A Alemanha fez sua pior partida na Copa de 2014 contra a Argélia. A equipe se expôs demais aos contra-ataques argelinos, e muito por conta das opções de Joachim Löw na escalação, expondo demais a sua linha defensiva. Mas também porque sentiu o desfalque de seu melhor jogador da zaga. Para enfrentar a França, o técnico mudou a cara do Nationalelf para enfrentar o potente meio-campo dos Bleus e atuou de maneira muito mais compacta, diminuindo os espaços. Entretanto, tão essencial para a classificação quanto a mudança tática foi o retorno de Mats Hummels.

O camisa 5 fez a diferença ao marcar o único gol da Alemanha. Foi um perigo constante nas subidas ao ataque, aproveitando as falhas de marcação de Raphael Varane. Entretanto, por mais que sua cabeçada certeira marque a partida, mais imponente ainda foi a sua atuação defensiva. Hummels beirou a perfeição para comandar uma defesa que assustou tanto nas últimas partidas.

É claro que Phillip Lahm foi muito bem no retorno à lateral direita. Benedikt Höwedes surpreendeu positivamente na esquerda, esbanjando muito mais segurança ao ser menos exigido no apoio. Quando o perigo foi maior, Manuel Neuer salvou. Mas o grande pilar do time foi mesmo Hummels. Com as mudanças táticas, a Alemanha jogava praticamente com três zagueiros, diante das subidas constantes de Lahm. O camisa 5 era o “líbero”, que compensava a lentidão de seus companheiros, mostrando ótimo tempo de bola e senso de posicionamento.

Se Karim Benzema, um dos melhores jogadores da Copa até então, teve poucos espaços no ataque, Hummels possui seus créditos nisso. O zagueiro foi excelente especialmente nos bloqueios dentro da área e no jogo aéreo. Fez sua melhor partida no Mundial, especialmente depois do jogo de Gana, quando os alemães sofreram mais do que o esperado. E mostrou também que foi a peça que às vezes faltou à seleção em suas principais quedas.

Hummels ainda não fazia parte do Nationalelf na Copa de 2010. Passou a ser nome frequente a partir de então, quando suas grandes atuações com a camisa do Borussia Dortmund eram inquestionáveis. Em seus altos e baixos desde então, foi eliminado na Euro 2012 quando Mario Balotelli o superou. Mas voltou ao ápice no momento certo, justo na Copa do Mundo de 2014. Para provar que não é apenas o melhor zagueiro alemão em muito tempo, mas também um dos melhores do mundo na posição.