Uruguaios comemoram ao final do jogo: classificação uruguaia  (AP Photo/Antonio Calanni)

Itália 0×1 Uruguai: Celeste era pior no papel, mas foi mais time em campo

A crônica

Algumas histórias são escritas com dor. A Itália deixa a Copa do Mundo do Brasil com a sensação que poderia ter feito mais. O Uruguai, ao contrário, avança na competição com o brio que o caracteriza, com uma vitória sofrida, gol de zagueiro, expulsão controversa do adversário, mordida de Suárez e mais raça do que qualquer outra coisa. O 1 a 0 sofrido em Natal veio com um time que sabe que é limitado, que tem dois atacantes espetaculares, e vence uma Itália melhor como time, mas pior em postura. O time de Prandelli, acostumado a jogar um futebol mais ofensivo e interessante, preferiu cozinhar o jogo. E a panela queimou. Deixam a Copa com capacidade potencial enorme, mas futebol apresentado mesmo só no primeiro jogo.

Com um jogo disputado às 13h em um local quente – a temperatura era de 33°C -, era normal que os dois times tivessem precauções. Tanto Itália quanto Uruguai sofrem fisicamente. A Itália sofreu nos dois jogos que fez anteriormente, sempre acabando o jogo muito cansada. Prandelli jogou com três times diferentes nos três jogos, parecendo querer se adaptar ao adversário, mas sem encontrar um jeito seu de jogar. Dentre suas estrelas, Buffon foi a melhor. Balotelli não foi bem e nem voltou ao segundo tempo, com amarelo. Pirlo esteve bem marcado e pouco conseguiu fazer. Destaque mesmo na Itália, entre os jogadores de linha, só mesmo Verratti.

A expulsão de Marchisio, aos 14 minutos do segundo tempo, acabou sendo um fator importante do jogo. Se a Itália se desgasta muito em todos os jogos, mais ainda com um jogador a menos. O lance foi controverso e gerou muita discussão. A entrada de Marchisio foi bastante estabanada, entrando com o pé alto em Arévalo Ríos, em um lance muito perigoso. Se acertasse, poderia machucar seriamente o uruguaio. Pegou só de raspão. O árbitro Marco rodríguez estava muito bem posicionado e perto do lance e mostrou o cartão vermelho sem hesitar. Quem entra de forma tão perigosa quanto Marchisio o fez sempre corre o risco de ser expulso. E isso aconteceu.

O Uruguai, porém, reclama de um pênalti não marcado em Edinson Cavani um pouco antes. A Celeste foi toda para cima do árbitro após o agarrão, que o árbitro considerou lance normal de jogo. Mas as polêmicas ainda não acabariam na partida. Suárez mordeu Chiellini em um lance que o árbitro aparentemente não viu e nada marcou. O zagueiro correu para o árbitro para mostrar a marca. Se tivesse visto, poderia expulsar o atacante uruguaio e as coisas poderiam se complicar.

A Itália abriu mão do jogo aos poucos. Se no primeiro tempo se poupava, no segundo se fechou mesmo para aguardar o erro uruguaio. O time de Oscar Tabárez passou longe de ser tecnicamente criativo, mas tentou pressionar, e muito. Suárez foi sempre perigoso e Cavani, sem ser brilhante, se esforçou muito. Uma marca que esse time carrega no seu DNA. O gol de Godín, meio de ombro, em um escanteio que Gastón Ramirez cobrou, deu aos uruguaios a chance da glória.

A Itália, àquela altura, tinha pouco tempo para reagir. E não tinha mais nenhum centroavante em campo. No intervalo, saiu Balotelli para entrar Parolo, dando mais força no meio-campo. Depois, Prandelli tirou Immobile e colocou Cassano, um jogador que é mais um armador que um finalizador. A Itália se viu sem um fazedor de gols e transformou Chiellini em centroavante. Podia ter conseguido o empate, mas a chance era pequena, e não conseguiu.

O Uruguai deve ter a Colômbia pela frente jogando no Maracanã pelas oitavas de final. Pode perder Suárez, se o atacante for punido pela mordida que deu em Chiellini. Vale lembrar que foi a terceira mordida do uruguaio na carreira. Pelo Ajax, mordeu Bakkal, do PSV. Pelo Liverpool, mordeu Ivanovic. Agora, Chiellini, pela seleção uruguaia contra a Itália.

A história do Uruguai já é épica até aqui, sobrevivendo ao grupo da morte mesmo perdendo o primeiro jogo contra a surpreendente Costa Rica. E o Maracanã tem tudo para ser pintado de celeste pelos uruguaios e amarelo e vermelho pelos colombianos, em um lindo duelo dentro e também fora de campo.

FICHA TÉCNICA

Itália 0×1 Uruguai

Itália

Gianluigi Buffon; Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini; Darmian,Claudio Marchisio, Andrea Pirlo, Marco Verratti (Thiago Motta, 30’/2T) e e Mattia De Sciglio; Ciro Immobile (Antonio Cassano, 26’/2T) e Mario Balotelli (Carmo Parolo, intervalo). Técnico: Cesare Prandelli

Uruguai

Fernando Muslera; Martín Cáceres, Juan Manuel Giménez, Diego Godín e Álvaro Pereira (Christian Stuani, 18’/2T); Nicolás Lodeiro, Arévalo Ríos, Álvaro González e Cristian Rodríguez (Gastón Ramírez, 33’/2T); Edinson Cavani e Luis Suárez. Técnico: Oscar Tabarez

Local: Arena das Dunas, em Natal
Árbitro: Marco Rodríguez (MEX)
Gols: Godín, 36’/2T
Cartões amarelos: Balotelli, Arévola Ríos, De Sciglio, Muslera
Cartões vermelhos: Marchisio

O cara
Gianluigi Buffon

Se não fosse pelo experiente goleiro italiano, o Uruguai poderia ter saído com uma vitória muito mais fácil. Não que os uruguaios jogassem tanto futebol assim, mas criaram algumas chances que foram essenciais para que a Itália seguisse no jogo. O lance do gol não tinha o que fazer, mas onde ele pode, salvou a Azzurra.

Os gols

 36′/2T: GOL DO URUGUAI!

Cobrança de escanteio de Gastón Ramirez do lado esquerdo, Godín subiu e, de ombro, meio de costas, aos trancos e barrancos, conseguiu o gol. O gol da classificação Celeste.

A Tática

Itália x Uruguai

Prandelli mudou o time pela terceira vez em três jogos. Desta vez, escalou os três zagueiros da Juventus para começar a partida, com De Sciglio finalmente começando um jogo depois de se recuperar de lesão. Mais do que isso: colocou Immobile no ataque, fazendo uma dupla de centroavantes, algo que ele ainda não tinha feito. O time não foi bem, não conseguiu criar chances e acabou derrotado. O Uruguai mudou o posicionamento, com uma linha de defensores com cinco jogadores, mas com laterais que se tornavam alas com a bola. O time marcou muito bem, sofreu para criar, mas conseguiu pressionar.

A Estatística

3

Número de gols marcados pela Itália em três jogos da primeira fase. Neymar, o artilheiro da Copa até aqui, marcou 4. Sozinho, fez mais que a Azzurra inteira. Fica difícil classificar assim.