Iarley defendeu 12 camisas diferentes ao longo da carreira. Se aposentou em 2014 defendendo o time pelo qual foi revelado, o Ferroviário. Passou por Ceará, Paysandu, Boca Juniors, Internacional, Goiás e Corinthians. Foram muitas torcidas e muita paixão, mas uma acabou sendo marcante: a do Boca Juniors. O clube argentino é conhecido no mundo pela paixão dos seus torcedores, pelo clima que se cria na Bombonera, estádio do time. No tempo que esteve defendendo as cores do Boca, Iarley se acostumou a viver o clima da Bombonera, um dos estádios mais temidos do futebol e que os brasileiros se acostumaram a jogar como adversário. Iarley viveu a experiência de ter a torcida xeneize a seu favor.

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Aos 40 anos, Iarley tornou-se comentarista de TV do Internacional na Copa Libertadores, a convite da ESPN Brasil, onde concedeu entrevista a jornalistas. Um dos poucos brasileiros a terem defendido o Boca Juniors nos últimos anos, ele contou sobre a atmosfera que se forma na Bombonera, conhecido como um dos estádios mais difíceis para os visitantes jogarem. Ele viveu aquele ambiente em 2003, quando jogou contra o Boca pelo Paysandu e conseguiu marcar o gol da vitória do Papão por 1 a 0. O Boca eliminaria o Paysandu no jogo de volta em Belém, mas a sua atuação levou o time argentino a contratá-lo ao final da Libertadores.

“A torcida do Boca é algo diferente. Transmissão uma emoção muito grande. A parte da organizada fica vazia no começo do jogo, eles só entram com 15 minutos. E ninguém ocupa o lugar deles. Quando eles entram, o estádio sente, o time vibra, o adversário se retrai. É um clima incrível”, conta Iarley, que defendeu o Boca em 2003 e 2004. Pelo clube argentino, conquistou o Apertura de 2003 e o Mundial de Clubes daquele mesmo ano.

Jogar na Argentina, porém, foi uma missão complicada. Iarley era o único brasileiro no elenco do Boca, mas conseguiu se estabelecer como titular. “O argentino é bastante complicado. Não pode ser muito tímido, mas também não pode ser alegre demais. Tem que entrar nas brincadeiras. Eles xingam o Brasil, a gente xinga a Argentina. Tem aquelas discussões sobre Pelé e Maradona, a gente fala que o Pelé é melhor. Eles pegam pesado com brasileiros sim e é difícil, mas tem que se adaptar e é possível ter sucesso. Ele conseguiu ir bem e no clássico com o River Plate, em 2003, ele marcou um dos gols em pleno estádio Monumental de Núñez, que ajudou o clube a vencer por 2 a 0 e encaminhar a conquista do Apertura.

Pelo Boca, Iarley jogou a Libertadores de 2004, que o time foi vice-campeão. Na final, o Boca acabaria derrotado pelo Once Caldas, a grande surpresa daquele ano. Os dois times empataram por 0 a 0 o jogo de ida na Bombonera e por 1 a 1 o jogo de volta no estádio Palogrande, em Manizales. Nos pênaltis, os colombianos venceram por 1 a 1.

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Tendo vivido a Libertadores por Paysandu, Boca Juniors, Internacional e Corinthians, Iarley enfrentou muitas dificuldades, mas nenhuma delas, segundo ele, como a altitude de La Paz. “É o mais terrível de se enfrentar, mais do que o adversário. Você sente, é difícil jogar lá. Eu vi muitos companheiros passarem mal, alguns ficavam os 15 minutos do intervalo grudados no tubo de oxigênio, sem conseguir se mexer. É um lugar que eu não gostaria de voltar como jogador”, contou Iarley, que jogou por lá em 2004 pelo Boca contra o Bolívar.

Em 2003, em seu primeiro ano no Boca, Iarley foi campeão mundial jogando pelo clube argentino, três anos antes de levar o mesmo título pelo Internacional. A camisa 10 do time era de Iarley, que fazia dupla de ataque com Guillermo Barros Schelotto. Mesmo contra o favorito Milan de Carlo Ancelotti, que contava com Dida, Cafu, Maldini, Seedorf, Pirlo, Kaká e Shevchenko, o Boca venceu nos pênaltis, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal. O Milan abriu o placar com Tomasson, atacante dinamarquês. O gol do Boca teve participação de Iarley, que finalizou em cruzamento da esquerda, gerou rebote do goleiro Dida e Donnet empatou. Nos pênaltis, o Boca levou por 3 a 1.

Aquela experiência com o Boca ajudou Iarley com o Inter, três anos depois. “Tanto Boca quanto Inter foram para o Mundial sabendo quem era o favorito. Milan e Barcelona já eram considerados campeões, mas nos dois times nós fomos para ganhar. No Boca, acreditavam no título e jogamos para isso. Levei essa experiência para o Inter, porque são 11 contra 11 em campo. Mesmo que um deles ganhe mais do que quase o nosso time todo. E tive a felicidade de participar bem dos dois títulos”, lembra Iarley, que, assim como em 2003, participou do lance do gol do Inter em 2006. Foi dele o passe para Adriano Gabiru marcar o gol da vitória sobre o Barcelona de Ronaldinho por 1 a 0. Um momento que o torcedor do Inter não esquecerá jamais.

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