Franck Ribéry está em sua décima participação na Liga dos Campeões. A décima aparição no torneio em 11 temporadas pelo Bayern de Munique. O sucesso dos bávaros na competição continental durante esta década dependeu bastante da qualidade do ponta. Em 2012/13, afinal, o craque desequilibrou várias partidas ao longo da campanha que encerrou o jejum de 12 anos dos bávaros na Champions. E apesar dos problemas frequentes de lesão, da idade que pesa e da perda de potência, o francês permanece como protagonista na Allianz Arena. Nesta quarta, Ribéry lembrou seus melhores momentos da carreira, do alto de seus 35 anos. Chamou a responsabilidade e incomodou demais a defesa do Real Madrid. Porém, parecia sozinho nesta insistência. Seu esforço acabou não sendo suficiente, com a derrota por 2 a 1 na Alemanha.

A lesão de Arjen Robben logo no início da partida quebrou o esquema de jogo do Bayern. O time perdia a capacidade de variar o apoio com velocidade pelas duas pontas. Se na direita Thomas Müller afunilava, com Joshua Kimmich tentando passar um pouco mais, pela esquerda, diante da contenção de Rafinha, a autoestrada era de Ribéry. No entanto, em um primeiro tempo mais travado, James Rodríguez se destacava um pouco mais – brigando, organizando e criando. O camisa 7 participou de boas jogadas, especialmente ao chegar à linha de fundo e cruzar. Mas falhou quando teve a sua melhor oportunidade. Dominou uma bola errada e permitiu a antecipação de Keylor Navas, em lance que poderia ter rendido os 2 a 0 aos alemães.

Já no segundo tempo, a pressão do Bayern no campo de ataque se intensificou. E dependeu demais das incursões de Ribéry como válvula de escape. O time estava penso pela esquerda, como a faixa central vazia de ideias. Sobretudo depois do segundo gol merengue, na lambança de Rafinha, a principal jogada dos bávaros foi passar a bola ao francês e esperar o que ele conseguiria criar. Pois ele conseguiu muito. Infernizou a vida de Daniel Carvajal e de Casemiro, quando este vinha fazer a cobertura. Os dribles saíam aos montes. Mas faltava um pouco mais na hora de concluir – um problema geral do time de Jupp Heynckes nesta noite, aliás.

Ribéry exigiu boas defesas de Keylor Navas. Forçou o chute sobre a marcação, tentou bater cruzado. E seus costumeiros cruzamentos rasteiros no primeiro pau, uma jogada característica, vinham com frequência. Ninguém conseguia completar. Robert Lewandowski e Thomas Müller não estavam em sua jornada inspirada, em mau futebol temperado com pitadas de azar. Pior, não havia que se apresentasse para acompanhar o francês. Rafinha ficou mais preso, talvez até ressabiado pela falha anterior. James, que poderia se deslocar um pouco mais por ali, pouco ajudou. O segundo tempo do colombiano, inclusive, deixou a desejar. Parecia preocupado demais com suas funções na organização, sem se aproximar da área ou tentar clarear a situação com seus potentes chutes.

Em certos momentos, Ribéry dava sinais de cansaço, de tanto que era acionado. E a invencionice de Zinedine Zidane ao colocar Lucas Vázquez na lateral direita deu muito certo. Mais veloz, o garoto soube acompanhar o camisa 7, facilitando também o trabalho de quem fazia a cobertura. Nos minutos finais, o Real Madrid apenas ocupou os espaços por aquela ponta, já sabendo o que aconteceria em um Bayern previsível e descompassado. Mesmo quando Marcelo sentiu lesão e ficou caído no ataque, com o lado esquerdo da defesa merengue enfraquecido, os bávaros foram limitados o suficiente para passar a Ribéry.

Jupp Heynckes teve seus problemas óbvios, com as duas alterações queimadas no primeiro tempo e outras ausências importantes – como David Alaba e Kingsley Coman, que certamente dariam outro vigor ao Bayern, diante da maneira como a partida se desenrolou. Mas o técnico também possui sua parcela de culpa por não apresentar variações com o que tinha ou mesmo tentar um posicionamento diferente em peças-chave. Dependeu demais de Ribéry. E viu o craque corresponder como naquele mágico ano de 2013. Faltou a bola entrar, mas isso não pode entrar na conta do veterano, apesar do erro capital ao final do primeiro tempo. Foi o melhor do time, e com sobras.