O adeus de Aymeric Laporte não era exatamente algo que o Athletic Bilbao queria, mas não dá para negar que acabou sendo oportuno. Como acontece de praxe com os principais jogadores do clube, o zagueiro não foi negociado com o Manchester City. Saiu apenas quando os ingleses pagaram os €65 milhões relativos à rescisão de seu contrato. Mas não foram apenas os bascos que lucraram com o negócio. Parte do dinheiro será redirecionado aos direitos formativos do defensor de 23 anos. E essa parcela já fará uma diferença gigante ao pequeno Sporting Union de Agen, onde o atleta iniciou sua carreira.

Agen é uma cidade de 35 mil habitantes na região da Aquitânia, sudoeste da França, próxima a Bordeaux e Toulouse. Laporte nasceu no município e começou a trajetória no Sporting Union quando tinha seis anos. Com raízes familiares bascas, o francês foi descoberto pelo Athletic Bilbao aos 15 anos, em partida na qual defendia a seleção da Aquitânia. Assim, os leones acertaram sua contratação para as categorias de base e o repassaram ao Aviron Bayonnais, clube conveniado no lado francês do País Basco. Ele ficou por lá até completar 16 anos, quando as regras internacionais permitiram sua transferência a um outro país.

Por ter abrigado Laporte dos 12 anos a pouco antes dos 16, o Sporting Union receberá 1% da transferência de Laporte. Os €650 mil serão divididos em quatro parcelas iguais ao longo das próximas quatro temporadas. E o valor, que parece ínfimo dentro das cifras do futebol, cai dos céus ao clube que milita na oitava divisão do Campeonato Francês. Com dívidas avaliadas em €100 mil, os nanicos se encaminhavam para a sua falência judicial na próxima temporada. O depósito permitirá saldar o déficit e ainda sobra um bocado para melhorar as perspectivas esportivas. O time ocupa a penúltima posição na tabela de sua liga.

“Estamos felizes pelo rapaz e terrivelmente aliviados por nossa parte. O destino bateu em nossa porta. É inesperado e uma bela recompensa aos nossos esforços. É uma salvação extraordinária, porque o clube estava em uma situação muito crítica”, afirma Jean-Claude Brunel, dirigente do Sporting Union, ao jornal El Correo. “Se a providência não fosse manifestada, estávamos conformados em fechar as portas ao final da temporada, já que nos encontrávamos na incapacidade de cobrir os gastos de funcionamento”.

Atualmente, os encargos da equipe giram em torno de €180 mil anuais. O Sporting Union chegou mesmo a lançar, no início de dezembro, uma campanha pedindo ajuda à população de Agen, para que salvasse a entidade da extinção. “A transferência de Aymeric nos assegura primeiramente várias temporadas de funcionamento, já que também restauramos pouco a pouco uma imagem muito degradada e poderemos contar com o crescimento dos patrocínios. Mas evitamos cair na euforia, porque outras preocupações se anunciam. Não há desculpas para dilapidar todo esse dinheiro com o pretexto de que teremos os meios reais de nos manter”, explica outro dirigente do pequeno clube, Jean-Pierre Pontens.

Além disso, o Sporting Union aguarda o cumprimento de uma promessa feita anteriormente por Laporte. O zagueiro afirmou que repassará €60 mil dos seus ganhos com a transferência à agremiação, para que mantenham funcionando suas categorias de base e invistam na formação de jogadores. Um gesto de gratidão do francês que, caso se concretize, oferecerá perspectivas ainda maiores ao futebol de Aden.