No meio da transição entre o time que dera vexame na Copa de 1966 e o vice mundial em 1970, havia uma Euro para a Itália de Dino Zoff, Giacinto Facchetti e Gigi Riva, treinada por Ferruccio Valcareggi. Para ajudar aquela Azzurra, que começava a renascer, a fase final foi disputada na Bota. E, após superar a Bulgária, nos dois jogos das quartas de final, o time de Valcareggi chegou para buscar o título europeu com bastante vontade – e inegável habilidade, presente ainda em outros jogadores, como o atacante Pietro Anastasi.

Mas haveria pedras no caminho. Para começar, a Iugoslávia, vice em 60, tinha uma geração completamente renovada. Destaques não faltavam na equipe que superara a França, nas quartas: comandada por Dragan Dzajic, a equipe tinha o lateral direito Mirsad Fazlagic, e dois futuros técnicos no meio-campo: Ilija Petkovic e Ivica Osim. Era um bom começo para uma boa geração na história do futebol iugoslavo.

De quebra, a campeã mundial Inglaterra demonstrava o que ainda podia fazer. Eliminando a campeã Espanha, nas quartas, o English Team ostentava o favoritismo, e a mesma base que levara o país à loucura em 1966: Gordon Banks no gol, Bobby Moore capitaneando a equipe na zaga, Bobby Charlton como cérebro da equipe, Martin Peters e Alan Hunt no ataque… sem contar a União Soviética, já velha-de-guerra em Euros. Em meio à mudança de geração, a equipe comandada por Mikhail Yakuschin eliminou a Hungria, nas quartas, e ostentava muitos atletas já experientes da Euro anterior.

Na primeira semifinal, em Florença, iugoslavos e ingleses fizeram uma semifinal bem tensa. A ponto de ser definida somente no final: aos 41 minutos da etapa final, Dragan Dzajic marcou, e os iugoslavos conseguiram neutralizar o English Team: 1 a 0. Mas a semifinal de Nápoles… 120 minutos e nada de gols, nem italianos, nem soviéticos. Pênaltis? Não, moedinha. Pois é: os dois capitães decidiram a vaga na final ao escolher cara-ou-coroa, mediados pelo árbitro alemão Kurt Tschenscher, em pleno gramado. E deu Azzurra na final.

Na decisão do terceiro lugar, a Inglaterra conseguiu diminuir a frustração de não justificar o título mundial que ostentava, fazendo seguros 2 a 0 nos soviéticos, em Roma, com Bobby Charlton e Geoff Hurst, o mesmo cujo gol trouxera tanta confusão em 1966.

Mas o sofrimento prosseguiu na decisão, em Roma: mais 120 minutos, com 1 a 1 ao cabo deles. E a Itália só empatou a dez minutos do fim do tempo normal, com Domenghini (Dzajic abriu o placar, aos 39 minutos da etapa inicial). Moedinha de novo?

Não: italianos e iugoslavos voltaram a campo dois dias depois, em 10 de junho, para um repeteco da final. Sabe-se lá como, Gigi Riva e Anastasi arrancaram fôlego para, ainda no primeiro tempo, matarem o jogo. 2 a 0 e Itália campeã europeia, comprovando a reação que seria confirmada em 1970.