Lavezzi Cavani PSG 169

Hora do balanço da Ligue 1

As festas de fim de ano chegaram, a Ligue 1 deu uma pausa (esta coluna também, porque ninguém é de ferro), e chegou a hora de fazer um balanço geral de como foi o campeonato até aqui. A princípio, fica claro que Paris Saint-Germain, Monaco e Lille disputam um torneio à parte, dada a distância enorme para os demais competidores. Na última rodada, o LOSC arrancou um empate por 2 a 2 com o PSG no Parc des Princes, mas isso não quer dizer que os atuais campeões devem se sentir ameaçados.

Os parisienses dominam a Ligue 1 sob todos os aspectos. Os números, apresentados com mais detalhes na segunda parte desta análise, falam por si próprios. E, claro, toda a atenção da mídia está voltada para Ibrahimovic, Cavani, Thiago Silva e companhia bela. Exceto por cinco empates e pela derrota para o Évian, o PSG passeou sob a batuta de Laurent Blanc. O time ainda não abriu distância confortável para Monaco e Lille, mas isso é apenas uma questão de tempo.

O Monaco, como era de se esperar, surge como a mais forte ameaça aos parisienses. Em seu estrondoso retorno à primeira divisão, turbinado graças aos milhões de euros injetados pelo russo Dmitry Rybolovlev, o time do principado conhece os mesmos problemas de quando o PSG entrou para o clube dos novos-ricos. O time sofreu com um período de oscilação entre outubro e novembro, o que o fez perder força na disputa pelo primeiro lugar na tabela. Pode parecer paradoxal, mas o ASM ainda precisa ir às compras em janeiro para encontrar o equilíbrio necessário para desbancar o líder.

Para quem esperava uma briga resumida a PSG e Monaco, o Lille surpreende pela resistência. Seu desempenho no Parc des Princes, no 2 a 2 com os líderes, atesta como a equipe tem totais condições de sonhar alto. Mesmo com dificuldades financeiras e sem o poderio econômico dos dois rivais, o LOSC soube compensar com um estilo de jogo coletivo e uma defesa quase intransponível, que sofreu apenas oito gols até aqui.

No bloco dos mortais, o Olympique de Marselha paga o preço por apostar na contratação de jovens talentos. A estratégia pode dar certo no futuro, mas no momento ela tem deixado a equipe em dificuldades. Apenas Thauvin correspondeu às expectativas. Imbula e Lemina mostraram-se inconstantes. A inexperiência foi fatal na Liga dos Campeões, na qual o OM foi eliminado com uma vergonhosa campanha e um recorde negativo de seis derrotas. O fato de cair em um grupo complicado (Arsenal, Borussia Dortmund e Napoli) não ameniza a situação. Tanto que o técnico Elie Baup, que não conseguiu dar um padrão ao time, teve sua cabeça cortada.

Em quarto lugar, o Bordeaux resume muito bem como anda o nível da grande maioria dos clubes franceses. Os girondinos capricharam no estilo de jogo minimalista, sem correr grandes riscos e sem proporcionar bons espetáculos. A tática de se defender a qualquer custo e, se der, partir para o ataque apenas na certeza de que vai dar alguma coisa de bom rendeu pontinhos preciosos aos Marine et Blanc. O Lyon, de quem se esperava alguma coisa, oscila entre jogos medíocres e apresentações dignas de aplauso.

Numeralha do 1º turno

Pela terceira vez consecutiva, o Paris Saint-Germain conquistou o simbólico título de campeão de inverno da Ligue 1. Para quem esperava um amplo domínio dos atuais campeões, o cenário se assemelha bastante ao visto em 2012/13. O PSG não conseguiu se desgarrar tanto de seus perseguidores mais próximos. Se na última temporada o Lille acompanhou o ritmo dos parisienses, desta vez o Monaco (três pontos a menos) e o mesmo LOSC (quatro) aparecem próximos ao líder.

O trio que encabeça a Ligue 1, por sua vez, está anos-luz à frente dos demais concorrentes e já podem se considerar classificados para a próxima edição da Liga dos Campeões. Fica a expectativa para saber se o PSG abrirá distância para os rivais no segundo turno, assim como fez em 2012/13. Na temporada passada, os parisienses foram campeões de inverno com apenas 38 pontos, uma das piores marcas dos últimos anos. Agora, com 44, detém o segundo melhor desempenho da última década, perdendo apenas para o Lyon de 2007, que obteve 50 pontos no primeiro turno.

Nos números, o PSG impressiona. O time apresenta um impressionante saldo de 31 gols. Seu ataque balançou as redes adversárias nada menos do que 44 vezes – 28 deles em casa, dez a mais do que o Saint-Étienne. Como visitante, o time da capital também lidera as estatísticas de gols marcados: 16, dois a mais do que Monaco e Lyon. O PSG só leva a pior no quesito de defesa menos vazada. O Lille sofreu apenas oito gols, contra 13 do líder.

Os parisienses ainda ostentam com orgulho a invencibilidade dentro de casa – é o único que não perdeu em seus domínios neste primeiro turno. Além disso, o PSG tem o menor número de derrotas como visitante (apenas uma), ao lado de Monaco e Bordeaux. Lille e PSG obtiveram o maior número de pontos em seus domínios: 24, sendo que o LOSC disputou um jogo a mais em casa o que os parisienses. Fora de casa, o atual campeão conquistou 20 pontos, dois a mais do que o Monaco.

Valenciennes e Ajaccio, por outro lado, deram vexame diante de seus torcedores. Eles têm o pior desempenho como mandantes, com apenas seis pontos ganhos e uma mísera vitória. O Olympique de Marselha também passou vergonha e já desperdiçou 14 pontos no Vélodrome (um empate e quatro derrotas). Montpellier, Bastia, Ajaccio e Sochaux não conquistaram um triunfo sequer longe de seus domínios – os Leões têm a vergonhosa marca de nove derrotas em dez jogos fora de casa. Já o Montpellier é o rei da coluna do meio quando atua como visitante: foram seis empates em oito partidas.

O Ajaccio, com nove pontos, conseguiu a façanha de se tornar o time com pior desempenho no primeiro turno da Ligue 1 na última década. O ACA tem o ataque mais sem graça da competição, com apenas 13 gols marcados (dois a menos que o Sochaux e a quatro do Valenciennes). A equipe corsa só não tem a defesa mais vazada porque o Sochaux caprichou: 39 a 34. Para desanimar ainda mais a torcida do Ajaccio, apenas o Saint-Étienne, em 88/89, escapou do rebaixamento após um começo de temporada tão ruim.

Na tábua de artilheiros, outra vez o Paris Saint-Germain navega tranquilamente. Zlatan Ibrahimovic lidera a lista de goleadores com 15 gols, seguido por Edinson Cavani (12). Os números calam quem achava que o suco deixaria de brilhar tanto após a contratação do uruguaio. Se os dois mantiverem o ritmo, chegarão a um feito histórico. A última vez na qual dois jogadores de uma mesma equipe foram artilheiro e vice do Francês foi em 1935, com Abegglen e Courtois, do Sochaux.

A revelação fica para Vincent Aboubakar. Aos 21 anos, o atacante do Lorient marcou onze gols no primeiro turno, dois a mais do que nos três anos nos quais defendeu o Valenciennes. Mais: ele aparece à frente do badalado Radamel Falcao García, autor de nove gols pelo Monaco. Curiosamente, Ibrahimovic aparece como o ‘artilheiro’ nas cobranças de falta com… dois gols (não entram aqui os pênaltis convertidos). Nada muito espantoso, levando-se em consideração que somente 4% os gols marcados até aqui na Ligue 1 saíram desta forma. Em termos de assistências, Yoann Gourcuff aparece em terceiro lugar com cinco passes decisivos – a surpresa se deve ao escasso tempo de jogo do meia lionês. Ibrahimovic lidera (sete), seguido por James Rodríguez, do Monaco (seis).

Com uma média de gols de 2,43, a Ligue 1 ficou bem longe dos principais torneios nacionais da Europa: Bundesliga (3,2), La Liga (2,93), Serie A (2,78) e Premier League (2,66). Apenas a Liga ZON Sagres teve média pior (2,42). Os estrangeiros se destacam na lista de artilheiros do Francês: eles foram responsáveis por 56,7% das bolas na rede. Os brasileiros lideram com 21 gols marcados, seguidos pelos marfinenses (19) e colombianos (17).