Toda Copa se fala em um “grupo da morte”. Não diria que é apropriado chamar um grupo assim se tem a Costa Rica nele, mas uma coisa é certa: o Grupo D é o único na história com três campeões mundiais. O cabeça de chave, Uruguai, terá Itália e Inglaterra como competidores por uma vaga nas oitavas de final. E vejam, a Inglaterra, que tanto queria evitar Manaus, jogará lá. Os ingleses, como todos do pote 4, queriam escapar de serem sorteados para o Pote 2 e, assim, caírem em um grupo com dois europeus potencialmente fortes. Escaparam, já que foi a Itália a sorteada e caiu no grupo do Uruguai.

“A natureza tropical de Manaus é o problema. Eu não sou especialista na cidade, mas estrou dizendo o que todo mundo tem me falado. Manaus é o lugar para ser evitado e Porto Alegre é o lugar ideal para estar. Manaus será uma sede difícil para todo mundo, incluindo os argentinos, chilenos e colombianos, mas para os jogadores europeus do norte será um pouco mais difícil. Você tem mais chance se cair em uma das sedes onde o clima é mais ameno”, afirmou o técnico da seleção inglesa.

Hodgson sabe o que fala. Ele foi técnico da seleção da Suíça na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, e fez um jogo contra a Colômbia em Palo Alto, com temperatura próxima de 40°C. Depois das declarações de Hodgson, a resposta do prefeito de Manaus veio a galope. ”Nós preferimos que a Inglaterra não venha. Nós esperamos que venha um time melhor e um técnico que é mais sensível e educado. Ele é uma das poucas pessoas no mundo que não está curioso sobre a Amazônia, que não quer conhecer Manaus”, disse o prefeito da cidade, Arthur Virgílio.

Como uma enorme ironia do destino, a Inglaterra fará logo a sua estreia na Copa em Manaus. Não bastasse isso, jogará contra a Itália. Imagine como será calorosa a recepção dos manauaras com os simpáticos ingleses, que ainda terão um grupo dificílimo pela frente.

“Ó, Inglaterra. Olhando para trás agora, uma coisa parecia certa. Do momento que Roy Hodgson anunciou que um lugar que a Inglaterra queria evitar na Copa do Mundo era a distante cidade amazônica de Manaus, a Inglaterra iria sempre, sempre acabar sendo enviada para jogar lá”, diz um artigo do Guardian.

Os ingleses, é claro, destacaram isso em suas manchetes. ”A Inglaterra estreia em um estrondo na selva! Three Lions começam a busca pela Copa do Mundo com batalha tarde da noite contra a gigante Itália… E eles ainda precisam enfrentar Uruguai e Costa Rica no difícil Grupo D”, diz a manchete do Daily Mail, tabloide inglês.

Mais curioso ainda é que quem colocou a Inglaterra no grupo foi Geoff Hurst, ídolo do time que levou a Inglaterra ao título em 1966. Foi ele quem escolheu a bolinha que definiu a Inglaterra junto a Uruguai, Costa Rica e Itália. Ele postou no Twitter brincando com a situação: “Espero que me deixem voltar ao país!”

 

O presidente da Football Association (FA), Greg Dyke, resumiu em um gesto simples qual é o sentimento dos ingleses em relação ao grupo:

O jornal The Independent afirmou: “A Inglaterra tem um grupo difícil, mas será que o presidente da FA já desistiu?”

O Guardian, no seu perfil @GuardianWhiteboard, mostrou como os ingleses se sentem após o sorteio:

A Inglaterra é uma seleção sempre colocada entre as grandes, ainda que não seja, efetivamente. Ganhou a Copa do Mundo em 1966, é verdade, mas foi em casa e lembramos bem como foi o gol que deu o título. No mais, não foi uma seleção assim tão forte. Das suas 12 participações, foi campeã em uma, 1966, e semifinalista em outra, 1990. No mais, o resultado padrão da Inglaterra é chegar às quartas de final, algo que fez seis vezes. Então, a Inglaterra ir longe em Copas seria uma novidade. É um tradicional time de futebol. Mas tradicional por tempo de serviço, não por histórico vencedor. Ao que parece, os ingleses terão uma vida dura. E talvez curta.