Neste domingo, 31 de dezembro, completam-se 25 anos do fim da Tchecoslováquia. A dissolução do país havia ganhado nova tônica a partir de 1989, com a chamada Revolução de Veludo, movimento que culminou na deposição do governo comunista. Depois disso, a separação administrativa entre tchecos e eslovacos se tornou paulatina, até que, em 25 de novembro de 1992, o parlamento tchecoslovaco aprovou a divisão do país em dois estados distintos a partir do primeiro dia de 1993.

Diante da data simbólica, publicaremos durante os próximos dias uma série de matérias especiais sobre o futebol na Tchecoslováquia – algumas delas inéditas, outras resgatadas dos nossos arquivos. Abaixo, a quarta delas.

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Entre as seleções “que já não existem mais”, a Tchecoslováquia possui o currículo mais respeitável. Seus clubes não desfrutaram o mesmo sucesso de soviéticos ou iugoslavos além das fronteiras. No entanto, o sucesso da equipe nacional é inegável. Foram duas finais de Copa do Mundo, em 1934 e 1962, além da conquista que ratificou os tchecoslovacos no topo do continente, a Eurocopa de 1976. A seleção ainda foi duas vezes semifinalista da competição europeia, duas vezes quadrifinalista do Mundial e faturou o ouro olímpico em 1980, bem como a prata 12 anos antes. Em certos períodos posteriores, República Tcheca e Eslováquia até foram capazes de honrar o legado do estado fragmentado em 1993. Todavia, não conseguiram igualar o patamar de seus antepassados.

E o enraizamento do futebol na Tchecoslováquia precisa ser compreendido além da influência do regime comunista ou da própria formação do país, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. A importância da região no cenário esportivo europeu é anterior à unidade entre tchecos e eslovacos. E isso impulsionou o protagonismo dos tchecoslovacos muito além da Cortina de Ferro. Poucos países souberam aproveitar tão bem o ambiente em que estavam inseridos para se desenvolver na modalidade.

O epicentro do futebol na futura Tchecoslováquia é a Boêmia, região histórica que, no final do Século XIX, fazia parte do Império Austro-Húngaro. Se Viena era uma das cidades mais proeminentes da Europa naquele momento, Praga também possuía o seu papel de destaque no coração do continente. A cidade tcheca tinha relevância comercial desde os séculos anteriores, impulsionando depois a sua indústria. Mais do que isso, havia um caldeirão cultural que fervilhava entre os praguenses, abarcando diversos tipos de artes – com destaque para a música, a literatura e a arquitetura. E nesse contexto é que o esporte se inseriu, a partir da década de 1880.

Como em diversas partes da Europa, migrantes e trabalhadores ingleses foram os principais responsáveis pela introdução do futebol na região de Praga. Houve certa resistência das organizações encarregadas de incentivar a prática de exercícios físicos na população, se recusando a incluir a modalidade em suas cartilhas pautadas na ginástica e no atletismo. Mas não foi isso que impediu a febre de bola a se expandir na cidade. A comunidade alemã presente na área teve papel preponderante neste enraizamento, que aos poucos rompeu as resistências e passou a conquistar os locais. Sem surpreender, os estudantes foram os principais entusiastas do novo jogo, organizando-se na realização das recorrentes partidas.

Com o futebol se desenvolvendo bastante na Inglaterra, a década de 1890 marcou o estabelecimento das fundações da modalidade em Praga e nas outras cidades da Boêmia, assim como na Morávia, outra região histórica do que hoje é a República Tcheca. Neste intervalo, também surgiram os primeiros clubes esportivos locais. O AC Praga é considerado o pioneiro, embora os protagonistas da nação não tenham demorado a emergir. Em 1896, Slavia e Sparta participaram do primeiro campeonato local, um quadrangular vencido pelo efêmero Kickers Praga. Enquanto o Slavia nasceu um grupo literário e se ligava à burguesia local, o Sparta foi fundado por dissidentes do AC Praga e logo passou a se identificar com as camadas mais populares da cidade. A semente para a rivalidade.

A virada do século sinalizaria um momento importante de intercâmbio cultural ao futebol da Boêmia. Cada vez mais, se tornaram frequentes as excursões de equipes britânicas pelo Império Austro-Húngaro. Passavam por Viena e Budapeste, mas também possuíam Praga entre seus destinos. O Southampton foi o primeiro clube profissional inglês a atuar na cidade, em 1901, voltando dois anos depois. Em 1904, tanto Celtic quanto Rangers passaram pelos estádios praguenses. E até o final da década, era grande a frequência dos amistosos envolvendo times da ilha – em lista extensa que inclui não apenas emblemas como Arsenal, Chelsea, Tottenham, Everton, Manchester United, Newcastle ou Sunderland, mas também alguns dos principais times amadores, a exemplo Corinthian ou de representantes universitários. O Slavia Praga costumava ser o adversário mais acionado pelos forasteiros.

Além disso, os próprios confrontos dos clubes da Boêmia com austríacos e húngaros se tornaram mais comuns. Em 1897, surgiu a chamada Challenge Cup, disputada entre os melhores das ligas locais. O protagonismo, de qualquer maneira, era praticamente inteiro dos vienenses. No máximo, os boêmios conseguiram dois vice-campeonatos, com Slavia e CAFC Královské Vinohrady. E, curiosamente, os praguenses se destacaram no recém-criado Campeonato Alemão. O Deutscher Fussball-Club surgiu em 1896, fundado por germânicos (especialmente judeus) que moravam em Praga. Participou da formação da federação alemã e disputou a primeira edição da liga local, chegando à decisão, derrotado pelo VfB Leipzig. No entanto, a partir do ano seguinte a Fifa barraria a presença oficial do DFC além das fronteiras, se mantendo na ativa nos limites do Império Austro-Húngaro.

E é necessário destacar ainda a influência da mentalidade de jogo britânica em Praga. Se o Slavia se instituiu como a primeira potência local, se beneficiou da excursão do Celtic em 1904. No ano seguinte, os alvirrubros contrataram John William Madden, ex-jogador dos Bhoys e da seleção escocesa, para comandar sua equipe. O veterano foi responsável por desenvolver o conhecimento tático, como um dos “professores de seu país”, aplicando o estilo mais técnico e de troca de passes fomentado na Escócia. Além disso, também ofereceu outras melhorias, sobretudo na preparação aos jogos. Fez a diferença, a ponto de permanecer no clube por 25 anos e de treinar a seleção tchecoslovaca nos Jogos Olímpicos de 1920.

A Primeira Guerra Mundial, que teve seu estopim dentro do próprio Império Austro-Húngaro, interrompeu a ascensão do futebol na Boêmia. Em compensação, o armistício e a posterior dissolução da monarquia possibilitou a fundação da Tchecoslováquia. Gerou um novo momento, em que o Sparta passaria à vanguarda da modalidade na região. A criação de categorias de base, inspiradas no modelo inglês, deu novo vigor aos grenás. Não à toa, a base da seleção que chegou à final das Olimpíadas de 1920 (embora não tenha ficado com a medalha de prata, ao abandonar o jogo contra a anfitriã Bélgica em protesto contra a arbitragem) era formada pelo clube. Os tempos do chamado “Sparta de Ferro”.

Se John William Madden era o mestre no Slavia, o Sparta também evoluiu a partir das diretrizes britânicas. John Dick atuou no Arsenal por 16 anos, foi capitão dos Gunners e chegou a viajar a Praga em 1907. Retornou à cidade pouco depois de pendurar as chuteiras, treinando o Deutscher. Já em 1919, o Sparta acertou a sua contratação. À frente dos grenás, o escocês enfatizou principalmente o trabalho físico de seus jogadores – com a mentalidade de quem competia em provas cross-country em seus tempos de atleta. Formou um esquadrão, considerado o mais forte da Europa continental no início da década de 1920.

O primeiro título do Sparta de Ferro veio em 1919. Os grenás emendariam o tetra do Campeonato Central da Tchecoslováquia nos anos posteriores, e sem perder uma partida sequer nas quatro campanhas – sustentando uma sequência de 58 vitórias, recorde histórico nas ligas europeias. Eram desafiados pelas outras potências do continente, como o Nürnberg, o Celtic e o Barcelona. Pois os praguenses amassaram todos. Depois de uma breve queda de desempenho, a grande vitória aconteceu em 1925. Base da seleção uruguaia, ouro nos Jogos Olímpicos no ano anterior, o Nacional sucumbiu aos grenás por 1 a 0. O triunfo valeu a alcunha extraoficial de “campeão do mundo” aos tchecoslovacos, que, meses depois, ainda aprontariam contra o Bolton, campeão da Copa da Inglaterra.

Outros marcos importantes ao futebol local também aconteceram em 1925. Naquele ano, foi instituído o profissionalismo e também fundado o Campeonato Tchecoslovaco – que, apesar da intenção de abarcar o país inteiro, seguia limitado à Boêmia. De qualquer maneira, o estabelecimento da modalidade repercutiu da maneira mais contundente dois anos depois. Em 1927, quatro países da Europa Central (Áustria, Hungria e Iugoslávia, além da Tchecoslováquia) passaram a organizar o primeiro grande torneio interclubes do continente, a célebre Copa Mitropa. Sparta e Slavia participaram da competição. Coube aos grenás erguerem a taça inédita, amassando o Rapid Viena na decisão. Em 1929, o Slavia seria vice, enquanto o Sparta também ficaria com o segundo lugar em 1930.

Concomitantemente, a seleção da Tchecoslováquia ganhava força. Apesar dos parcos antecedentes nos tempos de Império Austro-Húngaro, representando Boêmia e Morávia, a eclosão verdadeira aconteceu nas Olimpíadas de 1920. A partir disso, os amistosos contra outras equipes nacionais da Europa se tornaram frequentes. E o primeiro grande feito aconteceu na Copa Internacional da Europa Central, posteriormente batizada de Dr. Gerö, uma versão da Mitropa entre seleções. Na primeira edição, disputada entre 1927 e 1930, os tchecoslovacos acabaram com o vice-campeonato. Ficaram a um ponto da Itália, na competição de pontos corridos na qual também figuravam Áustria, Hungria e Iugoslávia.

Já em 1934, a primeira participação em Copas do Mundo não poderia ser mais emblemática. O elenco se dividia basicamente entre Slavia e Sparta, com outros “reforços” pontuais. Os tchecoslovacos eliminaram Romênia, Suíça e Alemanha ao longo da competição, com atuações enormes do goleiro Frantisek Planicka. Já na final, mais uma vez contra a Itália, os forasteiros fizeram um jogo duro no Estádio Nacional de Roma. Em uma partida de clima hostil, com o ditador Benito Mussolini nas arquibancadas, os tchecoslovacos até abriram o placar, mas cederam a virada na prorrogação. Caíam em pé, vice-campeões do mundo.

Neste momento, o Campeonato Tchecoslovaco começava a se tornar verdadeiramente nacional, abrangendo áreas antes mais ruralizadas, especialmente a Eslováquia e a Silésia. Se a seleção da Copa de 1934 tinha apenas um eslovaco entre os titulares, além de dois reservas em atividade fora da Boêmia, aos poucos as fronteiras começaram a ser rompidas. Entre 1933 e 1937, estrearam na primeira divisão o primeiro time morávio, o primeiro eslovaco e o primeiro silésio – além do primeiro do Vale do Rio Uzh, em região atualmente sob posse da Ucrânia. Destaque para o representante da Morávia, o então chamado Zidenice (hoje Zbrojovka Brno), que em 1922 adotou o profissionalismo apenas para disputar amistosos e jogos de gala, contratando principalmente jogadores húngaros.

A diversidade ligeiramente maior não impactou tanto na seleção que disputou a Copa de 1938, cuja espinha dorsal seguia vindo de Sparta ou Slavia – campeões, respectivamente, da Copa Mitropa em 1935 e 1938. A equipe nacional, todavia, caiu nas quartas de final do Mundial, na famosa Batalha de Bordeaux. Após o empate por 1 a 1 no primeiro jogo, no qual Planicka e o artilheiro Oldrich Nejedly sofreram fraturas, o Brasil avançaria à fase seguinte graças ao triunfo na partida de desempate, com Leônidas comandando o triunfo por 2 a 1.

Um novo hiato aconteceu no futebol da Tchecoslováquia a partir de 1938, com a anexação dos Sudetos e a posterior invasão do Terceiro Reich. A seleção local entraria em hibernação em dezembro de 1938, após amistoso contra a Romênia, voltando às atividades apenas em 1946. Já o Campeonato Tchecoslovaco seria interrompido, limitado novamente à Boêmia e à Morávia a partir de 1944, em condições precárias. Durante a submissão à Alemanha nazista, os tchecos chegaram a ter seus representantes no Campeonato Alemão, em equipes formadas basicamente a partir das organizações militares e de colonos germânicos no território. Nada com grande identidade local, entretanto. Além disso, a esperança sobrevivia até mesmo nos campos de concentração, com o exemplo mais latente dado na chamada Liga Terezín.

O fim da Segunda Guerra deixou a Tchecoslováquia sob influência da União Soviética. E a instauração do regime comunista em 1948 também respingou sobre a organização do futebol local. Assim como aconteceu em outros países da Cortina de Ferro, muitos clubes passaram a ser vinculados diretamente com as entidades estatais. Independentemente disso, ainda mais importante era o apoio dos governos locais aos times. Em consequência, a nacionalização da liga se tornou bem mais ampla. Outros cantos do país passaram a ser contemplados na primeira divisão, em especial a Eslováquia. Já o cenário de Praga se transformou. Slavia e Sparta, por mais que mantivessem suas massas de torcedores, tiveram suas identidades desfiguradas. Passaram a ser secundários dentro do sistema, sobretudo depois dos anos 1950. Enquanto isso, ascendeu o time do exército, que tinha o direito de “alistar” os craques de outras agremiações. A potência da época, o Dukla Praga.

De maneira parecida ao modus operandi do Honvéd, na Hungria, o Dukla Praga também impactou diretamente na seleção da Tchecoslováquia. Era a principal base do time que voltou ao primeiro escalão do futebol internacional, participando das Copas de 1954 e 1958. Apesar das eliminações na primeira fase, cabe o destaque à vitória sobre o Brasil (dentro do Maracanã) em 1956 e à goleada por 6 a 1 sobre a Argentina no Mundial da Suécia. Já a partir de 1960, enfim, os bons resultados eram notados. Naquele ano, os tchecoslovacos conquistaram a Copa Dr. Gerö e também foram semifinalistas na primeira Eurocopa. Já em 1962, o ápice aconteceu na Copa do Mundo do Chile, deixando Iugoslávia e Hungria pelo caminho, antes da derrota para o Brasil na final. O Bola de Ouro Josef Masopust era o maior expoente de uma geração talentosíssima, forjada no Dukla.

Ao Dukla Praga, faltou dar o passo além na Copa dos Campeões. O time foi três vezes quadrifinalistas e teve sua melhor campanha em 1966/67, caindo nas semifinais para o campeão Celtic. Era o ocaso de uma geração que acabou sem se renovar. Nesta época, o Sparta Praga até conseguiu experimentar a sua primavera, retornando às glórias nacionais, enquanto o Slavia era mero figurante. Mas a virada dos anos 1960 para os 1970 colocou em evidência a Eslováquia, enquanto Praga vivia um movimentado (e posteriormente turbulento) momento político. As novas potências do futebol eram Slovan Bratislava e Spartak Trnava, contando com as costas quentes do governo e da indústria de suas regiões. Formaram também talentos locais, para conquistar todas as taças do Campeonato Tchecoslovaco entre 1968 e 1975. O auge aconteceu em 1969, quando o Spartak caiu nas semifinais da Champions ante o ascendente Ajax, enquanto o Slovan conquistou a Recopa em cima do Barcelona.

A seleção da Tchecoslováquia sofreu um declínio neste período. Eliminada por Portugal nas Eliminatórias de 1966, fez uma campanha tímida no Mundial de 1970, antes de se ausentar em 1974 e 1978. Já a exceção ficou exatamente para a maior glória. O elenco na Euro 1976 tinha como bases principais os clubes eslovacos. E o protagonista da campanha, eliminando outras camisas pesadas, vinha do tradicional (mas modesto) Bohemians Praga: o lendário Antonín Panenka. Ao mesmo tempo em que é um dos maiores atos de coragem em uma final deste nível, sua cavadinha diante de Sepp Maier também selou o júbilo de seus compatriotas.

Apesar da queda para a fortíssima Escócia nas Eliminatórias de 1978, algoz também quatro anos antes, a Tchecoslováquia manteve certa notoriedade no início dos anos 1980. Ganhou o ouro nas Olimpíadas de Moscou, foi semifinalista na Euro 1980 e se classificou à Copa de 1982, após 12 anos de ausência, embora tenha feito uma campanha fraca. O cenário interno no Campeonato Tchecoslovaco também se realinhava. Os tchecos voltaram ao topo, encabeçados principalmente por Baník Ostrava (apoiado pela companhia de mineração) e pelo ressurgido Dukla Praga. Mas nada se compara ao renascimento do Sparta Praga. Os grenás passaram pela maior crise de sua história nos anos 1970, chegando a amargar o rebaixamento. A partir de 1984, voltaram a dominar a liga.

Sinais de um país que começava a encarar uma nova realidade, principalmente com a eclosão dos movimentos civis? Pode ser apenas coincidência, mas é fato que a ascensão do clube mais popular de Praga se combinava com o novo panorama político da Tchecoslováquia. A seleção teve os seus momentos de entressafra na década de 1980, ausente em mais uma Copa e duas Euros, até a despedida em grande estilo. Com um time que excedeu as expectativas, os tchecoslovacos chegaram às quartas de final da Copa do Mundo de 1990. O elenco tinha sua base no Sparta, mas oito atletas já atuavam no exterior, após recuperarem o status profissional junto à Uefa em 1988. A economia se transformava substancialmente desde 1989, quando a chamada Revolução de Veludo marcou o fim do comunismo tchecoslovaco. Em junho de 1990, enquanto o time estrelado por Tomas Skuhravy jogava na Itália, aconteceram as primeiras eleições democráticas em cinco décadas.

Também em 1990, a federação tchecoslovaca de futebol declarou sua autonomia em relação ao governo e instituiu que os clubes deveriam se transformar em empresas. Por mais que algumas das principais fontes de renda ainda viessem do ministério responsável e da loteria esportiva, nem todos suportaram o fim do apadrinhamento das organizações estatais, com equipes tradicionais sucumbindo a graves crises. Donos das maiores bases de torcedores, Sparta Praga, Slavia Praga e Slovan Bratislava compreensivelmente foram os que melhor se adaptaram à nova realidade. Já o Dukla Praga foi um dos que mais sofreu.

Em 1992, por fim, veio a cisão. Com a autonomia gradual entre tchecos e eslovacos, a fragmentação do estado em dois novos países foi aprovada em 25 de novembro daquele ano. A partir de 1° de janeiro de 1993, a Tchecoslováquia deixou de existir, dando lugar a República Tcheca e Eslováquia. O Campeonato Tchecoslovaco ainda seguiu em frente até o final da temporada 1992/93. O Campeonato Tcheco manteve 16 participantes, absorvendo seis times da segunda divisão. Já o Campeonato Eslovaco pegou os seis de seu território que figuravam na elite tchecoslovaca e adicionou outras seis agremiações.

A seleção da Tchecoslováquia, por sua vez, manteve as atividades até novembro de 1993. Depois de três rodadas disputadas nas Eliminatórias da Copa de 1994, a equipe nacional adotou o nome de Representação dos Tchecos e dos Eslovacos em seus últimos sete compromissos, depois do fatídico 1° de janeiro. O time unificado chegou à última rodada com chances de classificação, mas o empate contra a Bélgica em Bruxelas selou o seu adeus. Depois de uma separação substancialmente pacífica, a Tchecoslováquia chegava ao fim de uma vez por todas, com a extinção de um dos seus maiores símbolos. Depois disso, a relevância futebolística do país ficaria limitada às memórias e ao talento dos jogadores que começaram a forjar o seu talento ainda nos tempos anteriores à cisão – entre eles, estrelas como Pavel Nedved, Petr Cech, Tomas Rosicky e Marek Hamsik. Os últimos bastiões de uma história que, cada vez mais, acaba limitada ao passado.