O inverno chegou com todo o seu rigor para os europeus, e o mercado de transferências da Ligue 1 segue essas baixas temperaturas, pelo menos nestes primeiros dias de abertura da janela. Enquanto boatos, rumores e especulações pululam por todos os cantos e beiram o dadaísmo, pouca coisa concreta aconteceu até agora. De mais importante até aqui, apenas os retornos de Guillaume Hoarau e Djibril Cissé à Ligue 1, com seus acertos com Bordeaux e Bastia, respectivamente.

Por enquanto, o mercado se agita com muitas interrogações e aquela velha prática de notícias plantadas pelos agentes de jogadores, sedentos para que a mídia fisgue sua ideia e se deixe envenenar em troca de algum burburinho. Se já não dava para acreditar tanto nas lorotas que pintam e bordam neste começo de ano, a crise econômica enfrentada pela Europa impede qualquer possibilidade de se pensar em uma loucura financeira. Seria um contrassenso daqueles.

Os clubes franceses ainda encaram uma realidade mais dura. Quem quiser contratar algum figurão para reforçar seu time precisa se desdobrar para convencê-lo a se sujeitar a uma taxa de impostos de 75%, que atinge diretamente os ganhos dos maiores craques em ação no país. Com uma mordida tão grande do Leão, os principais times da Ligue 1 (exceto o Monaco, “ajudado” pelas isenções fiscais oferecidas pelo principado) perdem muita força na concorrência com clubes de outros países.

Paris Saint-Germain e Monaco não devem ser usados como parâmetro para ilustrar a draga financeira na qual se encontram os times da França. De acordo com Frédéric Thiriez, presidente da Ligue de Football Professionel (LFP), os clubes do hexágono apresentaram resultados deficitários pelo quarta temporada consecutiva. Apenas no último exercício fiscal, as perdas chegam a € 39,5 milhões. Os 38 clubes da Ligue 1 e Ligue 2 (reforçando, PSG e Monaco não entram nesta conta) reduziram seus orçamentos de maneira drástica. No total, a folha salarial destas equipes caiu 8%.

Enquanto todo mundo passa o pires para arrecadar alguns trocados para sobreviver, PSG e Monaco caminham tranquilamente para aumentar esse abismo em relação aos concorrentes. Os parisienses dominam o noticiário de baboseiras, como a absurda possibilidade de trazer Lionel Messi. Mais críveis são os boatos em torno de Yohan Cabaye e Paul Pogba, mas mesmo assim com muita força de vontade. De qualquer forma, o PSG ainda se mostra disposto a gastar alguma coisa. Já o Monaco, que desembolsou mais de € 170 milhões para montar seu time atual, está mais interessado em assegurar sua vaga na próxima edição da Liga dos Campeões para, só então, pensar em ajustes no seu grupo. Portanto, até agora, apenas Lacina Traoré, atacante que estava no Anzhi Makhachkala.

As grandes movimentações do mercado de inverno na França devem se restringir às “subcelebridades” que ainda sonham com alguma possibilidade remota de aparecer na Copa do Mundo de 2014. Hoarau assinou por seis meses com o Bordeaux após uma passagem para lá de discreta no Dalian Aerbin, da China. Outro atacante também tenta mostrar sua utilidade a poucos meses do Mundial: Djibril Cissé, que assinou por 18 meses com o Bastia. Aos 32 anos, o novo camisa 12 do time corso sonha em calar os críticos que duvidam de sua capacidade, ainda mais após seu desempenho discreto pelo Kuban Krasnodar, da Rússia. Esta deve ser a tônica do mercado francês: poucos destaques e gente disposta a provar que ainda tem lenha para queimar.