogo e trocando muito menos passes, construindo o placar de 3 a 0 com tranquilidade.

Jogar em Manaus é visto como um dos piores cenários da Copa, não só pela calor,mas principalmente pela alta umidade. Nesta quarta-feira, a umidade manauara estava em 88%, o que torna a sensação de calor ainda maior. Os suíços, sabendo que tinham a situação sob controle em relação à classificação, preferiram se poupar, mesmo sendo um time que gosta de ter a bola na maioria dos seus jogos.

A estratégia foi possível porque o time abriu o placar logo aos seis minutos, o que obrigava Honduras a buscar a virada. E aí, us suíços tinham a faca e o queijo na mão. E como se estivessem comendo um fondue suíço, espetaram e devoraram os hondurenhos com tranquilidade. Os dois gols seguintes saíram em contra-ataques, um no primeiro e outro no segundo tempo.

Shaqiri, a principal estrela do time, marcou seus primeiros gols em Copas do Mundo. E foram três de uma vez, todos eles com a sua habilidosa perna esquerda. Ele já tinha se destacado no jogo contra o Equador e, assim como todo o time, esteve apagado contra uma França avassaladora no segundo jogo.

Ele é o grande nome do time, que ainda teve Granit Shaka bem abaixo do que pode render, mas com Inler e Behrami muito bem no meio-campo. Os dois volantes são muito importantes para esse time. E devem ser ainda mais contra a Argentina, nas oitavas de final, para evitar que os dois principais jogadores da albiceleste tenham liberdade, Di María e Messi.

Os suíços administraram bem o jogo com Honduras, sem se desgastar muito, vencendo com tranquilidade e dando confiança para o seu principal jogador. Contra a Argentina, porém, o desafio será enorme. Passar por ele parece um desafio grande demais.

FICHA TÉCNICA

Honduras 0×3 Suíça

Honduras

Noel Valladares; Brayan Beckeles, Víctor Bernárdez, Maynor Figueroa e Juan García; Oscar García (Andy Najar, 32’/2T), Wilson Palacios, Jorge Claros e Roger Espinoza (Marvin Chávez, intervalo); Jerry Bengtson e Carlos Costly (Jerry Palacios, 40’/1T). Técnico: Luis Suárez

Suíça

Diego Benaglio; Stephan Lichtsteiner, Fabian Schär, Johan Djourou e Ricardo Rodríguez; Valon Behrami e Gökhan Inler; Granit Xhaka (Michael Lang, 28’/2T), Xherdan Shaqiri (Blerim Dzemaili, 42’/2T) e Admir Mehmedi; Josip Drmic (Haris Seferovic, 28’/2T). Técnico: Ottmar Hitzfeld

Local: Arena Amazônia, em Manaus
Árbitro: Nestor Pitana (ARG)
Gols: Shaqiri, 6’/1T, Shaqiri, 31’/1T, Shaqiri, 26’/2T
Cartões amarelos: Jerry Palacios
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Xherdan Shaqiri

Atuando mais centralizado na linha de três meias, o jogador do Bayern de Munique conseguiu ser o grande artilheiro do jogo. Marcou três vezes, aproveitando contra-ataques rápidos e uma defesa hondurenha que ofereceu um tapete vermelho para suas arrancadas. E ele, claro, aproveitou, agradeceu e guardou seus três primeiros gols em Copas do Mundo.

Os gols

6’/1T: GOL DA SUÍÇA!

Lichsteiner desceu pela direita, tocou para Shaqiri, que acertou um chute no ângulo. O goleiro Balladares também contribuiu, só olhando a bola, em vez de saltar para tentar defendê-la.

31’/1T: GOL DA SUÍÇA!

Contra-ataque mortal do time vermelho. Inler recuperou a bola e tocou para Shaqiri, em velocidade. O meia tocou para o atacante Drmic, que devolveu para Shaqiri finalizar de é esquerdo e ampliar o marcador.

26’/2T: GOL DA SUÍÇA!

Outro contra-ataque da Suíça que acaba em gol. Desta vez, Drmic foi lançado, pedalou para cima de Bernárdez, e rolou para Shaqiri. Ele mandou para as rede, mais uma vez.

A Tática

Honduras x Suíça

Honduras jogou com duas linhas de quatro, com os dois atacantes com a responsabilidade de fazer basicamente tudo pelo time. Não funcionou bem, porque o time teve a bola, mas não teve nenhuma criatividade. Bengtson e Costly não conseguiram receber muitas vezes a bola. Já a Suíça trouxe de volta Drmic ao time titular e ele acabou correspondendo em campo. Os dois volantes foram novamente a base segura do time. Shaqiri foi centralizado na armação das jogadas e teve o seu melhor desempenho nos três jogos. Xhaka, porém, ficou deslocado e não teve boa atuação.

A Estatística

60%

Posse de bola de Honduras na partida, que trocou muito mais passes que os suíços (599 x 382). Olhando assim, parece que Honduras dominou o jogo, mas na verdade a Suíça usou isso como estratégia: deu o campo aos hondurenhos, que não souberam o que fazer com tanto espaço. Trocaram muitos passes, a ponto de Wilson Palacios, volante do time, ter feito 80 passes no jogo – quase o dobro do maior passador da Suíça no jogo, o também volante Gökhan Inler.