O Barcelona vive um momento de crise. Problemas dentro e fora de campo que não se interligam, mas que mantêm o ambiente do clube turbulento. A diretoria segue lidando com os problemas judiciais consequentes dos valores ocultos sobre a contratação de Neymar. Os blaugranas admitiram o pagamento de mais € 13 milhões em tributos ao Ministério da Fazenda espanhol – o que faria o valor total da transferência atingir € 99,7 milhões. Já dentro de campo, é Tata Martino quem precisa lidar com os problemas. A péssima atuação contra a Real Sociedad no último sábado não custou apenas a derrota por 3 a 1, mas também a perda da liderança do Campeonato Espanhol para o Real Madrid.

Tudo bem que Martino é apenas um funcionário do Barcelona. Mas tem muito a ensinar aos seus patrões. Está claro que os catalães cometeram erros nos dois episódios, tanto nos trâmites da negociação de Neymar quanto na derrota para a Real Sociedad. A diferença?  É que o argentino soube admitir sua culpa. Algo que a alta-cúpula barcelonista não fez na tentativa de explicar o dinheiro pago à Fazenda, ainda apontando outro vilão para a história. Assuntos totalmente diferentes, mas que dizem muito sobre ética.

Martino disse ainda no sábado, logo depois da derrota para a Real: “O rival jogou muito bem. Superou o nosso time. A leitura que fiz da partida não era a que correspondia para hoje. Eu errei”. Humildade raríssima de se notar em um técnico, ainda mais quando sua cabeça é constantemente colocada a prêmio, diante dos questionamentos que vem sofrendo.

Já nesta segunda, o porta-voz sobre o ‘caso Neymar’ foi o próprio presidente em exercício, Josep Maria Bartolomeu: “Agimos de forma legal a todo momento. Se tivéssemos que voltar a contratar o jogador, faríamos da mesma forma. Só dentro de dois anos, se não nos devolverem os € 13 milhões, como pensamos que acontecerá, é que esse dinheiro pode ser somado ao total pela contratação de Neymar. Serei contundente: se o senhor Cases não tivesse denunciado, agora não estaríamos aqui. Fizemos tudo o que era possível para trazer Neymar ao Barcelona, ainda que isso pese a alguém”.

Ficou clara a diferença? Mesmo com os valores não declarados e a queda óbvia de Sandro Rosell por conta da fraude fiscal, a diretoria do Barcelona continua irredutível em admitir o erro. Pior ainda, joga toda a culpa em Jordi Cases, o sócio que fez a denúncia que se desdobrou em toda a investigação sobre o clube. Com as cartas sobre a mesa, é difícil saber a quem os cartolas blaugranas tentam enganar. Ao que parece, só a si mesmos.


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