Um dos trabalhos mais importantes do técnico é saber aproveitar seus jogadores onde eles rendem mais. Não é sempre uma missão fácil: por vezes o time está acostumado a atuar de uma forma e um jogador em boa fase exige uma mudança. Zinedine Zidane se viu neste dilema na última temporada. Precisou mudar o 4-3-3 do Real Madrid para um 4-1-2-1-2. E não foi para encaixar uma superestrela contratada. Foi para aproveitar melhor Francisco Román Alarcón Suárez, conhecido apenas como Isco.

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Formado pelo Valencia, estreou pelo profissional em 2009, mas nunca teve chance de brilhar pelos Ches. Acabou vendido ao Málaga em 2011 e foi lá que conseguiu viver seu melhor momento. Fez parte da campanha histórica do clube na Champions League de 2012/13, quando só caiu nas quartas de final para o Borussia Dortmund – que seria finalista. Depois daquela campanha, acabou vendido para o Real Madrid.

O seu primeiro técnico no Real Madrid foi Carlo Ancelotti, que tinha recém-chegado ao clube. Com o 4-3-3 ajustado pelo técnico italiano, Isco tinha poucas chances de jogar. Justamente porque sua posição não era de ponta, nem de meia central, mas de meia ofensivo.

Veio a saída de Ancelotti após a temporada 2014/15, quando o Real Madrid caiu na semifinal da Champions e ficou sem título. Veio Rafa Benítez, que durou pouco no cargo – um semestre. E então veio Zidane.

Quando a temporada passada, 2016/17, começou, Isco era um reserva de luxo. Um jogador que fazia sombra ao badalado trio de ataque do Real Madrid, Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale. Só que vieram as lesões e más atuações, especialmente de Bale, e as chances de jogar quando os titulares eram poupados. Isco aproveitou.

O meia jogou tanta bola que Zidane, mesmo tentando preservar Bale, não teve opção a não ser dar um lugar a Isco entre os titulares, mudando o esquema do time para ajustá-lo. E Isco agradeceu e elogiou o treinador por o colocar na sua posição.

“Zidane me deu a possibilidade de ser importante, foi o único treinador do Real Madrid que me colocou na minha posição. Estou muito contente em devolver a confiança em campo”, disse o meia, de 25 anos.

Companheiros chamam Isco de “Magia”, alusão à sua forma de atuar em campo, criativo e muito bem ofensivamente. “Quando cheguei ao Real Madrid, tanto Sergio Ramos quanto Iker [Casillas] começaram a me chamar assim. Suponho que pelas coisas que eu faço com a bola. A verdade é que eu gosto e desde então quase todo mundo me chama de ‘Magia’”, contou o jogador.

Só que o desafio de Isco, e do Real Madrid, é melhorar o desempenho do time em La Liga. Com o clássico com o Barcelona à vista, no dia 23 de dezembro, o time tem ainda o Mundial de Clubes no meio do caminho. Precisa diminuir a diferença de pontos para o time catalão, que no momento é de oito pontos.

Ainda joga mais dois jogos até lá: Athletic Bilbao (fora de casa, 2/12) e Sevilla (em casa, 9/12), antes de ir ao Mundial de Clubes. Teria um jogo no dia 17, contra o Leganés, que foi adiado pela disputa do torneio internacional. Volta no dia 23, antes da parada para as festas de fim de ano.