O menor país a disputar a Copa do Mundo está comemorando o feito de chegar lá pela primeira vez, mas não quer parar nisso. A Islândia jogará a Copa 2018 na Rússia, motivo de muita comemoração para o país de 340 mil habitantes. Chegar ao Mundial já é algo grande, mas o principal jogador islandês, Gylfi Sigurdsson, quer mais. A ideia é chegar ao mata-mata. E quem pode duvidar?

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Depois da coqueluche que foi a Islândia na Eurocopa e a sua “thunderclap”, com a comemoração também chamada de viking, a Islândia se tornou um fenômeno mundialmente conhecido. Só que o time já tinha conseguido um feito antes, em 2013: chegou à repescagem europeia para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Naquela edição das Eliminatórias, os islandeses ficaram em um grupo fácil, é verdade. Nenhum campeão mundial fazia parte. A cabeça de chave era a Suíça, que acabou se classificando direto. Os demais concorrentes eram Eslovênia, Noruega, Albânia e Chipre. A Islândia, então, não deixou a chance passar.

Em uma campanha de cinco vitórias, dois empates e três derrotas, chegou a 17 pontos e garantiu o seu lugar na repescagem como um dos segundos colocados. Foi sorteada para enfrentar a Croácia. No primeiro jogo, em Reykjavik, 0 a 0. No jogo de volta, em Zagreb, 2 a 0 para os croatas. O sonho da Copa se desmanchou ali. Mas o time logo se recompôs.

Vieram as Eliminatórias para a Eurocopa. A Islândia ficou no Grupo A junto a Tchéquia, Turquia, Holanda, Cazaquistão e Letônia. Em uma campanha surpreendente, só ficou atrás dos tchecos, com seis vitórias, dois empates e duas derrotas. A Holanda, badalada e campeã europeia em 1988, ficou fora.

Foi na Eurocopa que o time passou a encantar. Sorteada no Grupo F da competição, classificou-se em segundo atrás da Hungria e à frente de Portugal de Cristiano Ronaldo, que seria o campeão, além da Áustria, que seria uma decepção no torneio. Os portugueses classificaram-se em terceiro.

Foi o jogo das oitavas de final que realmente foi surpreendente. Diante da poderosa Inglaterra, os islandeses venceram por 2 a 1, decretando uma vitória histórica. Nas quartas de final, contra a anfitriã França, tomou 5 a 2 e viu sua trajetória parar ali. Já era marcante.

Só que mais uma vez, a trajetória continuava depois desse novo feito. E nas Eliminatórias para a Copa, o time garantiu o primeiro lugar do Grupo I. Desta vez, jogou a Croácia para a repescagem. A classificação veio na rodada final, em uma vitória por 2 a 0 sobre o Kosovo, em casa.

“Foi um sentimento fantástico”, afirmou Sigurdsson ao site da Fifa. “Chegar ao jogo que você estava esperando e desejando que você possa ajudar o time com um gol, então foi um ótimo sentimento marcar um gol em um jogo tão importante”, contou o meia do Everton.

“Eu acho que nos últimos quatro ou cinco anos, nós temos jogado em jogos realmente grandes”, disse Sigurdsson. “Na repescagem para a Copa do Mundo no Brasil, os jogos para a Eurocopa e a própria Eurocopa e agora também, parece que todos os jogos que temos disputado ultimamente tem sido importantes para nós”, afirmou.

“É assim que nós queremos estar. Eu acho que temos melhorado também nesses grandes jogos porque há cinco ou seis anos nós não conseguíamos lidar bem com eles. Mas agora, como time, nós estamos muito mais preparados para eles e nós somos um time melhor também”, analisou Sigurdsson.

“Provavelmente, olhando para trás, perder a vaga na Copa na repescagem foi muito importante para nós, porque nós sabíamos o quanto nos sentimos mal e o quanto ficamos decepcionados ficamos quando você chega tão perto e perde”, analisou Sigurdsson, que veste a camisa 10 da Islândia. “Mas são dois grandes torneios em seguida e é uma grande conquista para este país”.

Para um país tão pequeno e capaz de tantos feitos em pouco tempo, sonhar com o mata-mata da Copa não pode ser tão distante assim. “Nós temos que ver que tipo de grupo nós cairemos, mas eu acho que temos uma boa chance de passar pela fase de grupos”, respondeu Sigurdsson sobre as chances do time na Copa.

“Nós sabemos que será difícil, mas não temos nada a perder e eu acho que nós iremos para a Copa do Mundo com a mesma mentalidade que nós fomos para a Eurocopa”, continua o meia, que construiu carreira na Inglaterra.

“É algo que nós estávamos esperando ver acontecer no futebol islandês, de fato ir para uma Copa do Mundo”, disse ainda Sigurdsson. “Está acontecendo agora, então é um sentimento extraordinário e acho que todos os jogadores e as pessoas da Islândia estão realmente orgulhosos disso. Nós estamos ansiosos para ir à Rússia e obviamente ver as palmas da torcida na Copa do Mundo”.

A icônica comemoração islandesa se tornou algo tão marcante que a torcida da França copiou e passou a fazer o mesmo. Será, de fato, muito marcante ver os islandeses fazendo isso na Rússia.

Abaixo você pode assistir um vídeo da própria Fifa falando sobre o segredo do sucesso islandês.

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