Em 5 de dezembro de 2013, os olhos do mundo estiveram grudados no sorteio dos grupos do Mundial 2014. Pequena parte do 1,2 bilhão de indianos também estava ansiosa pelo evento, mas não para ver em qual chave a Índia cairia, já que a seleção nacional nunca disputou a Copa e não deve fazê-lo tão cedo. Aquela tarde na Bahia também serviu para a Fifa revelar o país sede da Copa do Mundo sub-17 de 2017. Os indianos concorriam com Azerbaijão, Irlanda, África do Sul e Uzbequistão e foram agraciados com a vitória.

“É histórico! Esperávamos por isso há algum tempo”, disse o presidente da federação nacional, Praful Patel. “Sediar um torneio dessa estatura nos permitirá mostrar o futebol aos jovens do país, fazendo crescer a modalidade, que não é a mais popular do país [perde para o críquete]”.

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, já havia dado sinais de que os indianos seriam escolhidos, sempre frisando que o segundo país mais populoso do mundo não poderia ficar de fora do cenário internacional e que a Índia merecia sediar um evento de grande porte. Numa visita ao país, Valcke e Blatter apoiaram informalmente a candidatura, mas deixaram claro que a Índia precisaria cumprir todos os requisitos para ser aprovada.

Cenário atual

A falta de tradição da seleção principal se repete nos times de base. Nas Eliminatórias para o torneio sub-22 da Ásia 2013, o país falhou em alcançar a fase final, ficando atrás de Iraque, Emirados Árabes e Omã, com sete pontos em cinco jogos. O time olímpico só participou de uma edição de Olimpíadas, em 1960, quando caiu na fase de grupos.

A equipe sub-19 já venceu o torneio continental, no longínquo ano de 1974, mas não consegue passar do qualificatório desde 2006, quando sediou a competição e saiu ainda na primeira fase, algo comum.

Na faixa dos 17 anos, a Índia não acumula nenhuma taça importante, mas já teve uma participação de destaque. Em 2002, a seleção indiana eliminou Ilhas Maldivas nas eliminatórias do torneio asiático – cuja fase final serve de qualificatório para o Mundial – e entrou no Grupo A, que ainda tinha China, Emirados Árabes e Mianmar. Ficou em terceiro, alcançando vaga nas quartas de final, quando foi eliminada pela Coreia do Sul, por 3 a 1.

Foi o mais perto que a equipe se aproximou da Copa do Mundo da categoria. Nas outras cinco participações, a Índia só jogou a fase de grupos. Na última edição (2012), a equipe foi à fase final, mas não passou pelos adversários do Grupo D (Síria, Uzbequistão e China), ficando com dois pontos.

Planejamento

Assim que a escolha da Índia foi oficializada, o diretor técnico das academias de jovens, o australiano Scott O’Donnel, revelou o projeto de trabalhar ao lado do técnico holandês Win Koevermans, da seleção principal, na intenção de encontrar talentos espalhados pelo país, nas diversas academias regionais. Trabalho árduo, sabendo-se da enormidade do território indiano e do baixo número de competições sub-17. Só há torneios nas províncias, nenhum campeonato de abrangência nacional, o que dificulta a identificação de possíveis promessas.

É bom lembrar que um garoto que hoje tem até 13 anos deve vestir a camisa da Índia daqui a quatro anos. Há muito talento por lá, mas o país ainda não tem a infraestrutura para descobrir, selecionar e ajudar na evolução dessas crianças. O melhor trabalho de base no território nacional é feito pelos grandes clubes europeus. O Barcelona tem sua escolinha em Nova Délhi, recebendo crianças de oito a 18 anos, de 200 escolas e 38 cidades.

Seria ingênuo pensar que os gigantes europeus farão o trabalho de revelação dos indianos, pois a intenção deles é levar as promessas ao velho continente, dar-lhes dupla cidadania e tê-las nas seleções principais no futuro. O único atleta indiano no exterior, o atacante Taljinder Singh, defende o time de base da Ternana (Itália), aos 17 anos. Nascido em Chandigarh, na Índia, ele tem nacionalidade italiana.

O país já teve um projeto real para revelar novos talentos. Em 2010, a federação nacional fundou o Pailan Arrows, que passou a jogar a elite nacional e tinha o objetivo de encontrar jovens de até 23 anos para defender a seleção, com vistas à Copa do Mundo 2018. A estreia do time foi em 2010/11, com a nona colocação, cinco pontos acima da zona da degola – o Arrows não poderia ser rebaixado. Já na segunda temporada, a equipe foi a penúltima, somando apenas 16 pontos em 26 jogos (duas vitórias).

Em 2012/13, o Pailan Arrows ficou na antepenúltima posição, mas o projeto foi interrompido por impossibilidade econômica do patrocinador. A Índia tem pouco menos de quatro anos para formar um time forte, em condições de pelo menos não dar vexame na Copa do Mundo sub-17 de 2017. Não parece haver tempo hábil para realizar um trabalho de tamanha complexidade e magnitude. A seleção da casa deve ser eliminada ainda na primeira fase.

Curtas

- A Índia pré-selecionou oito sedes para o torneio, das quais precisará optar por seis. Além da capital Nova Déli, Pune, Mumbai, Goa, Bangalore, Calcutá, Kochi e Guwahati foram listados.

- Na história dos Mundiais sub-17 (desde 1985), apenas uma vez o anfitrião levantou a taça. Em 2011, o México derrotou o Uruguai por 2 a 0. Escócia (1989) e Nigéria (2009) foram vice-campeãs, enquanto a maioria acabou eliminada na fase de grupos.

- Não há como negar que os torneios de base da Fifa servem para observar potenciais sedes para a Copa do Mundo principal. Geralmente, a entidade leva as competições de jovens para países periféricos em termos de futebol, como China (1985), Canadá (1987), Equador (1995), Finlândia (2003) e Emirados Árabes (2013). Não há dúvidas de que a Fifa deseja levar o Mundial para a Índia e o torneio sub-17 será o evento-teste. Se respeitado o rodízio, a próxima vez que a Ásia sediará a Copa vai ocorrer em 2038.

- A próxima Copa do Mundo sub-17 será em 2015, no Chile. O país sul-americano venceu disputa com Rússia, Tunísia e País de Gales. 24 seleções estão espalhadas por nove sedes, entre 17 de outubro e 8 de novembro.

A League

- Não há recesso na liga australiana, que terá jogos de hoje (26/12) até a véspera de ano novo. O Confronto da rodada será entre Sydney e Brisbane Roar. O time de Del Piero tropeçou diante do Wellington Phoenix (1 a 0), que conseguiu sua primeira vitória na competição. Na quinta colocação – a última que dá vaga na próxima fase – com 18 pontos, o Sydney precisa da vitória. Assim como o Brisbane, surpreendido pelo Newscatle Jets (2 a 0), o que fez cair sua diferença na liderança em relação ao Western Sydney para dois pontos.

Iran Pro League

- Na véspera de natal teve rodada completa no Campeonto Iraniano. Melhor para o Persepolis, que venceu o Malavan e contou com tropeços dos adversários, isolando-se no topo da tabela, com 39 pontos, um à frente do Esteghlal. O Sepahan marcou três contra o Fajr Sepasi, mas é apenas o sexto colocado, com 33 pontos.

- Destaque para Chimba, atacante do Foolad e que estava no Linense. Com os dois gols na rodada passada, o atleta chegou a nove e agora divide a artilharia com dois atletas iranianos. Seria o primeiro brasileiro melhor marcador no torneio nacional.

Saudi Pro League

- O polêmico Jóbson, no Al Ittihad, espera ansiosamente que o próximo treinador continue lhe dando chances. O espanhol Beñat San José não aguentou a pressão de deixar o time na sétima posição, com 19 pontos, longe do líder Al Nassr (36), e acabou demitido.