Um grande jogo se faz com muitos ataques. Às vezes, não é preciso nem ter gols. Duvida? Pois é difícil encontrar alguém que não achou espetaculares os 90 minutos sem gols no Beira-Rio, entre Alemanha e Argélia. Um duelo sensacional pela forma como os times funcionavam. Os alemães pressionavam desenfreadamente, enquanto os argelinos faziam os adversários gelarem a cada contra-ataque. E os goleiros acabaram sendo os protagonistas, também de formas diferentes. Raïs M’Bolhi fechou seu gol e Manuel Neuer foi um líbero excepcional.

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Não foi por menos que M’Bolhi acabou eleito o melhor em campo. Foram 12 defesas na partida, muitas delas espetaculares. A mais bonita, em um chute de Lahm que tinha endereço, mas ele desviou com a ponta dos dedos. A mais impressionante, fechando o ângulo de Mario Götze, em uma recuperação instantânea. Só não se manteve invicto durante todo o tempo porque seus milagres não foram suficientes para barrar o desvio de André Schürrle e a pancada de Mesut Özil, quando ainda teve que se recompor após um rebote.

Nem sempre M’Bolhi foi visto como um goleiro seguro e isso explica bastante sua carreira errante. Nascido em Paris, o goleiro é filho de um congolês com uma argelina. Passou pelo futebol francês, escocês, grego, japonês, russo e búlgaro, onde se manteve por mais tempo, mesmo sem se estabelecer por mais do que uma temporada na meta do CSKA Sofia. Convocado para a Argélia justamente às vésperas da Copa de 2010, se firmou na seleção. E talvez o sucesso no Mundial de 2014 possa fazê-lo mudar de clube mais uma vez.

Neuer sai do gol para travar Slimani

E enquanto M’Bolhi era aclamado como grande goleiro de um lado, um dos melhores goleiros do mundo se desdobrava como zagueiro.  A lenta defesa alemã, desprotegida pelo meio de campo, tomava um sufoco enorme dos contra-ataques da Argélia. Mertesacker e Boateng até se esforçavam, mas eram lentos demais para acompanhar Slimani, Feghouli e companhia. Quem precisava sair da área constantemente era Neuer.

Foram muitas cabeçadas, chutões e até mesmo divididas com os atacantes das Raposas, que evitaram o pior para o Nationalelf. Seu jogo com os pés está longe de impressionar, mas o tempo de bola e a capacidade no mano a mano fizeram a diferença. Por mais que, às vezes, ele enfeitasse demais. Com Neuer tendo uma atuação digna dos grandes líberos que a Alemanha já formou, a seleção não sofreu o pior. E, caso Joachim Löw não modifique a forma do time jogar, pode ter mais trabalho ainda contra a França.

No fim das contas, a qualidade técnica da Alemanha acabou pesando mais do que a valentia da Argélia. O domínio resultou nos gols, por mais que M’Bolhi tenha sido espetacular. E o perigo constante não deu resultado por causa de Neuer. Dois nomes importantíssimos para recontar a história de um dos melhores jogos da Copa de 2014. E que foram fundamentais para torná-lo tão sensacional.