Quatro veteranos da Internazionale deram adeus à torcida na última rodada da Serie A. Quatro bandeiras do clube, de listras nerazzurri e albicelestes. Zanetti, Samuel, Cambiasso e Diego Milito marcaram a torcida de maneira diferente. Foram igualmente importantes em um dos momentos mais vitoriosos da história do clube, com cinco títulos italianos consecutivos e a reconquista da Liga dos Campeões. Despediram-se de seus fiéis seguidores neste domingo, sob lágrimas. Colocaram de uma vez por todas um ponto final em sua época gloriosa para deixar a nova era de reconstrução da Inter se seguir.

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Não é tão fácil perder tantos ídolos de uma só vez. A simples aposentadoria de Zanetti já estava sendo dura para os nerazzurri lidarem. Afinal, perdiam ali o homem que se dedicou quase duas décadas ao clube. As homenagens ao capitão começaram na rodada anterior, com o último compromisso da temporada no Giuseppe Meazza. E continuaram neste domingo, em Verona, na derrota contra o Chievo. Antes de o jogo começar, uma enorme camisa 4 foi colocada no centro do gramado, o grande símbolo do veterano.

Zanetti chegou a Milão em 1995, o primeiro do quarteto. É um exemplo de liderança e de empenho. Um jogador extremamente técnico, mas também muito esforçado. Um tipo diferente de Diego Milito, por exemplo, que não é menos adorado por isso. O centroavante garantiu a gratidão eterna da torcida logo em sua primeira temporada, em 2009/10. O que fez na campanha da Liga dos Campeões, especialmente na decisão, foi fantástico. Um artilheiro com faro de gol, mas também muito coração para não desistir de nenhuma jogada.

Raça, aliás, que é o grande predicado de Cambiasso. É difícil imaginar que os torcedores da Inter achassem mesmo que o coadjuvante do Real Madrid se tornasse um dos protagonistas em Milão.  O volante foi mais do que isso nestas dez temporadas que atravessou com os nerazzurri, esteio do meio-campo. Fúria e maestria em perfeitas sintonias. Um cão de guarda ao lado de Samuel, pilar da muralha que se tornou a defesa da Beneamata durante anos. O zagueiro chegou ao clube um ano depois de seu compatriota, enfrentou muitas dificuldades com as lesões. Quando esteve no ápice de sua forma, porém, foi fundamental.

Zanetti se aposenta já integrado aos bastidores da Internazionale. Milito, Cambiasso e Samuel não tiveram seus contratos renovados, ainda precisam definir o que será do fim de suas carreiras. O clube vive novos tempos sob as ordens de Erick Thohir, e a despedida dos ídolos é também um alívio dos cofres com altos salários, para que a renovação do elenco tome sequência. Para o futuro chegar, o passado teve que sair. Mesmo que partisse o coração de milhares de torcedores, ainda agradecidos por tudo que fizeram.

As raízes argentinas seguem fortes na Inter, com Palacio, Campagnaro, Icardi, Álvarez. Nenhum deles com o tempo de casa dos ídolos que estão saindo, com as fortes raízes. O quarteto é tão emblemático com a camisa nerazzurra por ter justamente simbolizado o estilo de um time que se eternizou: de grande qualidade com a bola nos pés, mas também de muita vontade sem ela. Um período que sempre estará na memória dos torcedores. E que, por isso mesmo, perder a chance de ainda aplaudi-los a cada jogo soa tão doloroso.