por Leandro Stein e Ubiratan Leal

Foi um daqueles momentos em que você vê algo e sabe que ganhou uma missão para sua vida. Um desejo incontrolável, um desafio que precisa ser enfrentado, mesmo que a vitória pareça improvável. É como o Monte Everest para Edmund Hillary, Moby Dick para o Capitão Ahab, o Vietnã para Lyndon Johnson, o Super Bowl para Dan Marino, Roland Garros para Pete Sampras. Foi esse o tamanho do impacto das imagens dos cachorros quentes da Copa, como informalmente chamamos os Hot Dogs da Torcida lançados pelo WDog, quiosque do Shopping Metrô Itaquera (que, para quem não sabe, fica ao lado da estação Itaquera do metrô de São Paulo e, consequentemente, da Arena Corinthians).

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O esquema é parecido com os lanches da Copa do McDonald’s: cada dia da semana, um cachorro quente diferente, homenageando um país. Mas o pessoal do WDog (na verdade, o dono Wesley Machado, o “W”) foi mais radical: os pães foram tingidos com corantes comestíveis, para levarem as bandeiras dos países, e os recheios, seguindo a saudável e correta tradição paulistana de colocar tudo quanto é coisa aleatória ao lado da salsicha, são de elementos da culinária de cada nação homenageada. E assim temos coisas como cachorro quente de feijoada, de hot roll e de polpetone.

Assim, designamos duas cobai… dois bravos membros da equipe com grande expertise em gastronomia (mentira) para experimentar. E comendo todos no mesmo dia! Um belo desafio, mas a Trivela está aqui para levar a melhor informação aos leitores. Mesmo que isso represente um grande esforço de reportagem.

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Mas o resultado final foi surpreendente. Ainda que alguns sejam melhores que outros, todos os recheios foram aprovados. E, por mais estranho que sejam esses pães coloridos, eles têm firmeza, maciez e umidade adequadas para a função. E o corante não altera o gosto. De qualquer modo, se esse preconceito compreensível for o problema deve ser possível pedir para montarem o lanche com o pão tradicional.

WDog Americano

Dia da semana: segunda
Ingredientes: maionese de mostarda, linguiça, coleslaw, cheddar  e molho barcebue
Nota: 7

Dog EUA 2

É um cachorro quente gostoso. A maionese de mostarda é boa, a linguiça é o destaque do lanche, o coleslaw (uma salada de repolho comum em dogões nos Estados Unidos) tem motivos para estar ali, o cheddar e o barbecue cumprem sua função. É um time correto no papel, e não faz uma campanha ruim. mas faltou um pouco mais de entrosamento para tentar brigar por uma vaga nas semifinais. Os molhos junto com a linguiça ajudam a reunir até mesmo a torcida que, mesmo não gostando tanto de futebol, pode lotar os estádios. Mas o coleslaw parece não casar tão bem. É o Donovan desse time: todo mundo espera que esteja lá, mas há um problema de relacionamento com parte do grupo. Por isso, o Dog Americano passa de fase, mas não briga pela ponta com os cachorros grandes dessa competição.

WDog Mexicano

Dia da semana: terça
Ingredientes: salsicha tradicional, doritos, guacamole, chili e pimenta dedo de moça
Nota: 9

Dog México 3

Esse dog do México não se assemelha em nada à atual seleção do país. Afinal, ele é muito bom e satisfaz a todo mundo, ao contrário do time Miguel Herrera. O chili é um grande veterano dos cachorros quentes, um Hugo Sánchez que apimenta o sanduíche e pode ser considerado o melhor de seu país em todos os tempos. Ao seu lado, outros elementos tão tradicionais quanto Blanco ou Jorge Campos: nachos e guacamole. E fique tranquilo, Chicharito não aparece nesse lanche – nada de ervilhas em meio a tantos clássicos mexicanos. Essa combinação salsicha + chili + nachos não é inovadora, mas cansou de fazer sucesso na América do Norte e aparece como uma potência nesse torneio mundial. Chega até as semifinais, e só cai depois de muita luta.

WDog Brasileiro 

Dia da semana: quarta e sábado
Ingredientes: linguiça, feijoada, farofa de banana, bacon, couve e molho de feijoada
Nota: 9,5

Dog Brasil 3

Esse dividiu opiniões desde o início. Um dos degustadores da equipe estava animado, confiava no potencial da combinação feijoada + pão. O outro era mais reticente, achava que era melhor deixar no banco, talvez na lista de espera caso alguém contundisse. Mas, como Garrincha contra a União Soviética em 1958 ou Josimar contra a Irlanda do Norte em 1986, esse cachorro quente de feijoada entrou em campo e mudou o jogo. A linguiça no lugar da salsicha ajuda o feijão a se sentir jogando em casa. Uma leve pimenta no molho dá aquela desequilibrada, a farofa dá textura e a couve não atrapalha. Entretanto, a receita do pão (sim, mesmo verde) é que faz toda a diferença. Carrega o piano para que os outros ingredientes se sobressaiam. Metades como Paulinho e Luiz Gustavo no meio-campo da seleção. Cancha para conquistar o hexa.

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WDog Italiano

Dia da semana: quinta
Ingredientes: polpetone recheado com queijo mussarela, molho italiano e manjericão
Nota: 8

Dog Itália 2

Não é propriamente um cachorro quente, mas é um baita lanche. O sanduíche da Itália aposta em algumas das principais tradições de uma culinária que é bastante familiar: o molho vermelho de gosto marcante, como os três zagueiros que vez ou outra aparecem no time e garantem a qualidade, e o manjericão (porque tomate + manjericão é a mistura mais vitoriosa da gastronomia). Mas o craque mesmo é a porpeta recheada com muito queijo que completa o pão. É o Pirlo que distribui o jogo (no caso, o queijo) por todos os lados e deixa a partida sob o seu gosto em todas as partes do campo. Não é muito inovador e não tem um gosto de cachorro quente, mas tem um sabor bem italiano e cumpre seu papel.

WDog Japonês

Dia da semana: sexta
Ingredientes: hot roll, sukiyaki, molho tarê e gergelim
Nota: 7,5

Dog Japão

O Japão não é o país que mais ama o futebol, assim como o salmão não é dos recheios que mais combinam com o pão. Mesmo assim, os outros elementos ajudam bastante o lanche nipônico a dar liga. A massa do hot roll dá a consistência e torna a refeição ainda mais completa (em outras palavras, é o que mais enche o bucho), enquanto o molho tare e o sukiyaki dão o real toque de qualidade no lanche, como Kagawa e Honda nas meias dos Samurais Azuis. Não é nenhum Tsubasa, mas pode surpreender e chegar longe na Copa.

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WDog Alemão

Dia da semana: sábado
Ingredientes: maionese verde, salsicha alemã, picles, purê de batata, chucrute, cebola caramelizada e mostarda escura
Nota: 9,5

Dog Alemanha 2

Sempre forte no futebol, a Alemanha também repete a fórmula no cachorro quente. Bem, eles são especialistas em “carnes em forma de tubo”, como diria Anthony Bourdain. De salsichas e linguiças eles entendem, e combiná-las com ingredientes tradicionais alemães é fácil como montar um time competitivo tendo Neuer no gol e Schweinsteiger no meio-campo. A mostarda escura é o craque da equipe, com muito entrosamento com a salsicha alemã. Mas a neutralidade do purê, o azedo do chucrute e o adocicado da cebola não deixam o amargo da mostarda dominar tudo sozinho, criando uma combinação homogênea. Experimentando um desses, você passa a ter as mesmas chances de Klose para igualar Ronaldo: ele nos gols, você no peso. É um ótimo cachorro quente, com jeito de cachorro quente. Vai disputar a final com o dog brasileiro, e perde nos pênaltis para a gente só porque o Brasil tem como diferencial o fator surpresa.

WDog Argentino 

Dia da semana: domingo
Ingredientes: maionese de alho, linguiça, vinagrete, pimentão amarelo e molho chimichurri
Nota: 8,5

Dog Argentina 2

Sabe aquele lanche de porta de estádio? Então, o dog da Argentina é o que mais tenta a cara de “hinchada”, que não deixa de empurrar o time a todo o momento. A grande figura (o Messi deste cachorro quente) é o azeite, que está presente no vinagrete, no chimichurri (molho que argentinos e uruguaios usam muito em churrasco, é parente do vinagrete) e no pimentão refogado, unindo todas as peças para o time jogar junto. A maionese de alho e a linguiça dão um gosto de lanche que se monta em um churrasco com amigos. O pão molhadinho é outro ponto forte, embora haja o risco dele desmanchar em suas mãos – portanto, não seja como Romero e segure firme. A sensação é que ficaria ótimo em um pão francês. Uma espécie de Tevez, que a gente sabe que é muito bom, mas está de fora dessa Copa do Mundo de sanduíches e poderia levar o time além. Só um detalhe: é o cachorro quente mais leve de todos. Então, uma pessoa mais faminta não se sentirá saciada com apenas um. Por isso perde um pouco de terreno em comparação com alguns outros na nossa avaliação (mas pode até ser uma vantagem, se você não está com tanta fome).

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