Segunda maior transação da história do futebol, a contratação de Kylian Mbappé em definitivo pelo Paris Saint-Germain, de fato, ainda não se concretizou. Em um expediente antigo no clube, usado outras vezes para burlar o Fair Play Financeiro, os parisienses apenas “emprestaram” o jovem craque junto ao Monaco, com uma cláusula obrigatória para concretizar a compra na temporada de 2018/19 e, assim, não sobrecarregar os balanços que devem ser apresentados às entidades reguladoras. No entanto, desta vez o PSG extrapolou nos requintes de “me engana que eu gosto” para dar o seu drible na legislação.

Segundo diferentes veículos da imprensa europeia, a cláusula de compra de Mbappé estava atrelada ao rebaixamento do clube. Pois é: assim que o PSG confirmasse matematicamente que sua queda na Ligue 1 seria impossível, a obrigatoriedade seria acionada, o que ocorreu com a vitória sobre o Strasbourg no final de semana. Certamente, ninguém imaginou que o clube da capital correria tal risco. É apenas uma maneira de “não deixar tão na cara” o jeitinho aplicado pelos dirigentes. O que, obviamente, só escancara que há algo de errado na jogada. Espanta a passividade da Uefa, que faz discursos duros, mas não toma atitude contra a estratégia – utilizada pela primeira vez no clube há quatro anos, quando Serge Aurier veio do Toulouse.

Ninguém pode negar, afinal, que o empréstimo de Mbappé foi bem sucedido na terrível luta do PSG contra o rebaixamento. O garoto soma nove gols e oito assistências em 19 partidas pela competição – quase o mesmo número de tentos produzidos pelos times que figuram no G-3. Um ano probatório que permite aos parisienses desembolsarem com confiança os €145 milhões prometidos ao Monaco – mais €35 milhões possíveis em bônus.

Relutante em perder sua maior promessa, o Monaco apenas aceitou negociar com o PSG quando percebeu que a permanência e a renovação de Mbappé no principado seriam impossíveis. Ainda assim, o acordo acabou saindo apenas nas últimas horas da janela de transferências de verão, diante de sua complexidade. A Uefa prometeu acompanhar de perto os trâmites das contratações feitas pelos parisienses, para que estivessem dentro de suas diretrizes. Resta saber se algo será feito. Pelas experiências anteriores, parece que não.