Muita incompetência e preguiça de um tablóide inglês obrigaram o volante francês Lassana Diarra, do Lokomotiv Moscow, a negar a acusação de que havia largado o futebol e viajado para a Síria para participar da guerra civil que já matou mais de 150 mil pessoas.

O FiSyria.com publicou um vídeo de um homem negro com o rosto coberto, que se identificava como Abu Isa al-Andalus e convocava os muçulmanos do ocidente para se unirem a ele na guerra civil da Síria, com um sotaque claramente francês. De acordo com a publicação, aquele rapaz havia deixado a sua terra natal, viajado para Londres e defendido o Arsenal. Há dois anos, ainda segundo o site, jogou tudo para o alto para lutar pelo islamismo.

Essas informações dão conta que um ex-jogador do Arsenal virou terrorista. Então, os engajados das redes sociais começaram a comparar os olhos e o nariz do homem que apareceu no vídeo com jogadores negros e franceses que passaram recentemente pelo clube. Com toda a experiência de anos de retratos-falados, eles concluíram que se tratava de Lassana Diarra.

Foi quando o Daily Mirror entrou na jogada. O tablóide publicou a história, inclusive os rumores, das redes sociais, de que era Lassana Diarra o homem por trás da máscara, sem sequer consultar o francês ou buscar uma fonte ligeiramente mais confiável que uma centena de pessoas que ninguém na redação um dia viu na vida. Diarra foi ao Twitter ironizar a história. “Na Síria? Que piada, pessoal. Boa noite”, escreveu. Seu advogado Eric Dupond-Moretti afirmou que o meia francês “nega da forma mais categórica e absoluta que não foi para a Síria”.

Diarra teve que se dar ao trabalho de dizer para todo mundo que continua sendo atleta e não tem nada a ver com lutas religiosas. Para piorar, alguns gênios ainda vão questionar as negativas do jogador e continuarão achando que ele é um terrorista. Tudo isso por causa da preguiça de apurar melhor a história antes de publicá-la, o que transformou um boato sem o menor fundamento em notícia.

Veja o vídeo do FiSyria.com: