Por algum tempo, os americanos acreditaram que contariam com o melhor goleiro do mundo. A meta da seleção teve ótimos guardiões por duas décadas, com Kasey Keller, Brad Friedel e Tony Meola. No entanto, muitos apostavam que Tim Howard não só iria superá-los, como também estaria à frente de qualquer outro camisa 1 do mundo. Era o garoto que surgiu na MLS Pro-40, a academia que revela os principais jogadores no país, e que logo começou a estourar no Metrostars. Howard nunca chegou a ser considerado o melhor do mundo. Mas, a partir desta terça, será lembrado por uma das maiores atuações das Copas.

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O que Howard pegou contra a Bélgica foi um absurdo. Teve explosão e elasticidade para fazer as defesas dos mais diferentes tipos. Saiu nos pés dos atacantes, espalmou cabeçadas à queima roupa, segurou chutes de longe. Até quando errou, acabou dando sorte, seja graças ao travessão ou aos bloqueios providenciais de seus defensores. Não pôde fazer mais milagres para evitar os tentos de Lukaku e De Bruyne. Mesmo assim, foram 16 defesas do goleiro (segundo a base de dados da Fifa, 16 conforme o Opta). A maior marca das Copas desde 1966, quando os números começaram a ser computados. Talvez, o recorde histórico, algo que nunca se saberá.

Howard não virou tudo aquilo que os americanos imaginavam. Não se firmou no gol do Manchester United, após deixar a MLS. Partiu para o Everton, onde toma conta da posição desde 2006. Nunca foi o melhor da Premier League, mas esteve entre os melhores. E sempre honrou os seus antecessores com a camisa 1 da seleção. Até falhou nesta Copa, mas os milagres foram muito mais notáveis, sobretudo contra Portugal. E este jogo contra a Bélgica só deixa o americano como forte candidato à Luva de Ouro.

Às vésperas da Copa, a Nike lançou um comercial em desenho animado que já se tornou clássico. Os craques patrocinados pela empresa se juntariam para salvar o futebol dos clones que começavam a dominar o mundo. Ao lado de Cristiano Ronaldo, Neymar, Ibrahimovic, Iniesta, Rooney e tantos outros jogadores de renome, Howard é quem defendia o gol. Parecia que era só estratégia de marketing para o mercado americano. Depois dessa partida, a confiança no americano para “salvar o futebol” está mais do que justificada.