Japão Honda Grécia 169

Japão 0×0 Grécia: Samurais Azuis tiveram a bola, mas não souberam o que fazer com ela

A crônica

O Japão fez aquela que provavelmente foi a partida mais ineficaz da Copa do Mundo até agora. Isto é: tiveram a posse de bola absoluta do jogo, chegaram o tempo todo ao ataque e, ainda assim, deram um jeito de não fazer um gol sequer no empate em 0 a 0 com a Grécia. E olha que os Samurais Azuis atuaram por mais de 50 minutos com vantagem numérica. O jogo teve ainda sérias possibilidades de acabar com vitória grega, com os comandados de Fernando Santos fazendo Kawashima trabalhar em algumas oportunidades.

O primeiro tempo foi de controle quase absoluto da seleção japonesa, mas apenas no domínio da bola. Os Samurais Azuis chegaram ao intervalo com um impressionante número de 70% de posse, mas isso não se refletiu nas principais chances da primeira etapa. A equipe até começou com trocas rápidas de passe, com Okubo, em especial, muito bem. No entanto, com o passar do tempo, o jogador decaiu, e as jogadas ofensivas japonesas acabaram prejudicadas. Keisuke Honda, que poderia fazer a diferença, não teve um primeiro tempo muito bom, e os laterais, que poderiam ser uma válvula de escape, praticamente não apoiaram lá na frente.

Mesmo com toda a posse, não havia penetração do Japão na zaga da Grécia, que se postava defensivamente sem pressa de tomar a bola. Quando o fazia, no entanto, levava tanto perigo quanto os japoneses: os gregos se aproveitaram dos erros dos Samurais Azuis para tomarem a bola em algumas oportunidades e se lançar ao ataque. Isso tudo acabou prejudicado no final do primeiro tempo, com a expulsão de Katsouranis pelo segundo cartão amarelo, após carrinho forte em Hasebe.

No segundo tempo, os ataques ocasionais da Grécia diminuíram ainda mais, enquanto a posse de bola se manteve majoritariamente japonesa, claras consequências da inferioridade numérica dos gregos. Ainda assim, aos 14 minutos Gekas quase abriu o placar, de cabeça, forçando Kawashima a fazer uma defesaça. No restante da etapa complementar, o Japão criou as principais chances. A principal delas veio aos 23 minutos. Shinji Kagawa, que havia entrado há pouco tempo e melhorado um pouco a organização no ataque japonês, acertou um lançamento preciso para Uchida, dentro da área. O lateral viu a chegada de Okubo na segunda trave e rolou para o companheiro, que conseguiu isolar a bola mesmo estando na cara do gol. Pouco depois, foi a vez de o próprio Uchida perder uma grande oportunidade, quando chegou dividindo uma bola com Sokratis na pequena área grega, mas mandou para fora.

Yasuhito Endo teve a última chance de ouro do Japão: uma cobrança de falta na entrada da área. O veterano japonês bateu bem, mas Karnezis se esticou no canto esquerdo para espalmar. E assim, com a impressão de que nem mesmo mais 90 minutos de jogo dariam um jeito na ineficiência japonesa, a partida acabou. O duelo foi um show de oportunidades desperdiçadas e de como desperdiçar uma oportunidade tremenda de vencer. Muita posse de bola japonesa, principais jogadas de ataque dos Samurais Azuis, vantagem numérica desde a expulsão de Katsouranis ainda aos 38 minutos, e mesmo assim o Japão fracassou em marcar seu gol. É uma das decepções da Copa, considerando o futebol interessante que demonstraram no ano passado, na Copa das Confederações.

FICHA TÉCNICA

Japão 0×0 Grécia

Japão

Japão LogoEiji Kawashima; Atsuto Uchida, Maya Yoshida, Yasuyuki Konno e Yuto Nagatomo; Makoto Hasebe (Yasuhito Endo, intervalo), Hotaru Yamaguchi, Yoshito Okubo, Keisuke Honda e Shinji Okazaki; Yuya Osako (Shinji Kagawa, 12′/2T). Técnico: Alberto Zaccheroni.

Grécia

Escudo GréciaOrestis Karnezis; Vasilis Torosidis, Kostas Manolas, Sokratis e José Holebas; Giannis Maniatis, Konstantinos Katsouranis e Panagiotis Kone (Dimitrios Salpingidis, 36′/2T); Ioannis Fetfatzidis (Georgios Karagounis, 42′/1T), Kostas Mitroglou (Theofanis Gekas, 35′/1T) e Georgios Samaras. Técnico: Fernando Santos.

Local: Arena das Dunas, em Natal

Árbitro: Joel Aguilar (SLV)

Gols: Nenhum

Cartões amarelos: Hasebe (Japão); Katsouranis, Samaras e Torosidis (Grécia)

Cartões vermelhos: Katsouranis (Grécia)

O cara

Orestis Karnezis fez o mesmo número de defesas que Kawashima, que até fez a mais difícil do jogo, mas a atuação do grego foi mais significativa. Afinal, o Japão passou quase todo o tempo no ataque, o que o torna mais relevante nessa disputa para manter o placar no zero. Fez boas defesas, como na cobrança de falta colocada de Endo aos 45 do segundo tempo, que poderia ter definido o jogo.

A Tática

Japão Grécia Campinho

A Estatística

68%

Posse de bola do Japão ao final do jogo. Ainda assim, tanto Karnezis quanto Kawashima fizeram quatro defesas na partida. Sinal da ineficiência japonesa.