Eto'o e Schürrle, do Chelsea, comemoram (AP Photo/Alastair Grant)

A humilhação do Arsenal significa muito, especialmente para Mourinho

Tudo bem que o jogo acontecia em Stamford Bridge, mas a tarde era de homenagens a Arsène Wenger. O técnico que marcou a história do Arsenal completava mil jogos à frente do clube. No entanto, justamente diante de seu desafeto José Mourinho, a quem nunca venceu, e dentro do estádio onde o português nunca perdeu pela Premier League. Resultado? Talvez a maior humilhação dos Gunners sob as ordens do treinador francês. Goleada por 6 a 0 dos Blues, que se consolidam ainda mais na busca pelo título inglês e ainda desmoralizam um de seus principais rivais na disputa.

Em suas trocas de farpas mais acirradas, Wenger já chegou a acusar Mourinho de ser retranqueiro demais. “Eu sei que vivemos em um mundo onde só há vencedores e perdedores, mas a partir do momento em que o esporte encoraja equipes que se recusam a tomar iniciativa, o esporte está em perigo”, afirmou ainda em 2005, quando a rivalidade ainda começava. No encontro do primeiro turno, um duelo amarrado no Estádio Emirates, as palavras do francês voltaram a fazer sentido. Mas pareceram surreais neste sábado. O Chelsea de Mourinho deu a maior prova de sua voracidade ofensiva nesta temporada, sem deixar os Gunners respirarem em Stamford Bridge.

Afinal, em 16 minutos o Chelsea já havia aberto três gols de vantagem no placar. A cadência de Oscar se combinava muito bem como o ímpeto de Andre Schürrle e Eden Hazard pelas pontas, uma trinca de meias muito bem afiada. Samuel Eto’o, que precisou deixar o campo logo aos dez minutos por sentir lesão, deixou seu cartão de visitas e foi bem substituído por Fernando Torres. Já na cabeça de área, David Luiz e Nemanja Matic eram os motores do time, excelentes no combate para forçar os erros dos adversários e começar a construção do jogo ofensivo.

Britain Soccer Premier League
A fome de bola do Chelsea definiu a partida. Mas também não dá para eximir o Arsenal de seus erros. Em certos momentos, os Gunners pareciam pedir pela goleada. Erravam demais passes que deveriam ser de segurança no meio-campo e, assim, se expunham aos letais ataques rápidos dos rivais. Além disso, as brechas dadas pela linha defensiva eram enormes, especialmente pelo lado esquerdo, com Kieran Gibbs. E a expulsão do lateral (em uma decisão clamorosamente equivocada do árbitro Andre Marriner, após toque de mão Alex Oxlade-Chamberlain dentro da área) não melhorou a situação dos visitantes.

Com o placar consolidado em tão pouco tempo, o Chelsea diminuiu seu ritmo. Mas nem por isso deixou de buscar o gol. A equipe de José Mourinho continuou forçando Wojciech Szczesny a fazer algumas boas intervenções e, quando o goleiro falhava ou a defesa não ajudava, seguia marcando gols. Oscar deu números à goleada no fim do primeiro tempo. Já na segunda etapa, quando Wenger tentou acertar seu time com duas alterações, colocando Mathieu Flamini e Carl Jenkinson. Diminuíram as avenidas, mas não resolveu tanto assim. Oscar, mais uma vez, e Mohamed Salah finalizaram o massacre, que seguiu com os Blues indo com mais sede ao pote.

A vitória dá novo vigor ao Chelsea na Premier League, especialmente depois da derrota para o Aston Villa na última rodada. Os Blues chegam aos 69 pontos e ainda podem ser ultrapassados pelo Manchester City, com quatro jogos a menos e nove pontos atrás. De qualquer maneira, a goleada sobre o Arsenal tem um significado imenso como demonstração de força do time de José Mourinho, dono de uma defesa sólida e de um ataque com muitos recursos.

Enquanto isso, ao Arsenal, o sonho parece mesmo limitado a uma vaga na Liga dos Campeões e ao que resta da Copa da Inglaterra. Um time que sonha com o título não pode tomar 17 gols nas visitas aos seus três concorrentes – além dos 6 a 0 deste sábado, 5 a 1 contra o Liverpool e 6 a 3 contra o Manchester City. Especialmente, atuando da maneira desleixada nos primeiros minutos, como foi contra os Reds e contra os Blues, errando demais em jogadas primárias e deixando as costas livres. Wenger tem seus méritos por mudar os rumos de uma temporada que parecia negra para os Gunners. Mas seu segundo milhar de jogos à frente do clube começam com muito ainda a se acertar.

Formações iniciais

Chelsea Arsenal

Destaque do jogo

O ímpeto do Chelsea. Desde os primeiros minutos, os Blues deixaram claro que não estavam ali para brincadeira. E a permissividade do Arsenal não deu em outra: goleada certa. Os três gols em 16 minutos demonstram bem isso. A precisão do time de José Mourinho também ajudou bastante, com 11 dos 21 chutes que deram no alvo. Individualmente, Schürrle, Oscar e Hazard bagunçaram a defesa dos Gunners, enquanto Matic chegou muito bem de trás.

Momento chave

A expulsão pode ter deixado o Arsenal sem forças para a reação, bem como deu a brecha para o terceiro gol, mas o momento que realmente poderia ter mudado a história do jogo ocorreu logo aos quatro minutos. Rosicky enfiou a bola e Giroud bateu no canto. Tudo para que os Gunners abrissem o placar. Mas Petr Cech estava lá. O goleiro foi buscar no cantinho e manteve a sorte do confronto. Segundos depois, Eto’o abria o placar.

Os gols

4’/1T – GOL DO CHELSEA! Ótima arrancada de Schürrle pela intermediária. O alemão passa para Eto’o, que corta Chamberlain e finaliza com categoria, longe do alcance de Szczesny.

7’/1T – GOL DO CHELSEA! Cazorla erra na saída de bola e deixa uma avenida aberta para os Blues. Matic rola para Schürrle e, com Koscielny abrindo alas, o camisa 14 chuta no canto.

17’/1T – GOL DO CHELSEA! Hazard finaliza no canto e Chamberlain espalma a bola para evitar o tento. Pênalti e expulsão – de Gibbs, por erro do árbitro. O próprio Hazard cobra, no meio.

42’/1T – GOL DO CHELSEA! Excelente arrancada de Fernando Torres pela direita, com a defesa do Arsenal aberta. O espanhol rola para Oscar, livre na pequena área, que só escora.

21’/2T –GOL DO CHELSEA! Saída de bola errada do Arsenal e os Blues não perdoam de novo. Da entrada da área, Oscar arrisca o chute, a bola quica e mata Szczesny, que aceitou.

26’/2T – GOL DO CHELSEA! Lançamento primoroso de Matic, que pega a defesa do Arsenal desprevenida e deixa Salah com o campo livre para correr. O egípcio toca na saída do goleiro.

Curiosidade

Foi apenas a terceira vez na história da Premier League (a partir de 1992/93) que o Arsenal tomou quatro gols ou mais no primeiro tempo. E apenas a quarta que fechou os 90 minutos com pelo menos seis gols sofridos. Além disso, é a maior diferença de gols já engolida por Wenger com os Gunners, ao lado dos 8 a 2 do Manchester United de agosto de 2011.

Ficha técnica

CHELSEA 6×0 ARSENAL

Chelsea
Petr Cech, Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e Cesar Azpilicueta; David Luiz (John Obi Mikel, 27’/2T) e Nemanja Matic; Andre Schürrle, Oscar (Mohamed Salah, 22’/2T) e Eden Hazard; Samuel Eto’o (Fernando Torres, 10’/1T). Técnico: José Mourinho.

Arsenal
Wojciech Szczesny, Bacary Sagna, Per Mertesacker, Laurent Koscielny (Carl Jenkinson, intervalo) e Kieran Gibbs; Mikel Arteta e Alex Oxlade-Chamberlain (Mathieu Flamini, intervalo); Tomas Rosicky, Santi Cazorla e Lukas Podolski (Thomas Vermaelen, 24’/1T); Olivier Giroud. Técnico: Arsène Wenger.

Local: Stamford Bridge, em Londres
Árbitro: Andre Marriner
Gols: Eto’o, 4’/1T; Schürrle, 7’/1T; Hazard, 17’/1T; Oscar, 42’/1T e 21’/2T; Salah, 26’/2T.
Cartões amarelos: Rosicky
Cartões vermelhos: Gibbs