As regras atuais de punição a jogadores que cometem infrações dentro de campo não parecem justas para Michel Platini. Suspensão de atletas em jogos seguintes ao da punição? Para o presidente da Uefa, isso precisava mudar, e os argumentos do francês são bastante consistentes. Embora reconheça que seja apenas uma ideia inicial, Platini já detalhou o que considera ser o melhor tipo de punição a um infrator e sugeriu que fosse algo como no rúgbi.

“Eu mudaria o sistema de advertências. Faria como no rúgbi, em que os infratores são punidos com dez ou 15 minutos de fora da partida. Dessa maneira, o benefício vai para o time adversário, no mesmo jogo, em vez de uma sanção por cartões que beneficia um terceiro time, o próximo adversário”, explicou Platini ao jornal espanhol AS. “Agora precisa amadurecer a ideia e ver se é boa para o esporte. É uma proposta a ser explorada”, completou.

Se a sugestão do francês faz parte de sua campanha informal para uma possível candidatura à presidência da Fifa no futuro, não podemos ter certeza. Independentemente disso e das últimas sugestões malucas do presidente da Uefa, esta de mudança nas punições parece, na verdade, muito boa. O argumento de que uma suspensão a um jogador beneficia apenas o próximo adversário e não aquele do momento do cartão, é forte, consistente. De fato, seria mais justo favorecer o oponente que sofreu a falta que outro que nada teve a ver com o lance.

Esta não é a primeira vez que o assunto é debatido. Em abril do ano passado, Arsène Wenger, técnico do Arsenal, expressou opinião similar à de Platini. “Se um jogador leva o segundo amarelo, ele é suspenso do jogo seguinte. Mas ele poderia enfrentar o Manchester United nesse jogo seguinte, então eles  (United) teriam uma vantagem, mas o time que sofreu a falta não tem vantagem alguma. Além disso, ficam em desvantagem porque um de seus rivais foi beneficiado. Então às vezes você pensa: ‘Cadê a lógica nisso?’. Seria melhor punir no dia e dar a vantagem ao time que sofreu a falta”, opinou, em entrevista para a Arsenal Magazine.

O treinador ainda colocou outro fator importante na mesa: “Às vezes você vê um cara com os nervos à flor da pele, em um dia estressante. Se o árbitro o tirasse por dez minutos, como no rúgbi, então o treinador teria uma chance de conversar com o atleta e acalmá-lo, pedi-lo para que focasse no jogo. Isso seria melhor a longo prazo”.

É verdade que é difícil mudar algumas regras que estão há tanto tempo estabelecidas em um esporte. Se Platini seguir em frente com seus planos, deverá encontrar alguma resistência em outros dirigentes. Ainda assim, os pontos levantados pelo presidente da Uefa e por Wenger, anteriormente, poderiam melhorar o esporte. A ideia parece boa, e pelo menos uma discussão seria válida.